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Um bonjardinense entre os desaparecidos da Ditadura Militar

 Edgard Aquino Duarte nasceu em 28 de fevereiro de 1941 em Bom Jardim, Estado de Pernambuco, filho de José Geraldo Duarte e Maria Francisca Duarte. Desaparecido desde 1973, com 30 anos de idade.

Após terminar o 2° grau, Edgard ingressou na Marinha, tendo realizado vários cursos. Chegou a Cabo do Corpo de Fuzileiros Navais. Participou, em 1964, da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil, opondo-se ao golpe militar. Em conseqüência de sua destacada atuação na famosa revolta dos marinheiros, em 04 de junho de 1964, foi obrigado a se exilar no México. Mais tarde viajou para Cuba. Retornou ao Brasil em outubro de 1968 e viveu clandestino em São Paulo até sua prisão, em 03 de junho de 1971, realizada pelo DOI-CODI/SP.

No livro “Brasil Nunca Mais”, há a seguinte informação sobre Edgard: “Entrou em contato com seus pais em
Recife, permaneceu dois meses em Bom Jardim (PE) e depois foi para São Paulo, onde montou uma imobiliária com um amigo. (…) Sempre trabalhando, não tinha contato com antigos companheiros. Certo dia, encontrou-se com o Cabo Anselmo que lhe disse ter chegado de Cuba, estando sem trabalho e moradia. Edgard o levou
para morar em seu apartamento. No Natal de 1970, junto com o Cabo Anselmo e sua noiva foi ao Rio de Janeiro.

Em 1971 foi preso, na sua casa à Rua Martins Fontes, 268 – apto. 807, em São Paulo, sendo levado imediatamente para o DEOPS-SP, onde ficou à disposição da equipe do delegado Sérgio Fleury, sendo torturado. Após a fase de torturas, ficou indefinidamente preso na cela de n° 4 do “fundão” (conjunto de celas individuais, isoladas).

Do dia de sua prisão até o mês de junho de 1973, Edgar esteve preso em vários órgãos de repressão política. Durante todo esse período, conviveu com diversos presos políticos, contando sua vida de prisão e torturas. Edgard dizia ter tido uma entrevista com um oficial do Exército que lhe dissera que seu caso estava à disposição do CIEx.

Edgar esteve preso no DEOPS-SP, DOI/CODI-SP, DOI-CODI/Brasília e Batalhão de Caçadores de Goiás. Visto pela última vez em junho de 1973, no DEOPS-SP, estava barbudo, cabeludo, e muito debilitado fisicamente. Os carcereiros o retiravam da cela no Fundão do DOPS/SP e o levavam para um corredor. Lá diziam que ele deveria tomar sol porque, em breve, seria libertado. Mas era tudo uma farsa. O próprio Edgard rapidamente comentava com os outros presos: “Eles vão me matar e dizem que eu vou ser libertado.”

Numa dessas vezes, ele foi conduzido encapuzado para a carceragem, onde foi espancado e um de seus algozes gritou: “Você mexeu com segredo de Estado, você tem que morrer”.

Nos corredores do DOPS/SP, havia comentários de que ele teria descoberto “a dupla militância do Cabo Anselmo”, agente policial infiltrado nas organizações de esquerda e responsável por uma série de prisões e assassinatos
de ativistas políticos. Isto ficou evidenciado com a queda de um grupo de militantes da VPR onde foram presos, torturados e assassinados seis integrantes da organização sob o comando do delegado paulista Sérgio Fleury. Tudo como conseqüência do trabalho do infiltrado ex-cabo Anselmo. Uma das testemunhas da delação deste alcagüete foi um dos sobreviventes, Jorge Barret Viedma, irmão de Soledad Viedma, que esteve no DOPS/SP, com quem Edgard confirmou essa informação.

Em julho de 1973, o advogado Virgílio Lopes Enei entrou com um pedido de Habeas Corpus em favor de Edgard. O Dr. Alcides Singilo, delegado do DOPS/SP informou que Edgard já havia sido libertado e, quando sua informação
foi desmentida pois Edgard não entrou em contato com ninguém da família, ele retrucou: “Talvez ele tenha medo de represálias dos elementos de esquerda e por isso tenha evitado contatos com a família ou talvez já tenha sido morto por esse pessoal.”

A prisão e “desaparecimento” de Edgard foram testemunhados por todos os presos políticos que se encontravam recolhidos nos órgãos por onde passou. Entre as muitas testemunhas de sua prisão estão José Genoino Neto, Ivan
Akselrud Seixas, Manuel Henrique Ferreira, Maria Amélia de Almeida Teles, Cesar Augusto Teles.

No Relatório do Ministério da Marinha consta que “em 10 de agosto de 1968 como elemento atingido pelo A.I. com o nome de soldado F.N. Edgard de Aquino Duarte, n° 60.30136-SPC.” Seu nome consta no Arquivo do
DOPS/PR, numa gaveta identificada como “falecidos”.

Fonte: Tortura Nunca Mais

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1 Comentário

  1. Vital Cordeiro
    27 de julho de 2011 às 07:23 Responder & darr;

    Jacson quem são seus familiares em nossa cidade?

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