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LAPA-PENHA, UMA MÚSICA COM BERÇO, IDENTIDADE E CPF

A década de 70 do século passado foi muito boa para a música brasileira. Com censura e tudo! Mas dava gosto ouvir o rádio naquele tempo. Como toda unanimidade é burra, afirmação de Nelson Rodrigues, eu era doido por aquilo que se chama de samba paulista, apesar de condenado por muita gente. Vinícius até disse um dia depois de tomar umas e outras: “São Paulo é o túmulo do samba.” Nunca foi!

Pois bem, eu cheguei até a associar dois nomes de peso do meio artístico ao samba paulistano daquela época: Jorge Costa e Bráulio de Castro. Esses dois produziram músicas de alta qualidade que foram gravadas por nomes como Alcione, Luiz Américo, Noite Ilustrada, Benito de Paula, Jair Rodrigues, Germano Mathias, Os Originais do Samba e Geraldo Luiz.

Geraldo Luiz? Claro. Tão bom quanto Jackson do Pandeiro. Só gravou dois LPs na citada década, mas esses dois discos são suficientes para fazer dele um grande intérprete. Além disso, foi exímio violonista. Era cearense de Lavras da Mangabeira e faleceu no fim dos anos 80 de coma diabético. O pobre nem sabia que era portador dessa doença!

Mas os dois compositores citados não eram paulistas: Jorge Costa era alagoano de Maceió e Bráulio de Castro é pernambucano de Bom Jardim, terra de Levino Ferreira, o maior nome do frevo. Jorge Costa era do samba e do forró e Bráulio de Castro compõe frevo, coco, xote, samba, maracatu, forró e até embolada. Certa vez Jorge e Bráulio se reuniram e fizeram a embolada Penha-Lapa, uma homenagem à linha de ônibus Penha-Lapa, uma das mais conhecidas de São Paulo.

A gravação dessa música ficou a cargo de Geraldo Luiz que dá um show de interpretação. Jorge Costa foi vergonhosamente esquecido em Maceió e Bráulio de Castro mora em Olinda/PE onde os homens que cuidam da cultura estadual não o fazem merecedor da reverência proporcional ao seu talento. Tem mais de 50 músicas inéditas que os novos cantores ou grupos não se interessam em gravar. Sem dúvidas, é um grande nome da música brasileira!

Ouçam, então, de autoria de Jorge Costa e Bráulio de Castro, a embolada Penha-Lapa na voz de Geraldo Luiz. É música com berço, identidade e CPF, bem diferente dessas que hoje tocam no rádio e na TV.

Fonte: www.overmundo.com.br

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