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Porque ter nojo pode ser bom

A cara de nojo que fazemos é universal. Podemos imaginar a face contorcida que comunica um sentimento de repulsa e nojo. Aranhas, criaturas gosmentas e muco podem provocar isso. A reação geralmente é se distanciar da causa.

Como resultado, sensações de nojo nos ajudam a evitar, ou pelo menos reconhecer, aquilo que nos faz sentir assim – e por uma boa razão, dizem os psicólogos.

Quando se trata de doenças infecciosas, o nojo surgiu para nos ajudar a manter distância de doentes, água suja, vômito, fluídos corporais e tudo que nos faz dizer “eca”.

Em um artigo, o Dr. Val Curtis argumenta que evitar o que nos dá nojo é essencial para prevenir a transmissão de todas as grandes doenças infecciosas.

Diarreia, infecções respiratórias, malária, sarampo, HIV, tuberculose e vermes parasitas podem ser evitados se pensarmos em aspectos de higiene, comenta Curtis.

Lavar as mãos e a comida pode prevenir doenças como cólera e hepatite A, evitar o sexo com outros que estão infectados ajuda a prevenir a transmissão do HIV, enquanto manter distância de pessoas com gripe ou sarampo é um movimento a mais para reduzir o risco.

“A ideia de entrar em contato ou consumir substâncias como saliva, fezes ou vômito, ou de contato íntimo com aqueles que sabemos estarem doentes é muito desconfortável, até mesmo de presenciar”, escreve Curtis. “A limitação desse comportamento é tão automática e intuitiva que é frequentemente ignorada como a principal defesa contra doenças”.

Conheça os maiores traços de doenças infecciosas que provocam aversão:

Aids – fluídos sexuais e corporais
Diarreia – fezes, água e comida contaminada, vômito
Hepatite – fezes, água e comida contaminada, vômito
Lepra – lesões na pele, muco nasal
Sarampo – feridas, secreções nasais e da garganta
Peste – feridas, pessoas contaminadas, ratos, moscas
Raiva – saliva, animais infectados, cachorros, morcegos
Sífilis – feridas, lesões de pele (principalmente nos órgãos genitais), insanidade
Tuberculose – muco nasal, saliva, pouca ventilação

Algo simples como lavar as mãos com sabão poderia salvar um milhão de vidas anualmente, pois assim a transmissão seria impedida.

O sentimento de nojo é frequentemente usado em campanhas públicas e saúde. Um panfleto do governo inglês, na época da gripe influenza, em 2009, mostrava um homem espirrando diretamente no leitor. O propósito era encorajar uma higiene melhor, e o aumento no uso de lenços.

A campanha com mais sucesso da Fundação Cardíaca Britânica mostrava cigarros pingando gordura. Era sobre o impacto do fumo nas artérias. Um estudo recente mostra que quanto mais aversão essa figura despertou, com mais força a pessoa tentou parar de fumar.

Mas, ao mesmo tempo em que o nojo pode nos ajudar, ele também pode levar a ansiedade e comportamento obsessivo.

Graham Davey, professor de psicologia da Universidade de Sussex, diz que a aversão não é uma emoção inata. “Nós só desenvolvemos nojo aos dois ou três anos. Bebês enfiam tudo na boca, e só aprendem o que é ruim ao ver a expressão de nojo ou negação da mãe”.

Nojo também pode cegar, e fazer agir irracionalmente, principalmente quando se trata de fobias de animais pequenos.

Fobias de aranhas são muito comuns, mesmo na Inglaterra, onde elas não são perigosas. Mas, assim como roedores e insetos, todos despertam sensações de nojo, e são causas comuns de fobias. “As pessoas tendem a ter fobias de animais que não são necessariamente perigosos”, diz Davey.

“É diferente do medo. É basicamente uma aversão a animais ou objetos que acabam sendo veículos de doenças”, comenta. “Mas a aranha é completamente inocente. Tem uma conexão histórica com o nojo, e as pessoas imaginam que elas têm mordidas venenosas, apesar de raramente possuírem”.

Há evidência também de que o nojo esteja envolvido em muitos casos de doença mental, incluindo problemas alimentares, disfunções sexuais, claustrofobia e psicose.

O professor Davey diz: “Algumas pessoas tem alta sensitividade a aversões, e isso pode evoluir até uma complicação de ansiedade. E isso invade cada parte da vida de uma pessoa, geralmente o trabalho e relacionamentos”.

Stephen Fry, que se declarou celibatário no passado, é citado no artigo de Curtis, descrevendo como o nojo se tornou um dos motivos para abster-se de sexo. “Eu seria grato ao homem que me explicasse o que há de interessante naqueles lugares úmidos, escuros, mal cheirosos e peludos do corpo, que constituem os pratos do homem no amor”.

Fonte: BBC

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