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Sexo antes do casamento: origem do tabu

Sexo antes do casamento: origem do tabu

Muitas vezes, algumas pessoas são levadas pela sua crença religiosa ou pelo conservadorismo social a acreditar que o sexo não é correto antes do casamento. Por que existe essa vinculação?!

Origem histórica do casamento: A história do casamento mostra que não havia, até a época em que a Bíblia foi escrita, nenhuma cerimônia religiosa nem formalidade legal para que o casamento fosse considerado válido, apenas bastando a coabitação entre um homem e uma mulher.Traduzindo: o sexo era o casamento.

Essa cerimônia toda especial que conhecemos hoje, com vestimentas específicas para a ocasião, flores, véu e aliança, advém da Roma antiga e, portanto, surgiu como uma cerimônia pagã. Além disso, o conceito de pureza associado à virgindade vem desta época, remontando às tradições da Roma e da Grécia Antiga.

Mas devido aos interesses atrelados ao casamento ao longo das gerações, o simbolismo da cerimônia foi sendo manipulado pelas autoridades religiosas com a intenção de aumentar seu poder. Na Idade Média, o casamento se tornou um pacto comercial entre famílias, em que nações se juntavam ou se dissolviam em virtude de casamentos. Por isso, era interessante para a Igreja vincular essa realização aos poderes eclesiásticos. Também era conveniente vincular um imperativo da vida comum: a união de dois seres com finalidade de formar família.

Discussão religiosa: Ainda hoje, o casamento é muitas vezes utilizado como tema sensacionalista nos discursos de padres, pastores, ministros e outras figuras religiosas. Em resumo, a Bíblia claramente condena a fornicação. E os defensores de correntes que condenam o sexo antes do casamento dizem que fornicar é ter relação sexual antes de se contrair o matrimônio. Mas, segundo os dicionários, fornicar é apenas “copular”, “ter relações sexuais”. Não seria a definição, então, manipulada para fazer concordar com o que querem defender?

Uma interpretação mais razoável é que o problema que a Bíblia aponta é fazer da relação sexual um comportamento animal, sem responsabilidade, sem discernimento, sem amor. Mesmo porque, como explicado acima, na época em que a Bíblia foi escrita não existia cerimônia em igreja. Como era possível, então, ela condenar o sexo antes do casamento?

Hipocrisia social: A sociedade atual se esforça às cegas a desatar esses nós da tradição. Não faz mais de duas ou três décadas, era comum o homem preservar a virgindade da namorada em troca de sexo fora do relacionamento. Que hipocrisia é esta? Não é mais honesto aceitar que duas pessoas se conheçam e se envolvam de maneira progressiva e exclusiva?

O verdadeiro sentido do sexo e do casamento: O sexo, em várias religiões e doutrinas, é considerado sagrado. Entretanto, se é possível afirmar que o sexo só vale a pena se houver amor, também se pode dizer o mesmo sobre o casamento. Aliás, será que o casamento sem amor não é mais grave do que o sexo? Por outro lado, o sexo sem amor, mesmo dentro de um casamento, não é puramente uma manifestação animalesca, para satisfazer instintos, em vez de aproveitar o sentimento próprio do racionalismo humano?

Quando se fala em sexo antes do casamento, isso significa que se supõe que haverá um matrimônio. Não sendo o ritual externo uma necessidade, quando duas pessoas resolvem se unir, se unem na fidelidade e segundo sua crença. Se quiserem oficializar, com a intenção de legalizar em termos civis a união, basta tão somente a contratação, ou seja, o casamento civil. Se quiserem ser abençoadas, basta uma oração. Como todos sabemos, o amor e a intimidade acabam mais cedo ou mais tarde levando ao sexo. O que isso tem de mal se é natural?

A diferença dos tempos atuais é que os métodos anticoncepcionais e a ideia de progredir na carreira profissional para a preparação do casal acabam adiando o casamento. Em algumas religiões, para poupar os noivos de tal “pecado”, a cerimônia é antecipada para a juventude ainda imatura. Não há necessidade disso em vista do compromisso dos dois, apenas contribuindo para a precipitação das coisas e para a interrupção de uma trajetória natural na educação e crescimento profissional dos jovens.

Sexo sem compromisso: Como se observa nas correntes de pensamento de toda a história da humanidade, extremos opostos costumam digladiarem-se sem procurar por um meio termo. Com o perdão da generalização, se a geração anterior hipocritamente velava a virgindade, sem muitas vezes atinar-se com ela, essa geração se joga nos abismos da falta de compromisso. Esse comportamento com certeza causa consequências dolorosas. Pode-se argumentar que duas pessoas podem muito bem querer algo mais simples do que pede um compromisso… mas, possivelmente, se uma tiver um sentimento a alimentar o desejo de envolvimento, esta sairá com o coração partido. Além de ser responsável pelas dores morais que causa ao outro, cada um colherá o que planta também em matéria de sexo. O sexo é uma entrega mútua que não exclui a responsabilidade de suas consequências.

Por Érica Marina
Redação Dona Giraffa

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