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Alzheimer pode ser uma doença infecciosa, afirma pesquisa

Novo estudo indica que o desenvolvimento do Alzheimer é similar ao de doenças infecciosas como a da vaca louca, na forma humana.

Nos experimentos realizados em camundongos saudáveis foram injetados porções de tecido do cérebro de pacientes afetados pela doença. As condições destes animais foram, em seguida, comparadas ao grupo controle – camundongos nos quais foram injetados tecidos de cérebro de pessoas que não apresentavam Alzheimer.

“Fizemos um modelo de camundongo normal que espontaneamente não desenvolve quaisquer danos cerebrais e injetamos uma pequena quantidade de tecido cerebral humano com Alzheimer no cérebro do animal”, afirma Claudio Soto, pesquisador responsável pelo projeto. “O camundongo desenvolveu Alzheimer ao longo do tempo, e os danos se espalharam para outras partes do cérebro. Estamos trabalhando atualmente para saber se a transmissão da doença pode acontecer na vida real ou em rotas naturais de exposição”, completa ele.

Os resultados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, mostram uma potente disseminação infecciosa da doença em todos os animais que receberam o tecido cerebral dos pacientes doentes. Já no grupo controle, o desenvolvimento da doença não foi observado.

De acordo com os cientistas, a doença de Alzheimer seria semelhante a doenças que se desenvolvem a partir de príons – proteínas normais que se modificam tornando-se prejudiciais, além de induzir a modificação de outras proteínas “comuns” – um processo similar ao que ocorre na doença de Creutzfeldt-Jakob. Os cientistas afirmam ainda que as proteínas ruins passam a se acumular no cérebro, formando placas que podem causar a morte de células neuronais, desencadeando o Alzheimer.

“Nossos resultados abrem a possibilidade de que alguns casos esporádicos de Alzheimer podem surgir de um processo infeccioso, à maneira de outras doenças neurológicas, como a vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina) e a sua forma humana, variante da doença de Creutzfeldt-Jakob”, conclui Soto.

A ideia de que o Alzheimer seja uma doença contagiosa, ainda é apenas uma hipótese, que deve ser testada no futuro.

Mais informações sobre a doença de Alzheimer

O Alzheimer desenvolve-se lenta e progressivamente, devido a uma degeneração dos neurônios. Durante este processo formam-se tecidos anormais, denominados placas senis, e proteínas com sua estrutura alterada.

No início, os pacientes tornam-se incapazes de recordar memórias recentes. Posteriormente, são as memórias antigas que vão se apagando, chegando ao ponto do paciente ser incapaz de lembrar fatos ou até pessoas da própria família.

Até hoje, não existe cura para a doença, mas são utilizadas medicações capazes de retardar a evolução da doença, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Fonte: Jornal da Ciência

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