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A questão das Imagens: Católicos são Idólatras ?

A questão das Imagens: Católicos são Idólatras ?
Introdução 

Parece-me praticamente impossível encontrar um católico que jamais tenha sido chamado, direta ou indiretamente, de idólatra. O católico caminha pelas ruas e alamedas de sua cidade e, de forma repentina, surge alguém diante dele com uma Bíblia na mão citando Êxodo, Salmos ou Isaías em suas respectivas passagens onde há uma condenação explícita do culto de imagens. Aliás, diga-se en passant, este católico que é interpelado ao caminhar pelas vias de seu município pode se considerar um verdadeiro afortunado, pois os menos felizes são molestados em suas próprias casas em dias nos quais tudo o que desejam é ter um momento de paz com a família.Um pouco mais adiante retornaremos aos textos bíblicos mencionados e aí teremos a oportunidade de explicá-los um pouco melhor.

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Pois bem, ao ser interpelado, o católico pouco acostumado às Sagradas Letras e desconhecedor da Tradição e dos ensinamentos da Igreja é facilmente induzido a crer que durante toda sua vida fora enganado e, o que é bem pior, a Igreja tem conduzido ao erro não apenas ele, mas todas as gerações de cristãos que existiram nestes últimos vinte séculos. Percebe-se que aqui o “deus” em que os protestantes dizem acreditar se torna o “deus sonolento”, semelhante ao falso deus dos profetas de Baal quando do confronto com o profeta Elias (cf. 1 Reis 18, 20ss), uma vez que este deus permitiu que a raça humana ficasse séculos e séculos imersa no erro até que surgisse “o” profeta, “o” ungido, “o” pastor.

Porém, nós católicos estamos cientes que servimos a um Deus vivo e que não dorme e nem tira cochilinhos multisseculares. Sabemos que Nosso Senhor está com a Sua Igreja desde sempre e estará ao seu lado até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). Ele jamais a abandonou e sempre está presente, conduzindo-a para a pátria gloriosa que Ele tem preparado para ela. Assim, Ele não permitiria que a Sua puríssima noiva, a Igreja, caísse no mais abominável pecado que é a idolatria. Logo, é evidente que o culto das imagens nada tem que ver com idolatria (palavra, aliás, que muitos protestantes nem sabem o que significa), pois isso seria trair o próprio Deus, que por nós fora imolado no madeiro.
Devo acrescentar que acusar os católicos de idolatria é uma calúnia infame e covarde. Com isso, os protestantes alegam que nós adoramos outros “deuses” e que apenas eles, os protestantes, conhecem o Deus verdadeiro. Ora, meus caros amigos protestantes, saibam vocês que muito antes de qualquer seita protestante existir, a Igreja Católica, em seu trabalho missionário de séculos, já anunciava que há apenas um único Deus, que fez o céu e a terra, e que além d’Ele não há outro. Aliás, é isso que declaramos quando rezamos no Credo:
Credo in unum Deum, Patrem omnipoténtem, Factórem cæli et terræ, Visibílium ómnium et invisibílium
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Assim, caro amigo católico, jamais aceite ser chamado de idólatra, pois com isso, os adversários da verdadeira fé querem insinuar que adoramos e servimos a demônios. É este o grande “respeito” que os inimigos da Igreja têm para com ela e para com seus filhos.
Feitas tais considerações, passemos a questão principal.
A importância e a utilidade das imagens
Mas então, qual seria o papel das imagens na vida cristã?
Lúcio Navarro, nos parágrafos 380 e 381 de sua obra “Legítima Interpretação da Bíblia”, nos lembra, antes de qualquer coisa, que
(…) o culto das imagens NÃO É OBRIGATÓRIO neste sentido de que alguém, para salvar-se, tenha que possuir imagens ou prestar-lhes culto, nem também no sentido de que sem elas nós não nos pudéssemos nos dirigir aos seus protótipos. A Igreja poderia, até, proibir o uso das imagens em alguma região onde êste [sic] culto estivesse sendo mal interpretado e não houvesse possibilidade de ser bem compreendido (destaques do autor).
Ou seja, nada obriga que um católico tenha alguma imagem em sua casa. Ademais, a salvação não depende do culto das imagens, como muitos dos nossos irmãos separados pensam. É bem lembrado ainda, que a Igreja pode vetar a utilização de imagens caso esteja havendo algum tipo de abuso por parte dos membros de determinada comunidade. No entanto, prossegue Navarro:
O que é obrigatório, sim, é reconhecerem os católicos a legitimidade do culto das sagradas imagens e que elas são dignas de todo o nosso respeito e veneração.
Devemos, pois, ter a obrigação de reconhecermos que as imagens são legítimas, já que elas falam, por si só, verdades que necessitariam de muitas e muitas linhas para serem expressas. Para o homem iletrado (o qual, segundo muitos protestantes, já está condenado porque não pode ler a Bíblia), as imagens contam aquilo que ele não é capaz de ler. Ao entrar em uma Igreja Católica, a pessoa poderá visualizar rapidamente toda a história da salvação. Contemplará Nosso Senhor crucificado por nossos pecados; fitará cenas importantes da vida de Cristo e de seus apóstolos, como a gloriosa Ressurreição e Pentecostes; verá as imagens que representam tantos cristãos que viveram uma vida virtuosa e de verdadeiro amor a Nosso Senhor, amor este muitas vezes expresso através do sangue derramado; entre outras cenas. Tudo isso servirá de inspiração para uma vida mais santa para aquele que contempla as imagens sacras. Contempla-se a imagem, mas enxerga-se o modelo que ela representa. Por isso são as imagens dignas de respeito e veneração. Elas não são dignas de tal respeito por elas mesmas, devido a alguma propriedade mágica que elas possuam. Elas são dignas deste respeito devido às pessoas e aos acontecimentos que elas representam. Assim, complementa Lúcio Navarro:
É o que acontece com as imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Maria SS.ª e dos santos nas nossas igrejas. Sem que ninguém precise fazer um sermão, elas estão continuamente RELEMBRANDO seus protótipos, EVOCANDO A RECORDÃÇÃO daqueles que não devemos jamais esquecer, para copiarmos a santidade de suas vidas (destaques do autor).
Eu particularmente me divirto muito quando vejo um protestante atacar violentamente as imagens sacras, mas verter lágrimas ao assistir a filmes que retratam a Paixão de Nosso Senhor. Acaso não seria um filme também uma imagem? Aliás, um filme é uma sucessão gigantesca de imagens! Será que alguém quando chora ao assistir, por exemplo, ao filme “A Paixão de Cristo”, chora por causa do rolo do filme, ou por causa daquilo que o filme está mostrando? E ali no filme não estão representados Jesus, Maria, e os apóstolos? Da mesma forma fazemos nós católicos há séculos, veneramos o que a imagem representa e não a imagem pela imagem.Vejam que bela exposição faz Lúcio Navarro nesta passagem acerca do uso de imagens na Igreja primitiva:
Já S. Gregório Nazianzeno (do século IV) falava de ua [sic] mulher pecadora que se converteu ao contemplar a imagem do mártir S. Polemon (Carmen de vita sua L Iª secção IIª v. 800 segs.) e S. Gregório de Nissa (também do século IV) declarava que jamais viu o quadro do sacrifício de Isaque, sem que as lágrimas lhe viessem aos olhos, de modo que Basílio, bispo de Ancira, presente ao 2ª Concílio de Nicéia, comentava: “Muitas vêzes êste Padre tinha lido a história e não tinha chorado, mas, quando viu a pintura, chorou”. E outro Padre presente ao mesmo Concílio acrescentava: “Se a pintura produz um tal efeito em seu mestre, como não será útil aos ignorantes e aos simples!”
Compreende-se, portanto, muito bem, que quando Sereno, bispo de Marselha, temendo que se interpretasse mal o culto das imagens, quis proibi-las, o Papa S. Gregório Magno (do século VI) que foi notável também pela sua grande cultura, o tenha repreendido, dizendo: “Aquilo que para os letrados é a escrita, é a pintura a ser vista pelos rudes, porque nela, mesmo os ignorantes vêem o que devem imitar; nela lêem os que não conhecem as letras” (Epístolas LIX, 105).
Daí muitos dizerem que as imagens nada mais representam do que a “Bíblia dos pobres”. No mais, devemos convir que é muito mais marcante “ver” uma cena do que apenas lê-la ou ouvir falar sobre ela. Na verdade, uma coisa complementa a outra e ambas servem para a solidificação de nossa Fé.
As imagens e a Bíblia
E aquelas passagens na Bíblia que condenam com veemência o culto das imagens?
Vamos a elas!
(Todos os destaques nas citações bíblicas são meus)
Primeiro a mais famosa:
Diz o Senhor em Êxodo 20, 4 – 5a:
Não farás para ti imagem esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses e não os servirás, porque eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus ciumento (…)
É importante termos em mente que, neste contexto, o povo judeu tinha acabado de sair do Egito, onde a idolatria grassava livremente. Caso se fizesse uma imagem de qualquer coisa, o prolongado contato cultural entre hebreus e egípcios poderia fazer com aqueles adotassem as práticas pagãs destes. Por isso a proibição de Deus naquele momento foi tão resoluta. Obviamente, conforme os anos iam passando e o povo judeu fosse consolidando a sua fé, esta proibição tornar-se-ia cada vez mais despropositada.
Observemos, ainda, que neste trecho do livro do Êxodo, Deus proíbe a manufatura de qualquer tipo de imagem que represente alguma divindade. Tanto que o próprio Deus adverte: “Não te prostrarás diante desses deuses”. Assim, o que fica vetado explicitamente é a fabricação e o culto de imagens que representem divindades inventadas pelos homens e que roubam a glória do único Deus.
Ora, qualquer católico, por mais inculto que possa ser, sabe muito bem que as imagens não representam “deuses”, mas sim cenas da vida do próprio Cristo ou de pessoas que foram fiéis ao Senhor e que são dignas de nossa mais sincera devoção, mas não de nossa adoração.
Sabemos que antes da chegada de Nosso Senhor, praticamente todos os homens da face da terra haviam se esquecido do Deus verdadeiro e passaram a criar falsos deuses e a se prostrar diante deles, rendendo-lhes um culto de adoração, de latria (adoração) que só se deve a Deus. Por isso, tornaram-se tais homens cegos, surdos e mudos para a verdade revelada.
A este respeito, a Sagrada Escritura exorta no Salmo 115 (113 B), do verso 3 ao 8:
O nosso Deus está no céu
e faz tudo o que deseja.
Os ídolos deles são prata e ouro,
obra de mãos humanas:
têm boca, mas não falam;
têm olhos, mas não vêem;
têm ouvidos, mas não ouvem;
têm nariz, mas não cheiram
têm mãos, mas não tocam;
têm pés, mas não andam;
não há um murmúrio em sua garganta.
Os que os fazem ficam como eles,
todos aqueles que neles confiam.
Aqui, novamente, a Bíblia faz menção a ídolos, isto é, a outros deuses. A Bíblia não está dizendo que não se pode fazer nenhuma imagem de nada.
Diz ainda o profeta Isaias em 44, 9 – 20:
Os fabricantes de ídolos nada são e suas preciosas obras nada valem; para confusão deles, suas testemunhas não sabem ver nem compreender. Aquele que quer modelar um deus, funde uma estátua que não servirá para nada. Seus fiéis ficarão decepcionados e seus operários são apenas homens. Que todos se congreguem e compareçam. Ficarão assustados e decepcionados. O ferreiro manipula o formão e trabalha no forno; talha o ídolo com golpes de martelo; modela-o com mão vigorosa; mas tem fome, sente-se esgotado, tem sede, está extenuado. O escultor em madeira estica o cordel, traça o esquema a lápis, desbasta a imagem com o cinzel, mede-a com o compasso; dá-lhe forma humana, fá-la um belo tipo de homem, para colocá-la numa casa. Vai cortar madeira, apanha um roble ou um carvalho que tinham deixado crescer entre as árvores da floresta que o Senhor havia plantado, e que a chuva havia feito crescer. Depois faz com a madeira um fogo, e leva-o para se aquecer; queima-a também para cozer o pão; enfim serve-se dela para fabricar um ídolo diante do qual se prosterna. Queima a metade de sua madeira, sobre a brasa assa a carne, come esse assado até fartar-se. Então aquece-se e diz: Como é bom sentir o calor e admirar a chama! Com a sobra faz um deus, umídolo diante do qual se prostra para adorá-lo e orar dizendo: Salva-me, tu és meu deus. Falta bom senso e juízo a essa gente; têm os olhos tão fechados que não vêem, seus corações não podem compreender. Ninguém reflete nem tem bom senso e inteligência para se dizer: Queimei metade, cozi pão sobre a brasa, aí assei a carne que comi e iria eu fazer do resto um ídolo miserável? Prostrar-me-ia diante de um pedaço de madeira? Este homem se nutre de cinzas, seu coração desabusado o desencaminha, ele não consegue salvar-se nem dizer: Não será um logro o que tenho nas mãos?
Novamente, a Sagrada Escritura condena os ídolos, os deuses falsos que os homens adoravam antes da chegada de Nosso Senhor.
Mas será que Deus proíbe a manufatura de qualquer imagem que seja?
Nossos irmãos separados concordam conosco em pelo menos um ponto: Deus não pode mentir e em Sua Palavra não pode haver contradição. Então, vamos continuar a ler a Bíblia. Vamos abri-la em Êxodo 25, 17 – 19, assim diz o Senhor:
Farás também um propiciatório de ouro puro, com dois côvados e meio de comprimento e um côvado e meio de largura. Farás dois querubins de ouro, de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório; faze-me um dos querubins numa extremidade e o outro na outra: farás os querubins formando um só corpo com o propiciatório, nas duas extremidades.
Mas, o que é isso? O mesmo Deus que no capítulo 20 do mesmo livro do Êxodo tinha proibido que se fizessem imagens, agora exige que se construam dois querubins para serem colocados sobre a Arca da Aliança! Será que poderíamos chamar os judeus de idólatras caso se prostrassem diante dos querubins? É evidente que não. Neste caso, os judeus não estariam adorando os anjos, mas sim rendendo glória ao Senhor através da imagem daqueles anjos.
Continuemos com a Bíblia, agora em 1 Reis 6, 23 – 29:
Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões. Um e outro tinham dez côvados de altura. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário. Revestiu também de ouro os querubinsMandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas.
No trecho acima, que descreve algumas características do Templo de Salomão, vemos o próprio Salomão fazer duas imagens enormes de dois querubins e ainda por cima colocá-las no santuário do templo e as cobrir de ouro! Seria isso um indício de idolatria aos anjos? É óbvio que não! O próprio Deus se encarregou de determinar como deveria ser o seu templo, e Ele não faria absolutamente nada para induzir as pessoas ao erro. Contudo, através da imagem dos anjos, às quais se devia a mais profunda veneração, dava-se glória a Deus e proclamava-se a Sua majestade.
Ainda ao descrever o templo, o primeiro livro dos Reis em 7, 23 – 51 nos informa que:
Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados. Por baixo de sua borda havia coloquíntidas em número de dez por côvado; elas rodeavam o mar, dispostas em duas ordens, formando com o mar uma só peça. Este apoiava-se sobre doze bois, dos quais três olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O mar repousava sobre eles, e suas ancas estavam para o lado de dentro.  A espessura do mar era de um palmo; sua borda assemelhava-se à de um copo em forma de lírio; sua capacidade era de dois mil batos. Fez também duas bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura. Eis como eram feitas essas bases: eram formadas de painéis e enquadradas de molduras. Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões. Cada base tinha quatro rodas de bronze, com seus eixos de bronze, e nos quatro cantos havia suportes fundidos que sustinham a bacia, os quais estavam por baixo das grinaldas. A abertura para a bacia era no interior dos suportes, e os ultrapassava de um côvado de altura; era cilíndrica e seu diâmetro era de um côvado e meio; e era também ornada de esculturas. Os painéis eram quadrados e não redondos. Debaixo destes estavam as quatro rodas, cujos eixos eram fixados à base. Cada roda tinha um côvado e meio de altura, e era feita como as de um carro. Eixos, cambas, raios e cubos, tudo era fundido. Nos quatro ângulos de cada base encontravam-se quatro suportes que faziam parte da mesma base. A parte superior da base era de forma circular, tendo meio côvado de altura; seus esteios formavam com os painéis uma só peça. Nas placas dos seus esteios e dos painéis assim como no espaço livre entre estas, esculpiu querubins, leões, palmas e grinaldas circulares. Desse modo fez as dez bases, todas do mesmo molde, da mesma dimensão e modelo. Fez também dez bacias de bronze, contendo cada uma quarenta batos. Cada uma tinha quatro côvados e repousava sobre um dos dez pedestais. Pôs cinco pedestais do lado direito do templo e cinco do lado esquerdo. O mar foi colocado do lado direito do edifício, para o sudoeste. Hirão fez também caldeirões, pás e bacias. Hirão concluiu, pois, toda a obra que o rei Salomão lhe mandara fazer para o templo do Senhor: duas colunas, dois capitéis esféricos para o alto das colunas, duas redes para cobrir os capitéis esféricos que estão sobre as colunas; quatrocentas romãs para as redes, duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrir os dois capitéis esféricos que estão no alto das colunas; dez pedestais e dez bacias sobre os pedestais; o mar, único, com os doze bois por baixo do mar; os caldeirões, pás e bacias. Todos esses objetos que Hirão fez por ordem do rei Salomão para o templo do Senhor, eram de bronze polido. O rei mandou-os fundir na planície do Jordão, numa terra argilosa, entre Socot e Sartã. Era tão grande o número desses objetos, que Salomão não pesou o bronze. Salomão mandou ainda fabricar todos os utensílios que estariam no templo do Senhor: o altar de ouro, a mesa de ouro sobre a qual se colocavam os pães de proposição; os candelabros de ouro fino, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do santuário, com as flores, as lâmpadas e as espevitadeiras de ouro, os copos, as facas, as bacias, as colheres e os cinzeiros de ouro fino, e os gonzos de ouro para os batentes da porta do santuário, o Santo dos Santos, e da porta do templo, o Santo. Assim foram concluídos todos os trabalhos empreendidos pelo rei Salomão para o templo do Senhor. E Salomão mandou então que se trouxesse tudo o que Davi, seu pai, tinha consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e colocou-os nas reservas do templo do Senhor.
Vejam que maravilha que não devia ser o Templo de Salomão dedicado ao Senhor! Tudo ali falava de Deus e proclamava a Sua glória! Daí o belo uso que se fazia das imagens, as quais eram tão veneradas a ponto de entrarem na constituição do Templo. Vejam, elas não eram veneradas por elas mesmas ou porque representavam algum deus estranho, mas devido ao fato de que todas elas, de uma forma ou de outra, apontavam para a grandeza infinita do Senhor.
Outra passagem bíblica sobre as imagens podemos encontrar em Números 21, 4 – 9:
Partiram do monte Hor na direção do mar Vermelho, para contornar a terra de Edom. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento.” Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos.  O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.
O mesmo Deus que havia impugnado a fabricação de imagens, agora manda fazer a imagem de uma serpente! E ainda tem mais! Para que se fosse curado das mordidas viperinas, fazia-se mister olhar para a imagem da serpente! É claro que também neste caso, como em todos os outros encontrados na Bíblia, não se trata da imagem de um “deus”, mas sim de uma imagem que nos remete imediatamente ao Criador. Este tipo de imagem é permitida por Deus.
D. Estevão Bettencourt, em seu livro “Católicos Perguntam”, bem lembra, na página 8, que os próprios judeus não se furtaram a fabricação de imagens, dado que bem compreenderam que a proibição do Senhor estava relacionada à idolatria, ao culto de falsos deuses, e não às imagens em geral. Comenta D. Estevão:
Vide o caso, por exemplo, da famosa sinagoga de Dura-Êuropos, na Babilônia, na qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Abraão, a saída do Egito e a visão de Ezequiel.

Aqui está uma imagem das paredes do interior da sinagoga citada por D. Estevão:

Paredes da Sinagoga de Dura-Êuropos repletas de imagens com temas bíblicos
Se por acaso houvesse uma proibição generalizada de se fazer qualquer tipo imagem, seríamos impedidos de fazer qualquer coisa. Vejamos: todos temos imaginação, correto? Percebam que as quatro primeiras letras da palavra imaginação são imag. Ou seja, esta palavra está estreitamente atrelada ao vocábulo imagem. Na verdade, as ações humanas pautam-se em imaginação, em idéias. O carpinteiro forma em sua mente a imagem da cadeira. A seguir, partindo daquela imagem que carrega em sua imaginação, ele constrói a cadeira de acordo com a imagem da cadeira que possuía em sua mente. Deste modo, se Deus proibisse qualquer tipo de imagem, deveria proibir também que usássemos nossa imaginação, que é uma grande geradora de imagens. Mas isso é absurdo! Pois foi o próprio Deus quem nos deu a capacidade intelectiva.
Vemos, pois, o quanto é disparatado alegar que Deus proíbe o uso de todas as imagens.
Caso assim fosse, a proibição de imagens deveria estender-se não apenas à estatuária, mas também à fotografia, à pintura, ao desenho e ao cinema, pois estes nada mais são do que imagens sob modalidades distintas. Percebemos, pois, que muitos de nossos irmãos separados iniciariam uma grande guerra contra todos os artistas do mundo e de todos os tempos, em especial, claro, contra aqueles que trabalham com a Arte Sacra.
Mas o que é idolatria, afinal?
Tenhamos, pois, em mente uma clara distinção teológica (e não uma baseada em dicionários escolares) entre idolatria veneração.
Idolatria: Culto de latria devido apenas a Deus.
Veneração: Culto de doulia que devemos a tudo o que é sagrado, a tudo que nos remete a Deus. Poderíamos dizer que se trata de um profundo respeito a tudo que contribui para a nossa salvação.
Para negar esta distinção, os protestantes fazem as observações mais esdrúxulas. Afirmam eles: “Na prática não é o que acontece. Quando um católico está fazendo suas ‘rezas’ para um santo, ele não sabe a distinção entre doulia e latria. Logo, esta distinção é artificial e faz com que muitos prestem um culto idolátrico (conscientemente ou não) a uma certa imagem disfarçado de um culto de veneração”. Portanto, para alguns protestantes, se alguém está fazendo mal uso de algo, este algo deve ser sumariamente extirpado.
Vejamos que, com este raciocínio, eles põem em xeque a credibilidade da própria Bíblia. A Bíblia tem sido alvo de terríveis interpretações distorcidas que tem causado uma série de conflitos e divisões. Logo, a Bíblia não é algo bom, assim, que se arranquem as Bíblias dos cristãos e do mundo! E não me venha mostrar diferenças entre esta ou aquela maneira de se fazer exegese bíblica, no final ninguém vai saber a diferença mesmo e a Bíblia continuará causando confusão. Estas distinções seriam, pois, artificiais.
Fica, pois, evidente o quão contraditório torna-se o raciocínio protestante. E se outrora o feitiço virava-se contra o feiticeiro, agora o protestantismo volta-se contra o protestante.
Contudo, o que a própria Igreja nos ensina acerca da idolatria? Leiamos os parágrafos 2112 – 2114 do Catecismo da Igreja Católica (todos os sublinhados e negritos são meus):
O primeiro mandamento condena o politeísmoExige que o homem não acredite em outros deuses afora Deus, que não adore outras divindades afora a única. A escritura lembra constantemente esta rejeição de “ídolos, ouro e prata, obras das mãos dos homens”, os quais “têm boca e não falam, têm olhos e não vêem…”. Esses ídolos vão tornar as pessoas vãs: “Como eles serão os que o fabricaram e quem quer que ponha neles a sua fé” (Sl 115, 4 – 5.8). Deus, pelo contrário, é o “Deus vivo” (Jo 3, 10) que faz viver e intervém na história. 
A idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é DeusExiste idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. “Não podeis servir ao Deus e ao dinheiro”, diz Jesus (Mt 6, 24). Numerosos mártires morreram por não adorar “a Besta”, recusando-se até a simular seu culto. A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina.
A vida humana unifica-se na adoração ao Único. O mandamento de adorar o único Senhor simplifica o homem e o livra de uma dispersão infinita. A idolatria é uma perversão do sentimento religiosos inato do homemO idólatra é aquele que “refere a qualquer coisa que não seja Deus a sua indestrutível noção de Deus”.
Portanto, existem várias modalidades de idolatria. Não se necessita de uma imagem para se tornar um idólatra. Muitos têm como seus deuses e salvadores coisas como o dinheiro, o sexo, a família, o emprego, os estudos e outros. Para se tornar um idólatra, basta colocar qualquer coisa no lugar de Deus. Pasmem vocês, meus caros, muitos hoje idolatram nada mais nada menos que a Bíblia! Colocaram um livro no lugar de Deus e acham que a salvação só é possível através da Bíblia.
Logo, pelo simples fato de que muitos fazem mal uso da Bíblia, devemos tirá-la de nosso meio? É certo que isso não faz sentido. O abuso não tolhe o uso.
As imagens entre protestantes
Dado que o lema “a união faz a força” não se aplica aos protestantes, cabe lembrar que felizmente alguns ramos do protestantismo, como o luteranismo e o anglicanismo, compreendem o uso salutar das imagens sacras e as utilizam em suas igrejas e rituais. E vejam vocês que estamos falando dos ramos mais tradicionais do protestantismo…

Recomendamos o seguinte artigo: Martinho Lutero sobre os crucifixos, imagens de Santos e o sinal da cruz

É possível encontrar imagens feitas pelas mais diversas denominações: batistas, congregacionalistas, adventistas, quadrangulares, etc.Vemos que também neste aspecto os protestantes não se entendem…

As imagens nas catacumbas dos cristãos primitivos
A imagem que abre este post é uma representação da Virgem Maria e do Menino Jesus e estampa uma das catacumbas onde os cristãos primitivos se escondiam para fugir das autoridades romanas. Vemos que desde o princípio a Igreja tem profunda veneração pelas passagens bíblicas e por aqueles que tanto amaram a Nosso Senhor.
Vejamos como, desde o princípio, os cristãos ornamentavam seus lugares de culto com imagens de santos e/ou de temas bíblicos. As imagens possuem indiscutíveis valores pedagógicos e estéticos para a casa do Senhor.
Seguem-se algumas imagens que se encontram nas catacumbas dos cristãos primitivos:

Interior da Catacuma de São Marcelino e Pedro

 Representação da Eucaristia na Catacumba de São Calixto
 São Paulo
 
 Nossa Senhora e o Menino Jesus
 
 Bom Pastor
 
 Batismo
 
Epifania do Senhor
Para quem quiser saber mais acerca das práticas cristãs nas catacumbas,  basta acessar:
O dever cívico, a família e as imagens e símbolos
Devemos ter em mente que a vida do homem, de todas as épocas, sempre esteve (e continua a estar) permeada de símbolos e de imagens que o remetem a valores, a momentos e a personagens que transcendem à própria imagem ou símbolo: eles remetem, por exemplo, diretamente à pátria ou à família de um indivíduo.
A bandeira de um país, no fundo, é só um pedaço de pano colorido. Mas o valor da bandeira não se encontra nela mesma, mas naquilo que ela representa e naquilo que ela evoca: é uma imagem de nossa pátria. Ainda me lembro que na escola tínhamos que cantar o Hino Nacional com a mão no coração e olhando para a bandeira, tudo em um clima de mais profundo respeito. Quer uma dica para ficar impopular? Tente rasgar uma bandeira do Brasil durante um desfile de Sete de Setembro sob a alegação: “Gente isso aqui não é o Brasil nada! É só um pedaço de pano! Parem de prestar homenagem a isto!”…(caso não dê certo, cogite fazer a mesma coisa em um quartel bem no Dia da Bandeira!).
Ao andar pelas cidades de nosso país, sempre nos deparamos com estátuas e bustos de personagens da nossa história ou da história local. E por qual motivo estas imagens estão lá? Porque aquelas pessoas deram uma grande contribuição ao país ou a uma determinada região. Daí elas receberem uma imagem em sua homenagem; daí elas serem dignas de uma espécie de veneração cívica.
Creio ser quase impossível encontrar uma família que não possua um álbum de família, ou pelo menos algumas fotos de momentos especiais que são guardadas com todo o carinho. Às vezes, quando sentimos saudades das pessoas ali representadas, choramos ao ver a foto e até mesmo “conversamos” com a foto. Imagine alguém chegando perto de você e, arrancando a foto de sua mão, dizer: “Isto aqui não é o seu familiar coisa nenhuma! É só um pedaço de papel!”. Duvido que você ficasse feliz com uma atitude dessas. Porém, todos sabemos que o valor da foto não está na foto em si, mas no que ela representa para nós.
E se devemos ter veneração pelos símbolos e imagens que fazem referência à pátria e à família, que são coisas passageiras, quanto mais não deveríamos zelar pelos símbolos e imagens que nos remetem à nossa fé, que é eterna e da qual depende a nossa salvação! Por isso que, como católicos, temos que zelar pelos objetos que fazem alusão ao que cremos, pois todos eles falam de Deus. Aliás, os símbolos e as imagens não são nenhuma novidade para o cristão, sempre os cultivamos desde os primórdios (ex: a cruz, símbolo da salvação; o peixe, símbolo de Cristo; a estrela de Belém etc.).
Quando olhar para uma imagem, veja que a pessoa ali representada apenas foi capaz de viver em santidade devido à graça de Deus. A pessoa nada mais fez do que devolver para Deus dons que o próprio Deus lhe tinha concedido. Logo, aquela pessoa representada naquela imagem não apenas falou de Deus, mas viveu em Deus. Ela fez de sua vida uma oferta para Nosso Senhor. Ela falava de Deus com sua vida (e não apenas com a boca) enquanto peregrinava neste mundo; agora, na glória eterna prometida aos que amam a Deus, é a sua imagem que vemos, e, através desta, devemos nos lembrar que aquela imagem representa alguém que viveu, a partir de algum momento de sua vida, intensamente para Deus. Por isso, sua vida deve nos servir de modelo. De qualquer forma, nosso pensamento, ao olharmos para uma determinada imagem sacra, se converge invariavelmente para o Criador.
Conclusão
Encerro este artigo com uma singela sugestão. Quando alguém vier importunar você acerca das imagens, simplesmente diga: “Prezado, observe atentamente esta imagem, estude sobre a vida da pessoa que aí está representada e, assim como eu, com a graça que vem de Deus, procure imitá-la. Tenho certeza que deste modo você acumulará cada vez mais tesouros diante do Senhor”.
Pax Domini Sit Semper Vobiscum
Autor do texto: William Bottazzini

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1 Comentário

  1. Paulo
    4 de Janeiro de 2012 às 12:06 Responder & darr;

    Parabéns Pelo artigo. bastante esclarecedor e embasado!

    Deus o ilumine

  2. Assis Rodrigues
    4 de Janeiro de 2012 às 12:54 Responder & darr;

    São muitos os católicos que abandonam a igreja simplesmente pelo desconhecimento da fé católica. Eu indico a todos os católicos primeiramente a leitura orante da Bíblia. Não simplesmente ler e interpretar subjetivamente o que está na Bilblia. É preciso também ouvir os sucessores dos apóstolos que o próprio Cristo escolheu para continuar a obra da salvação. Sem os apóstolos (Bispos de hoje) não existe a Igreja. O Professor Felipe Aquino em seu livro “Por que sou Católico” assim escreve:
    “Os bispos são os sucessores dos Apóstolos, testemunhas dos ensinamentos e da Ressurreição de Jesus. Eles estabeleceram os princípios básicos para toda a vida da Igreja, o Credo e a Tradição apostólica. Cada um deles tinha jurisdição sobre as comunidades cristãs. Os apóstolos ordenaram bispos, seus sucessores, para que a Igreja cumprisse até o fim dos tempos a missão que Jesus lhes confiou. Os bispos da Igreja que hoje são cerca de 4200, embora não tenham sido testemunhas diretas da ressurreição de Jesus, no entanto, pela SUCESSÃO APOSTÓLICA, participam do Colégio dos Apóstolos. Um bispo novo é ordenado por três outros, que por sua vez foram ordenados por três outros, e assim pó diante…, nesta cadeia chagamos até os Apóstolos de Jesus. O mesmo se dá com o Papa de hoje; se formos voltando chegaremos a Pedro, a quem Jesus escolheu… Isto, meu amigo, só existe na Igreja Católica; e chama-se Sucessão Apostólica, é o que garante a originalidade e autenticidade da Igreja Católica. Além de ser um fato divino, é um fato histórico e inegável”(Por que sou Católico / Felipe Rinaldo Queiroz de Aquino – 21ª Ed. – Lorena: Cléofas, 2010) Em nossa comunidade o único representante dos apóstolos (bispos) é o padre Elias que foi ordenado e recebeu do nosso bispo a responsabilidade de conduzir a Igreja local segundo o Magistério da Igreja.
    Minha segunda indicação de leitura é justamente o livro acima citado do prof. Felipe Aquino dentre outros também importantes na Literatura Católica. Neste livro o prof. Felipe trata de assuntos importantes como a questão das imagens. Conhecer os fundamentos da fé e da doutrina católica é essencial para se manter no caminho que é o próprio Cristo e sua única e verdadeira Igreja. Assim falou Jesus: “ Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA, e as portas do inferno não prevalecerão conta ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus.” (Mt. 16, 18-20). Pedro já teve 264 sucessores( os Papas). A igreja foi fundada para existir até o fim do mundo. “ Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo”(Mt 28,20). EU SOU MUITO FELIZ, GRAÇAS A DEUS, POR SER CATÓLICO.

  3. zilda
    4 de Janeiro de 2012 às 15:59 Responder & darr;

    Isto é um absurdo o que vocês publicaram vocês estão precisando é sim ler a bíblia ! devemos ter respeito, adorar , amar , pedir algo, apenas para um que é o senhor JESUS CRISTO pois ele é o único SANTO aquele que morreu e sofreu pelo nossos pecados e que ressuscitou no terceiro dia .no entanto não existe santo antônio , são joão etc… e se duvidares do que eu digo então mim mostre na bíblia onde é que fala de santo antônio ,são joão e os outros ……a verdade é que devemos amar somente a JESUS em vez de ficarem discutindo religião pois na bíblia no livro de TIAGO CAP.1 VERS.27 DIZ ”a religião pura e imaculada para com DEUS ,o pai é esta : visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guarda-se da corrupção do mundo .”…….

  4. Joab dias
    4 de Janeiro de 2012 às 19:39 Responder & darr;

    Bom Gente , saudações aos meus amigos católicos que amam a verdade e se dizem Cristãos; afirmo sem medo de errar que essa postagem é tendenciosa e espúria…não só pelo autor, mas pelo postador que por sinal colocou um espaço grande aqui, espero poder explicar esse conteúdo ou comentar com o mesmo espaço que postaram ak ; em primeiro lugar ela incita a má educação querendo subestimar a inteligencia Cristã…como se fossem o dono da verdade e que não pudessem ouvir ninguém da Paz….pela paz….querem nos fazer inimigos, e que os católicos sejam mal educados com os cristãos , ou evangélicos em geral , pois nós perturbamos a “paz” da família, afinal se Cristo nos envia a pregar boas notícias a toda criatura, pq não receber os que anunciam a Paz? disse Jesus quem é de Deus ouve a palavra de Deus…..agora amigos católicos conheçereis a verdade e a verdade vos libertará…disse Jesus : libertar de que?
    Pense nisso agora leia todo esse comentário quem postou e depois conheça seu autor….

    Adorar e Venerar

    Para sair debaixo da sentença de condenação divina imposta pela santa lei de Deus, a Igreja Católica serve-se de sutilezas teológicas a fim de ludibriar os fiéis. Dizem e vivem a repetir os fâmulos católicos que os protestantes não levam em consideração a diferença entre venerar e adorar, argumentam ainda que o culto de adoração é prestado somente a Deus, mas que prestam um culto de veneração às imagens, às relíquias aos santos e a Virgem Maria. Dizem: “O católico venera os santos, não as imagens, mas o que elas representam, assim como sentimos amor por uma pessoa querida ao ver a sua foto. Veja que neste exemplo não sentimos amor pela foto, mas pela pessoa que nela está representada.”

    Vejamos então se este argumento tem alguma consistência, e se há realmente, como alardeiam os católicos, diferença entre ADORAR e VENERAR.

    Importante esclarecer que este mesmo argumento tem sido o slogan dos pagãos através dos tempos. Quando são colocados sobre pressão saem com este jargão de que não adoram ou veneram a imagem propriamente dita mas a sua honra ou veneração alcança o que está por trás das imagens. Esse era o argumento dos antigos povos e em particular, os gregos. Agostinho ao comentar os Salmos declara que esse era o argumento do paganismo para se safarem da acusação de adoradores de imagens. Essa é ainda a desculpa dos budistas que se prostram diante das imagens de Buda, dos hindus que rogam a Ganesa o deus hindu da boa sorte e aos seus milhões de deuses, dos Jainistas quando adoram os gigantescos pés de 17 metros de Gomatesvara, dos taoistas e outros. Observe essa declaração nos ensinamentos de Midai- Sama da Igreja Messiânica (seita oriental) sobre sua imagem da luz divina.

    Ele ensina que deve coloca-la nos lares, nas igrejas porque através dela os fiéis estariam buscando mais a luz de Deus e conseqüentemente sendo mais iluminados e estariam assim para sempre sobre sua poderosa influência. Mas para não acusa-los de idolatria advertem:

    “NÃO PRESTAMOS CULTO À IMAGEM DA LUZ DIVINA, MAS A DEUS, ATRAVÉS DESSA IMAGEM. SUA LUZ ALI SE FOCALIZA E SE INTENSIFICA CADA VEZ QUE ORAMOS PERANTE ELA”

    Compare agora com este argumento católico:

    “De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original”, e “quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada”. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus:

    O culto da religião não de dirige ás imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para realidade da qual é imagem.”

    O caso é que ninguém em pleno século XXI, iria admitir que adora uma imagem. É repugnante à moderna mente tecnológica de nosso século. Acontece que entre a teoria e a prática, há no entanto, um grande abismo!

    Será que os católicos teriam por inocentes todas essas religiões citadas acima, tendo em vista o fato de que todas elas prostram-se, rogam, beijam, constroem templos, fazem procissões às suas imagens? Será que a sutil colocação de que não adoram as imagens seria o suficiente para isentá-los da quebra do segundo mandamento?

    Os teólogos romanistas se vêm embaraçados para recriminar essas práticas idólatras, pois eles mesmos estão afundados até o pescoço nelas. É por isso que as missões católicas têm pouco sucesso entre os povos islâmicos e judeus, mas entre as nações cuja religião possuem similaridades com o catolicismo principalmente quanto ao culto das imagens conseguem, lograr algum êxito.

    Não, o argumento de que não adoram imagens não prevalece, pois se fosse assim teríamos que ser coniventes também com os pagãos!

    O biblista católico Mackenzie, já citado, diz o seguinte:

    “No Egito e em Babilônia a imagem era levada em procissão nos dias festivos. Em Babilônia era levada como hóspede aos templos de outros deuses, cujas festividades eram celebradas. Isso tudo, entretanto, não era idolatria no sentido rude do termo…” prossegue ainda,

    “Os pagãos adoravam o deus cuja imagem era a contraparte terrestre, não adoravam a imagem em si. Visto, porém, que os hebreus negavam qualquer realidade por trás da imagem, o culto teria recaído sobre a própria imagem, pois nenhuma outra coisa teria podido recebê-lo.” Então frisa algo que todo católico deveria meditar, “Portanto, os pagãos eram verdadeiros adoradores de ídolos também se não sabiam de o ser.” (grifo nosso) (ibdem pág. 435/6)

    Bastaria uma consulta em nosso dicionário vernacular para desmascararmos essa suposta diferença, pois venerar e adorar são sinônimos sendo que venerar é palavra latina e adorar é palavra grega tendo o mesmo significado. Sendo assim, o dicionário coloca acertadamente: Adorar = venerar. Mas os católicos fazem vistas grossas a este fato e saem pela tangente com o argumento de que “Adorar e venerar pelo dicionário da língua portuguesa , nos dias atuais, não têm qualquer diferença. Mas, não se esqueça que a nossa fé tem mais tempo do que a história de Portugal e Brasil. Na literatura católica, há distinção entre adorar ( latria) e venerar (dulia). Mas como eles mesmos admitem e qualquer católico poderá conferir, “adorar” é o mesmo que “venerar” e isto é uma pedra de tropeço para a teologia católica.

    Lançaremos mão agora de mais provas que pela força que tem são por natureza irrefutáveis. Invocaremos aqui o depoimento de autoridades católicas e apresentaremos evidências incontestáveis em suas próprias literaturas para fundamentar nossa alegação.Começaremos pelas traduções das Bíblias católicas.

    No episódio já citado de Ártemis ou Diana dos Efésios, Demétrio diz que todo o mundo adorava essa deusa como de fato reza o texto: “…aquela a quem toda a Ásia e o mundo adoram.”Atos 19:27 (versão das Bíblias protestantes)

    Essa também é a tradução da Bíblia católica editora “Ave Maria”, que traduziu o verbo como adorar. Entretanto, outra Bíblia católica, a conceituadíssima “Bíblia de Jerusalém” verteu esse mesmo verbo, dessa mesma passagem por “VENERAR”.

    Ora, perguntamos: A deusa Ártemis foi adorada ou venerada?

    Os próprios eruditos católicos são forçados a admitir a sinonímia dos dois termos.

    Pela Bíblia de Jerusalém os católicos não podem acusar mais os efésios de idólatras, mas se por ventura quiserem fazer isso, terão que usar a versão da Bíblia “Ave Maria”!

    Onde neste texto está a “substancial” diferença entre venerar e adorar como alegam os católicos? Veja que este argumento é de uma pobreza franciscana!

    Comentando sobre a passagem do capítulo 19 de Atos, o livro: “São Paulo e o Seu Tempo” edições Paulinas na página 77, trás o seguinte comentário:

    “A deusa venerada em Éfeso era muito mais uma deusa oriental da fecundidade do que a deusa caçadora dos gregos…”(grifo nosso). Novamente aí o termo venerar é aplicado à Ártemis pelos estudiosos católicos.

    A respeito do falso deus Baal diz Mackenzie que ele era “venerado de modos diversos ou sob títulos diversos nos diversos lugares” quando ele menciona a adoração dos israelitas a Iahweh diz que ele era “venerado com os ritos de Baal” Veja como ele usa o termo venerar para ambos não fazendo nenhuma distinção.(ibdem pág. 100)

    Invocaremos aqui como testemunha um Cântico composto por Tomás de Aquino cognominado de “doutor da Igreja”, intitulado de “TANTUM ERGO”, sua letra é dirigida à hóstia e diz: “Tantum ergo sacramentum veneremur cercui…”, cuja tradução pelo clero na língua vernácula é: “A este tão grande sacramento adoremos humildemente…”(grifo nosso) (A Mãe Das Prostituições pág. 59)

    É Tão gritante as evidências, que no missal romano está escrito com letras garrafais: “ADORAÇÃO DA CRUZ”. Nessa cerimônia de adoração canta-se um hino em homenagem a este amuleto; “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo! Vinde, ADOREMOS! Adoramos, senhor, vosso madeiro; vossa ressurreição nós celebramos. Veio alegria para o mundo inteiro por esta cruz que hoje veneramos”(O Sinal da Besta pág.11) Novamente é usado de modo intercambiável os dois termos, adorar e venerar!

    Frei Basílio Rower, em seu “Dicionário Litúrgico” na pág. 15 sobre o verbete: “Adoração da Cruz”, comenta:

    “…Efetua-se a veneração da cruz…” e em seguida troca novamente os verbos: “A cerimônia da adoração da Cruz, na sexta feira santa, é antiqüíssima; desde o século XI…” (grifo nosso) Novamente fica patente como esses dois verbos se tornam sinônimos! Mas para não deixar transparecer o verdadeiro significado (idolatria) por trás dessas explicações demagógicas, tenta ele concertar a situação com esta explicação esdrúxula no verbete “Adoração”:

    “A adoração, em ambos os sentidos expostos, pode ser absoluta e relativa.” Prossegue ainda: “As partículas do Santo Lenho, os instrumentos da Paixão de Cristo e a Cruz, na Sexta feira Santa, são adorados com adoração em sentido estrito, mas relativa.”

    Devemos ressaltar que não existe um caso se quer na Bíblia em que servos de Deus praticaram adoração relativa. Isso não pode ser outra coisa se não um esforço desesperado para achar subterfúgios para a sôfrega doutrina do culto às imagens.

    Suponhamos que realmente existe essa tal “adoração relativa”, o caso que não é, mas suponhamos por um momento que fosse real, ela teria que estar forçosamente estampada nas páginas da Bíblia. Mas o que nós vemos é totalmente o contrário.

    Quero trazer à memória o incidente de Pedro e Cornélio. Pois bem, ali estaria uma grande oportunidade de Pedro, que dizem ter sido o primeiro “papa”, portanto infalível de acordo com os dogmas católicos, a legitimar essa prática, pois Cornélio não era pagão o bastante para não saber distinguir entre adoração ao Deus de Israel e uma veneração ao servo deste. Se fosse esse o caso, o de existir tal grau de adoração relativa, quando Cornélio prostrou aos pés de Pedro para o adorar, este não teria tido a reação que teve conforme narra Atos 10:25,26: “Quando Pedro ia entrar, veio-lhe Cornélio ao encontro e, prostrando-se a seus pés, o adorou. Mas Pedro o ergueu, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.”. Pedro poderia ter aceitado isso como uma “adoração relativa”, uma “dulia” que através dele chegaria a Deus! Este ainda foi o caso de João perante o anjo de Deus em Apocalipse 22:8. Ambos não aceitaram tal suposta adoração pelo simples fato dela não existir. A Bíblia só apresenta um tipo de adoração e nada mais que isto, não adianta forjar termos inescrupulosos para servir de apoio para tamanhas heresias, se pela Bíblia já estão de antemão fadados ao fracasso!

    No entanto, no final do comentário o pobre Frei acaba se entregando e diz que: “A ADORAÇÃO DOS SANTOS E DE SUAS RELÍQUIAS E IMAGENS CHAMA-SE GERALMENTE VENERAÇÃO.” (ênfase do autor)

    Como dizia John Wycliff e Savanarola, este último cuja voz de protesto foi sufocada pelas fogueiras inquisitoriais: “Eles adoram, com efeito, no sentido próprio da palavra, as imagens, pelas quais sentem uma afeição especial” (A Imagem Proibida pág. 280)

    Eles nunca vão conseguir comprovar que uma, e a mesma coisa, são duas!

    http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=115&menu=2&submenu=9

    IDOLATRIA LEIA COM ATENÇÃO AMIGO CATÓLICO
    Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto). A princípio, poderíamos achar que se trata apenas do culto a imagens. Mas ultrapassa isso: repare que, hoje em dia, alguém diz que o cantor tal é seu ídolo. E não está incorreto.

    O catolicismo alega que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida própria e poder. Seria uma imagem pagã, um deus. Em vista disso, dizem que não podemos classificar de deuses os “santos” nem à estátua destes, porque eles não são o Criador do Universo nem o Juiz de vivos e de mortos, tanto que não – por ser adoração – não podem receber culto de latria, devido só a Deus. Mas não é bem assim. A Bíblia diz que:

    “… a avareza… é idolatria” (Cl 3.5).

    Não foi mencionado, aí, o caso de objeto inanimado nem de deus pagão. Trata-se do apego que alguns têm ao dinheiro. Perguntamos: Então a avareza é o Criador dos céus e da terra ou o Julgador de vivos e de mortos para receber culto de latria? É certo que não. Ela nem tem como ser esculpida.

    Analisemos mais dois versículos:

    “… O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre…” (Fp 3.19),

    Esse é o motivo por que a gula está incluída entre as obras da carne, que impedem o homem de herdar o reino de Deus (Gl 5.19,21). É o que acontece com quem usa mal ou com ganância o poder:

    “… fazem-se culpados estes cujo poder é o seu deus” (Hc 1.11).

    Concluímos que idolatria vai além do amor a imagens pagãs ou não-pagãs, além de se querer atribuir vida e poder a um objeto inanimado. Ídolo é qualquer coisa ou pessoa que colocamos no fundo do coração, em primeiro lugar, depositando nela grande confiança, o que faz dela um deus (com “d” minúsculo). Sendo assim, idolatria pode ser a dedicação a uma imagem, a um ídolo, a um líder religioso, a um deus, a um “santo”, ao ventre, ao poder e a seres ou coisas concretas ou não, reais ou imaginárias, uma vez que até deuses pagãos são criações da mente. É possível idolatrar-se um emprego, um automóvel, um filho e a nós ou a atitudes nossas, o que faz com que Deus perca a primazia.

    A idolatria é tão detestável que – quando o povo que acompanhava Moisés pelo deserto convenceu Arão a esculpir um animal, este “edificou um altar diante dele (do bezerro de ouro) e, apregoando, disse: Amanhã será festa ao Senhor”, ou seja, “será festa a Yahweh” (Êx 32.5), ao Deus verdadeiro de Israel (e não ao deus Ápis, do Egito, que era um boi) –, o Altíssimo, ao invés de se alegrar, se irou, pois não gosta de ser representado em forma astros, estrelas, de animal, seres humanos, aves, quadrúpedes nem de répteis. Ele detesta que tentem reproduzi-lo. O capítulo 1 de Romanos diz que, por esse comportamento, entregou homens e mulheres a desejos carnais reprováveis.

    Não obstante isso, a televisão exibiu a cidade de Trindade, em Goiás, onde sacerdotes participam de procissões com uma imagem composta de quatro figuras: de Jesus, do Espírito Santo (simbolizado por uma pomba), de Deus (com a aparência de um velho)… e de Maria. Note que a mãe de Jesus está entre eles. Desse jeito, já não teríamos uma Trindade, mas um Quarteto.

    O catolicismo, para se defender da condenação que está nos Dez Mandamentos, diz que imagens católicas são como fotografias de nossos parentes, servindo para nos lembrarmos dos santos homens do passado. Entretanto não nos encurvamos perante fotos de familiares nem oramos a elas ou defronte delas nem confiamos nelas. Mas o Decálogo proíbe fotografias usadas para esse fim. Como pode ser, se elas não haviam sido inventadas? Devemos estar atentos a que no segundo Mandamento (Gn 20.4-6), indevidamente omitido nos catecismos católicos, está escrito: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança (ou figura) alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”. Convém lembrar que não se poderia omitir um jota ou til da Lei de Deus (Mt 5.18) e que as imagens de “santos”, que os católicos possuem, são de indivíduos que, acreditam eles, estariam “em cima nos céus”. Mas podem nem estar lá.

    Imagem não é sinônimo de escultura, tanto que aí está “imagem de escultura”, isto é, imagem em formato de escultura. A proibição abrange semelhança, que, em certas traduções, está figura. Não existiam fotografias, mas as pessoas ou animais podiam ser retratados por pinturas, desenhos, esculturas e, hoje, por fotos.

    O erro não está na imagem ou figura em si, mas no culto que alguns oferecem a elas até sem notar. Nenhum evangélico condena esculturas nem gravuras de Santos Dumont, de D. Pedro II, etc., por ninguém se ajoelhar ante elas. Mas, se alguém o fizer, serão condenadas da mesma forma.

    O segundo Mandamento contém promessa, mas, por outro lado, maldição até aos descendentes de quem o transgride. Se é vedada a fabricação desse tipo de imagens, incabível o argumento de que poderiam ser usadas como retratos. Ao esculpi-las (“Não farás…”) o artífice já é um transgressor da Lei de Deus. E quem as compra se transforma em cúmplice dele. Venerá-las é mais sério do que muitos pensam.

    O catolicismo diz que Deus não condena imagens como as católicas, mas ídolos, no sentido, como vimos, de objetos aos quais o povo atribui vivência. Todavia as encontradas na Igreja Romana são ídolos. Ainda que não o fossem, a reprovação bíblica atinge ídolos (Êx 32; 2 Rs 21.11; Sl 115.3-9; 135.15-18; Is 2.18; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16) e imagens (Êx 20.1-6; Nm 33.52; Dt 27.15; Is 41.29; Ez 8.9-12). Prestemos atenção à clareza deste versículo:

    “Não fareis para vós outros (1) ídolos, nem vos levantareis (2) imagem de escultura nem (3) coluna, nem poreis (4) pedra com figuras na vossa terra, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 26.1).

    A proibição é geral: não foi feita exceção para “santos”. O catolicismo alega que Deus permite imagens porque determinou a Moisés esculpir uma cobra no deserto (Nm 21.8) e a Salomão construir querubins para o propiciatório da Arca da Aliança (1 Rs 6.23). Não ensinam é que a escultura desse réptil foi feita em pedaços pelo rei Ezequias, porque o povo passou a lhe dedicar incenso, como ocorre hoje em templos, inclusive em procissões, nem ensinam que os querubins – uma classe de anjos, com quatro asas, quatro faces: de homem, boi, leão e águia e planta dos pés semelhante à de bezerros – não podiam ser cultuados pelos judeus. A imagem deles, um enfeite permitido como a palmeira o era, foi colocada no Santo dos Santos, onde somente o Sumo Sacerdote podia entrar, uma vez por ano (Hb 9.3-7); não havia como ser vista nem venerada. Eles exprimiam a presença de Deus. Quanto à cobra de bronze, devemos refletir que, tendo sido construída por determinação direta de nosso Pai celeste e este não a tenha mandado destruir, quem a despedaçou teve sua postura considerada reta por ele (2 Rs 18.4). Hoje quantos subterfúgios criam para manter, até em templos, obras elaboradas por vontade humana.Não é porque Deus mandou fazer algo, que nos vemos no direito de imitá-lo. É muito diferente quando ele diz “não farás para ti imagens” e quando determina que sejam feitas por sua exclusiva vontade. Ele sabe o que é melhor para nós. E, como Senhor que é, pode determinar o que quer. Veja: É do desejo dele que o adoremos, mas nem por isso poderemos reivindicar o direito de nos adorar; Ele quer que o amemos sobre todas as coisas, mas não aprova que o façamos em relação a nós mesmos.

    Imagens geram controvérsias até dentro do catolicismo. Em 730 foram incentivadas; Em 731 houve excomunhão de seus destruidores; Em 754 o Sínodo de Hieréia foi favorável à sua destruição ao decidir: “Representar imagens de Cristo, além de impossível é prejudicial, já que estas imagens separariam a humanidade da divindade e seu culto seria fatalmente desencaminhado”; Em 787 foi oficializado seu culto; Em 794 voltaram atrás, dizendo que não deveriam ser veneradas, servindo para lembrança; Em 843 voltou o culto a elas. O Concílio de Trento (Sess. 25), realizado em 1546, deliberou que “as imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e de outros santos devem ser possuídas e guardadas, especialmente nas Igrejas e devem ser alvo de honra e veneração.” Interessante é que as decisões dos concílios e dos papas, consideradas infalíveis – isso é idolatria –, são sempre retificadas.

    Ao dizermos a católicos que imagens não podem ser adoradas, eles, instruídos por seus líderes, retrucam que não as adoram; o que fazem é prestar veneração aos “santos” que elas representam. Esse argumento é uma evasiva ou desconhecimento, uma vez que a decisão do concílio mostra que determinam a veneração a elas sim.

    Falando em veneração, vamos analisar de que se trata. Segundo o catolicismo, o culto se divide em dois: 1) Culto de adoração = latria, que só pode ser outorgado a Deus; b) Culto de veneração, que, por sua vez, é subdividido em dois: dulia, destinado a “santos” e a anjos, e hiperdulia, dedicado a Maria.

    Como se vê, a veneração a “santos”, anjos e até a imagens é um culto. E no 2.° Mandamento está: “Imagens… não as adorarás, nem lhes darás culto” e Jesus, dirigindo-se a Satanás, disse: “Vai-te Satanás… Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mt 4.10). Satanás, nessa passagem, não era nenhuma imagem de escultura, mas um ser, um anjo. Por conseguinte, a Bíblia proíbe, sem sombra de dúvidas, a veneração a “santos”, anjos, a seres de modo em geral e a imagens. Culto deve ser dado a Deus.

    Pesquisando em dicionários, constataremos que culto, adoração e veneração podem ser usados como sinônimos. E vamos mostrar o engano do catolicismo quanto à maneira de interpretá-los.

    O vocábulo latria (latreia), traduzido como adoração – que, com acerto, dizem ser exclusividade de Deus – é, na verdade, a cerimônia do culto exterior, a religião externa, o encurvar-se ou se prostrar; já dulia (douleúo), trasladado para nosso idioma como culto – que ensinam, de maneira equivocada, ser reservado a “santos” e a anjos –, significa servir, ser servil, trabalhar. Qual é mais importante: a cerimônia, o ritual, o ato externo, ou o servir, que é partido do íntimo, dedicação, serviço? É claro que servir (cultuar) está acima de rituais (adoração).

    Para não parecer que estamos inventando, eis o que constatamos, em Êxodo 20.5, na Bíblia Sagrada da Edição Palavra Viva e na Bíblia de Jerusalém, ambas católicas, com respeito a imagens e figuras:

    “Não te prostrarás diante delas” (BPV) nem as “… servirás” (BJ);

    Mas na Bíblia editada pela Barsa esse texto está:

    “Não as adorarás nem lhes darás culto”.

    Compare: 1) Nas duas primeiras está prostrarás, porém na outra está adorarás. Portanto, prostrar (encurvar) é, para eles, adorar; 2) Na Bíblia de Jerusalém consta servirás, mas na editada pela Barsa está culto.

    Confirmemos com outros versículos: Veja cultuar, com o significado de servir: “Não podeis servir (douleuein) a Deus e às riquezas” (Mt 6.24). Agora adorar, mostrando tratar-se de ato externo: “Observai este culto (latreia) e quando vossos filhos vos perguntarem que significa este culto (latreia)…” Conseguimos observar o que é exterior.

    É bom frisar que, no catolicismo, Maria recebe culto de hiperdulia, que não é uma simples honra, mas um hiperserviço, ao passo que a Deus é dada somente adoração.

    Há padres que dizem só ser proibida imagem de Deus, mas vimos que na cidade de Trindade apóiam a de Deus, visto como um falho e limitado ser humano velho, em decadência. E na abóbada da capela Sistina, no Vaticano, local em que os cardeais se reúnem para eleger o papa, existe um afresco de Deus. Eles poderão alegar que não os adoram, mas Deus proibiu representá-lo, ainda que sem fins de adoração. E podemos dizer que o catolicismo, que diz que ídolo é um objeto inanimado ao qual se atribui vida própria, acaba conferindo-a a um objeto feito de trigo: a hóstia consagrada. Tendo conhecimento de que ele prometeu que voltará, em corpo, uma segunda vez (Hb 9.28), adoram-na, chamam-na de Santíssimo, e dizem ser ela Jesus, em carne, osso, espírito e divindade. Eis a idolatria, hostiolatria. Se Cristo voltasse, corporalmente, em todas as missas e ficasse imóvel em ostensórios, as Escrituras estariam erradas, porque ele já teria voltado e, por sinal, bilhões de vezes.

    Diz a Bíblia que “os ídolos são como espantalhos em pepinal, e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar: não tenhais receio deles, pois não podem fazer o mal, e não está neles o fazer o bem” (Jr 10.5). O Salmo 115 (ou 113-B da BJ) diz que eles têm boca, e não falam; têm olhos e não vêem; têm nariz, e não cheiram… Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.” Cremos que não há quem atribua vida a espantalhos.

    Lendo os livros bíblicos, muitas vezes encontramos que cidades ou pessoas praticavam prostituição. Nem sempre a referência é a relações sexuais ilícitas, mas à idolatria. Por quê? Porque Deus se diz o marido da Igreja, que não é um templo de tijolos, concreto e ferro. Igreja somos nós, que passamos a ser templos vivos. Ora, se ele é o marido dela e seus membros praticam idolatria, ou, explicando, servem, admiram, se prostram, fazem orações e promessas a outrem, ele se considera um esposo traído. Quem trai o cônjuge está praticando prostituição.

    Provado está que é ilícito adorar, cultuar ou venerar imagens e pessoas vivas ou mortas, sejam santas ou não. Se alguém alegar que apenas reza ao “santo” que está nos céus, dizemos que esse modo de agir também é adoração. Segundo ensina o catolicismo, adorar vem de adorare, que significa fazer oração. Se orar é adorar, com o que não discordamos, ao se rezar a um “santo” ele estará sendo adorado.

    Quem pratica qualquer dessas condutas mencionadas está, quer queira quer não, quer concorde quer não, praticando idolatria, que é um pecado abominado por Deus. Ele quer que confiemos nele e que dirijamos nossas súplicas a ele, que o adoremos, o cultuemos e o veneremos com exclusividade absoluta. Sua honra e sua glória não podem ser divididas com ninguém (Is 42.8).Na Bíblia está escrito que Deus lança para longe de diante dele, ou de seu povo, aquele que consultar mortos (Dt 18.11). E sabemos que são falecidos todos os “santos” a quem são feitas rezas. Se eles tivessem a possibilidade de ouvir as que lhes são dirigidas em todas as partes do globo terrestre, às vezes até em pensamento e no mesmo instante, teriam de ser oniscientes (ter ciência de tudo) ou onipresentes (estar presentes em todos os lugares), contudo esses são atributos específicos do Todo-poderoso. Ele tem ciúme de nós (Tg 4.5). Em vista disso, recorrer a “santos” é lhes atribuir poderes de Deus, considerando-os deuses. De novo, a idolatria. Santos mortos não sabem o que aqui se passa.

    “… ao Senhor, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos. Porém eles não deram ouvidos a isso; antes, procederam segundo o seu antigo costume. Assim, essas nações temiam o Senhor e serviam as suas próprias imagens de escultura; como fizeram seus pais, assim fazem também seus filhos e os filhos de seus filhos, até ao dia de hoje” (2 Rs 17.39-41).

    É lamentável que todos os distritos e cidades de nosso País, muitas propriedades agrícolas e pontos comerciais ou industriais sejam dedicados a um deus, a um “santo”. Têm devoção a eles, considerando-os padroeiros, o que nos traz graves conseqüências. E, depois, o povo que aprova esse procedimento se queixa.

    “… ó Judá, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses… Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração; porque não os ouvirei quando eles clamarem a mim, por causa do seu mal” (Jr 11.13-14).

    Devemos, por amor ao idólatra, conscientizá-lo de seu erro. Conformarmo-nos com a idolatria, jamais.

    (A Editora Getsêmani, R. Leopoldina Cardoso, 326, Dona Clara, Belo Horizonte, MG, CEP 31260-240, publicou os seguintes livros do autor deste artigo: A Mãe de Jesus; O Sacrifício da Missa; As Imagens; As Tradições; A Pedra Fundamental; O Rosário).

    Roosevelt Silveira
    A Escritura afirma existir só o Deus verdadeiro em oposição a todos os deuses criados pela superstição dos homens.

    O assunto é bastante longo, se quisermos tratá-lo com mais diligência. Eu me darei por satisfeito, no entanto, apresentando-o como um resumo que ajude as mentes piedosas a saberem que é que devem investigar a respeito de Deus, nas Escrituras —, dirigindo-se ao exato objetivo de sua indagação. Não faço referência ao pacto especial por meio do qual Deus distinguiu a raça de Abraão de outras gentes (Gn 17.4). Ora, quando por graciosa adoção recebeu como filhos àqueles que eram seus inimigos, mostrou-se, então, seu Redentor. Nós, no entanto, até aqui nos movemos neste conhecimento que se limita à criação do mundo e nem chega a Cristo, o Mediador. Ainda que mais adiante seja necessário citar algumas passagens do Novo Testamento, visto que dele também se pode provar não só o poder de Deus, como Criador, mas também sua providência na preservação da natureza primária —, quero, contudo, que os leitores, devidamente avisados, não vão além dos limites estabelecidos, quanto ao que me proponho agora a fazer. Em suma, que seja suficiente agora aprender como Deus, o Criador do céu e da terra, governa o mundo que Ele criou. Na verdade, nas Escrituras, celebra-se repetidamente não só a bondade paternal de Deus, mas também a sua vontade inclinada à beneficência, oferecendo-se também, nas Escrituras, exemplos da severidade de Deus, exemplos que mostram ser Ele vingador dos feitos iníquos, especialmente onde sua tolerância nenhum proveito traz aos obstinados.

    A BÍBLIA E A CRIAÇÃO ATESTAM, IGUALMENTE, OS ATRIBUTOS DIVINOS

    Os Profetas, aliás, caracterizam a Deus com esses mesmos epítetos (= nomes), quando querem realçar plenamente o seu santo nome. Para que não sejamos obrigados a fazer uma lista de muitas referências, contentemo-nos, por agora, com o Salmo 145, no qual se enumera, de modo preciso, a sumula de todas as virtudes de Deus e nada parece ficar omitido. No entanto, nada se diz nesse Salmo que não se possa contemplar nas criaturas. Portanto, guiados pela experiência, como nossa mestra, sentimos que Deus é exatamente como a Palavra diz que Ele é.

    No profeta Jeremias onde Deus diz de que modo quer ser conhecido por nós, o Senhor faz uma descrição não tão completa como a do Salmo 145, descrição que, no entanto, acaba sendo praticamente a mesma: “Quem se gloria”, diz que o Senhor, glorie-se nisto: Em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, e faço misericórdia, juízo, e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.24). Certamente, nos é necessário conhecer estas três coisas: A Misericórdia, na qual repousa a salvação de todos nós; o Juízo que, todos os dias, se exerce contra os malfeitores, reservando-se-lhes, ainda mais severamente, a eterna ruína; a Justiça pela qual Deus preserva os fiéis e os assiste benignamente. Conhecendo estas três coisas, a profecia nos assegura que temos matéria suficiente para nos gloriarmos em Deus. Contudo, nem deste modo pode-se deixar de considerar em Deus a verdade, o poder, a santidade e a bondade, pois de que modo se poderia evidenciar o conhecimento que se requer da justiça, da misericórdia e do juízo de Deus, a não ser que esse conhecimento estivesse calcado na sua verdade inflexível? E como poderíamos crer que Deus governa a terra em juízo e justiça, se não reconhecêssemos que Ele tem poder? E de onde tiraria Ele a misericórdia, senão da bondade? Se, finalmente, todos os caminhos de Deus são misericórdia, juízo e justiça, eminente também, nesses caminhos, é a santidade.

    Portanto, o conhecimento que as Escrituras nos apresentam a respeito de Deus, não tem outro objetivo senão aquele que brilha gravado nas criaturas ou, seja, é o conhecimento que, em primeiro lugar, nos convida ao temor de Deus; em seguida nos convida a confiar nEle para, na verdade, aprendermos a cultuá-lo não só com perfeita inocência de vida, mas também com não fingida obediência e, desse modo, aprendamos a depender totalmente de sua bondade.

    DIANTE DA NOÇÃO QUE TEMOS DO DEUS ÚNICO, OS IDÓLATRAS NÃO TÊM DESCULPAS.

    Mas, em decorrência do fato de todos serem arrastados ou impelidos, pela vaidade, a falsas invenções, e assim terem embotado os seus sentimentos, tudo quanto pensaram do Deus único — em bases naturais — nada lhes valeu, senão que se tornassem indesculpáveis. Até mesmo os mais sábios de todos eles põem à mostra a divagação errante da própria mente, quando anseiam pela assistência de um Deus — qualquer que seja ele —, por isso, em suas preces invocam a divindades incertas. Acrescente-se a isso que, pelo fato de imaginarem que a natureza de Deus é múltipla — ainda que o seu sentimento, em relação à divindade, fosse menos absurdo do que o sentir do vulgacho em relação a Júpíter, Mercúrio, Vênus, Minerva e outros deuses —mesmo os mais sábios não escaparam das enganosas sutilezas de Satanás. E como já dissemos em outro lugar (nesta obra), todos e quaisquer artifícios que os filósofos imaginaram com argúcia, não diminuem o seu crime de apostasia, mas tornam evidente que a verdade de Deus foi corrompida por todos eles.

    Por essa razão, o profeta Habacuque, onde condena a todos os ídolos, ordena que se busque a Deus no seu templo (2.20), para que os fiéis não admitissem outro Deus, a não ser aquele que se revelou por sua Palavra.

    É abominação atribuir forma visível a Deus. Os que se apartam do Deus verdadeiro, criam ídolos para si.

    REPRESENTAR A DEUS POR MEIO DE IMAGENS É CORROMPER A SUA GLÓRIA

    Como as criaturas levam em conta o limitado, tacanho e medíocre conhecimento humano, costumam elas expressar-se de modo acessível à mente popular, quando seu objetivo é distinguir o Deus verdadeiro dos deuses falsos. Elas contrastam o Deus verdadeiro com os ídolos e, ao fazerem isso, as Escrituras não estão aprovando o que de mais sutil e elegante os filósofos ensinaram, mas estão, antes, desnudando a loucura do mundo — mais do que isso, a sua completa loucura —, quando, ao buscar a Deus, cada um, a todo tempo, se apega às suas próprias especulações.

    Por essa razão, a definição que, por toda parte, se mostra a respeito da unicidade de Deus, reduz a nada tudo quanto os homens inventaram para si no que diz respeito à Divindade, pois somente o próprio Deus é testemunha idônea de Si Mesmo.

    Por isso, pelo fato de este embrutecimento degradante ter-se apossado do mundo inteiro, de maneira que os homens procurassem representar a Deus de forma visível — forjando deuses de madeira, de pedra, de ouro, de prata ou de outro material qualquer inanimado ou corruptível — temos de nos apegar ao seguinte princípio: Todas as vezes que se atribui a Deus qualquer forma de representação, a Sua glória é corrompida de ímpio engano. Na Lei, depois de atribuir a Si Mesmo a glória da Divindade, quando quer ensinar que tipo de adoração aprova ou rejeita, Deus acrescenta imediatamente: “Não farás para ti imagens esculpidas, nem semelhança qualquer” (Ex 20.4), palavras com as quais nos proíbe o desenfreamento de tentar representá-lo por meio de qualquer figura visível. E mostra, de maneira breve, todas as formas pelas quais, desde há muito tempo, a superstição dos homens começou a transformar a sua verdade em mentira.

    Ora, sabemos que os persas adoravam o Sol e, também, sabemos que outros povos estultos inventaram para si outros tantos deuses quantas são as estrelas que viam nos céus. Para os egípcios não houve nenhum animal que não representasse uma divindade. Já os gregos — devemos reconhecer —, parece, foram mais sábios do que os demais povos, pois adoravam a Deus sob forma humana. Deus, porém, não compara essas imagens entre si, como se uma fosse mais apropriada do que outras; ao contrário, repudia a todas as efígies esculpidas, sem exceção, incluindo pinturas e outras representações por meio das quais os supersticiosos imaginaram que Ele devia estar perto.

    REPRESENTAR A DEUS POR MEIO DE IMAGENS É CONTRARIAR O SEU SER

    Das razões que Deus acrescenta às proibições é fácil concluir o seguinte: Primeiro, em Moisés (Dt 4.15): ‘lembra-te do que o Senhor te falou no vale do Horebe: Ouviste uma voz, não viste corpo; guarda-te, portanto, a ti mesmo, para que não aconteça que, porventura, enganado, faças para ti qualquer representação’ etc. Aí vemos como Deus opõe sua voz abertamente a todas as representações, a fim de sabermos que os que buscam representá-lo deforma visível, se afastam dEle.

    Entre os Profetas, será suficiente citar só Isaías, que é o mais enfático ao demonstrar isto, pois ele ensina que a majestade de Deus é manchada de vil e absurda invenção, quando o incorpóreo é feito semelhante à matéria corpórea, quando o invisível é representado de forma visível ou quando o espírito é feito semelhante à coisa inanimada ou, ainda, quando o imenso é reduzido a um pedaço de madeira, de pedra ou de ouro (Is 40.18; 41.7,29; 45.9 e 46.5). Paulo também raciocina de modo idêntico: “Visto que somos geração de Deus, não devemos pensar que o Divino é semelhante ao ouro, e à prata trabalhada pela arte ou invenção do homem” (At 17.29). Disto fica claro que qualquer estátua que se erige ou imagem que se pinta, para representar a Deus, simplesmente o ofende como também afronta à sua majestade.

    E não devemos admirar-nos do fato de o Espírito Santo, do céu, proclamar estes oráculos, pois Ele compele até mesmo os cegos e idólatras da terra a fazerem essa confissão. A queixa de Sêneca, que se lê em Agostinho, é muita conhecida. Diz ele: “Dedicam os deuses sagrados, imortais e invioláveis em matéria mui vil e desprezível, revestindo-os com a aparência de homem e de feras; algumas até os representam como hermafroditas (= sexos misturados) e corpos diversos, e os chamam de divindades, são figuras que, se recebessem vida, seriam tidas por monstros, quando as víssemos!

    Disto se evidencia novamente, mui às claras, que se apóiam em inútil sofisma os que defendem as imagens, dizendo que elas foram proibidas aos judeus, porque eles eram inclinados à superstição. Como se pertencesse a um só povo aquilo que Deus, na verdade, revela de sua eterna essência e da contínua ordem da natureza! E Paulo, quando impugnou o erro em representar a Deus, por meio de imagem, não estava falando aos judeus, mas aos atenienses. AS MANIFESTAÇÕES E SINAIS QUE MOSTRAM A PRESENÇA DE DEUS, NÃO SERVEM DE BASE PARA AS IMAGENS.

    O fato de, vez por outra, Deus ter mostrado a presença de sua majestade divina por meio de sinais definidos, nos Leva à conclusão de que se poderia dizer que Ele foi visto face a face. Porém, todos os sinais com que Deus se manifestou aos homens, ajustavam-se mui adequadamente ao seu método de ensinar, ao mesmo tempo em que serviam de advertência aos homens, para dizer-lhes, explicitamente, que a sua essência é incompreensível:

    Ora, a nuvem, a fumaça e a chama — se bem que fossem símbolos da glória celeste (Dt 4.11), como um freio interposto, impediam que as mentes de todos tentassem penetrar mais fundo (no conhecimento de Deus). Por isso, nem mesmo a Moisés — a quem Deus, contudo, se manifestou mais intimamente do que aos outros —, conseguiu, com suas súplicas, contemplar a face de Deus, mas recebeu, como resposta, que o homem não é apto para receber o impacto de tão grande esplendor (Ex 33.20).

    O Espírito Santo apareceu em forma de pomba (Mt 3.16; Mc 1.10 e Lc 3.22), mas, pelo fato de ter-se desvanecido rapidamente, quem não percebe que, pelo símbolo de apenas um momento, os fiéis foram advertidos de que se deve crer no Espírito como um ser invisível, de modo que, contentes com o seu poder e graça, não evocassem para si nenhuma representação externa?

    O ter Deus aparecido, de quando em quando, em forma de homem foi, na verdade, antecipação da futura manifestação em Cristo. Por isso, foi proibido aos judeus, de forma absoluta, abusarem deste pretexto, fazendo para si representação da Divindade sob figura humana.

    O próprio propiciatório, onde, sob a Lei, Deus manifestou a presença do seu poder, foi de tal modo construído, que indicava ser a seguinte a mais excelente visão da Divindade: Ela ocorre quando as mentes são alcançadas acima de si mesmas, em admiração, uma vez que os Querubins, de asas estendidas, ocultavam a Deus, o véu o cobria e o próprio lugar, tão escondido, de si mesmo o ocultava (Ex 25.17,18,21). Portanto, salta aos olhos que os que tentam defender uma imagem de Deus ou de santos, citando o exemplo desses Querubins, estão enlouquecidos. Suplico, pois: Quê significavam essas “imagenzinhas” senão que não existem formas apropriadas pelas quais se possam representar os mistérios de Deus? Elas foram feitas para, velando com as asas o propiciatório, impedir não só que os olhos humanos vissem a Deus, mas também com quaisquer de todos os outros sentidos e, dessa forma, pusessem um paradeiro à temeridade dos homens.

    Além disso, os Profetas, quando falam dos Serafins que lhes apareceram em visão, mostram-nos com a face velada e, com isso, dão-nos a entender que o fulgor da glória divina é tão grande, que os próprios anjos são impedidos de ser vistos em direta contemplação, e as chispas de glória que refulgem neles são subtraídas aos nossos olhos.

    Todos os que julgam com acerto, reconhecem, contudo, que os Querubins — de que estamos agora tratando —, pertencem à antiga tutela da Lei. Portanto, é absurdo citá-los como exemplo que sirva à nossa época, uma vez que já passou a fase infantil à qual esses rudimentos haviam sido destinados (G1 4.3).

    Certamente, é vergonhoso ter de reconhecer que os escritores profanos são intérpretes mais capazes da Lei que os papistas. Juvenal, por exemplo, zombando, censura os judeus que adoravam as puras nuvens e o nume do céu. Certamente, Juvenal fala de modo pervertido e ímpio. No entanto, quando nega existir qualquer efígie divina, fala de modo mais verdadeiro que os papistas, que dizem haver, entre os judeus, alguma representação visível de Deus.

    Que os judeus, com entusiástica prontidão se tenham atirado repetidas vezes — a buscar ídolos para si, com a mesma força de abundante manancial de águas borbulhantes —, aprendemos do fato de ser grande a propensão da nossa mente para com a idolatria. Por isso, atirando contra os judeus a pecha de erro que é comum a todos os homens, não durmamos o sono mortal, iludido pelas vãs seduções do pecado.

    A BÍBLIA CONDENA IMAGENS E REPRESENTAÇÕES DE DEUS

    Ao mesmo fim se destina a seguinte afirmação: “Os ídolos dos povos são prata e ouro, são obras das mãos dos homens” (Sl. 115.4; 135.15), pois o profeta conclui que não são deuses não só por causa da sua materialidade — cuja imagem é de ouro e prata —, mas deixa claro ainda que é inútil produto dia imaginação tudo quanto concebemos a respeito de Deus, pelo nosso próprio sentir. Refere-se ao ouro e à prata, antes que ao barro ou à pedra, para que nem o esplendor, nem o valor nos levem a reverenciar os ídolos. Finalmente, conclui, dizendo que nada existe que tenha menos aparência de verdade do que serem os deuses feitos de qualquer espécie de matéria morta!

    Ao mesmo tempo, o Profeta insiste neste ponto: Que os mortais são levados por grande e louca temeridade quando, de maneira precária, conseguindo alento fugaz de instante a instante, têm a ousadia de conferir aos ídolos a dignidade de Deus. O homem se vê obrigado a confessar que é uma criatura efêmera e, não obstante, quer que seja tido por Deus um metal que ele mesmo transformou em deidade! Pois, como nasceram os ídolos senão da desvairada imaginação dos homens?

    Justíssima é a zombaria de Horácio, poeta profano, que disse:

    ‘Eu era outrora um tronco de figueira, um inútil pedaço de lenho. Quando um artesão, incerto se deveria fazer um banco, preferiu fazer de mim um deus”.

    Deste modo, um homenzinho terreno, cuja vida se extingue quase a cada instante — graças à sua arte — transfere o nome e a dignidade de Deus a um tronco sem vida!

    Porém, uma vez que esse epicureu brincalhão, a fazer gracejo, não deu importância a religião alguma, deixando de lado as suas brincadeiras e as de outros, mais do que isso, transpasse-nos a censura do Profeta (Is. 44.15-17), quando afirma que são excessivamente insensatos os que, de um mesmo tronco de árvore, se aquecem, acendem o forno para assar pão, assam ou cozinham a carne, e do resto fazem um deus, diante do qual se prostram suplicantes a orar. Do mesmo modo, em outro lugar (Is. 40.21), não só os acusa como réus perante a Lei, mas também os censura pelo fato de não terem aprendido, dos fundamentos da terra, que, na verdade, nada é mais absurdo do que desejar reduzir Deus — que é imensurável —, à medida de cinco pés! Esta monstruosidade, que provoca repugnância à ordem da natureza, revela­se como natural nos costumes do homem.

    Devemos ter em mente que, com freqüência, as superstições são referidas como obras das mãos dos homens, e carecem de autoridade divina (Is 2.8; 31.7; 37.19; Os 14.3; Mq 5.13), para que se estabeleça o seguinte: Que todas as formas de culto que os homens inventam por si mesmos, são abomináveis (diante de Deus). A BÍBLIA NÃO DÁ OCASIÃO A NENHUM TIPO DE REPRESENTAÇÃO DE DEUS.

    Sei, certamente, que é mais do que vulgarmente popularizado o refrão que diz: As imagens são os Livros dos analfabetos, e isto foi dito por Gregório, o Grande. Contudo, o Espírito de Deus fala de maneira muito diferente, e se Gregório tivesse estudado bem esta matéria jamais teria dito o que disse.

    Portanto, quando Jeremias (10.3) declara que o lenho é o preceito do orgulho, e Habacuque (2.18), ensina que a imagem fundida é a mestra da mentira, certamente devemos deduzir, dessas expressões, a seguinte doutrina:

    Que é tolo e, mais ainda, mentiroso tudo quanto os homens aprendem a respeito de Deus por meio das imagens.

    Se alguém objetar dizendo que os Profetas repreendiam os que abusavam das imagens para ímpias superstições, sou obrigado a admiti-lo, sem dúvida. Contudo, acrescento: O que é notório a todos é que os Profetas condenam o que os papistas sustentam como seguro axioma ou, seja, para os papistas as imagens fazem às vezes de livros, Os Profetas, porém, opõem o Deus verdadeiro às imagens, como coisas contrárias e que jamais podem conciliar-se.

    Nas poucas porções (bíblicas) que acabei de citar, impõe-se a seguinte conclusão: Uma vez que o Deus verdadeiro, que os judeus adoravam, é um e único, de maneira pervertida e enganosa se inventam figuras visíveis que representam a Deus e, por isso, acabam miseravelmente iludidos todos os que buscam conhecer a Deus por meio de imagens.

    Se não fosse mentiroso e espúrio todo, e qualquer conhecimento de Deus que se busca nas imagens, os Profetas não o teriam condenado de modo tão generalizado. Por isso, sustento o seguinte: Quando ensinamos que é vaidade e engano os homens tentarem representar Deus por meio de imagens, não fazemos outra coisa senão referir, palavra por palavra, o que os Profetas disseram.

    OPINIÃO DE CERTOS REPRESENTANTES DA PATRÍSTICA CONTRA AS IMAGENS

    Além disso, deve-se ler o que Lactâncio e Eusébio escreveram a respeito deste assunto, pois eles não têm a menor dúvida de que as imagens que se vêem, são todas de seres mortais. Do mesmo modo se expressou Agostinho que, taxativamente, declara como ato abominável não só o adorar imagens, mas também levantá-las a Deus. E ele não está dizendo outra coisa senão repetindo o que, muito antes, foi decretado no Concílio de Elvira, cujo cânon trinta e seis diz o seguinte: “Resolveu-se que não se tenha nos templos representações pictóricas, de modo que não se pinte nas paredes o que se cultua ou se adora”.

    Deve-se lembrar especialmente o que o mesmo Agostinho cita de Varrão e confirma com a sua autoridade. Diz ele: “Os primeiros que introduziram imagens dos deuses, de um lado, removeram o temor e, de outro, acrescentaram o erro”. Se isto tivesse sido dito só por Varrão, talvez tivesse pouca importância. Porém, ainda assim, devíamos sentir-nos envergonhados pelo fato de um pagão, como que tateando no escuro, ter alcançado esta luz, isto é, ter chegado à conc1usão de que as imagens corpóreas são indignas da majestade de Deus, porque diminuem o temor dos homens e aumentam os seus erros. Os próprios fatos atestam, de maneira incontestável, que o dito de Varrão é sábio e verdadeiro. Por isso Agostinho, tomando-o de empréstimo, repete-o como seu. E, no começo, Agostinho insiste em dizer que os primeiros erros a respeito de Deus — erros em que os homens se enredaram —‘ não começaram com as imagens, porém, que uma vez introduzidas (na prática), aviltaram-se ainda mais. Em conseqüência, por esse motivo, a temor de Deus não só diminuiu, mas, até mesmo, se extinguiu, visto que na estupidez das imagens e na sua infeliz e absurda invenção, pode-se facilmente desprezar a majestade divina. Oxalá não comprovássemos, pela experiência, quão verdadeira é esta última afirmação!

    AS IMAGENS DO ROMANISMO SÃO INACEITÁVEIS

    Por essa razão, se os papistas tiverem um pouco de pudor, não digam mais, de agora em diante, que as imagens são os Livros dos analfabetos, porque esta afirmação está escancaradamente refutada por numerosos testemunhos da Escritura. Na verdade, mesmo que eu lhes concedesse isto, nem ainda assim, certamente, tirariam muito proveito em defender seus ídolos, pois é notória a espécie de monstruosidade que eles obrigam o povo a aceitar em Lugar de Deus!De fato, que são as pinturas ou estátuas que dedicam aos santos, senão corruptíveis exemplares de luxuriai e obscenidade, a ponto de merecer castigo alguém que quisesse imita-los? De fato, os lupanares mostram as meretrizes vestidas com mais decoro e pudor, do que os templos mostram aquelas santas que querem sejam aceitas por virgens! As vestes que inventam para os mártires, em nada são mais decentes. Portanto, vistam seus ídolos pelo menos de modesta decência para, com um pouco mais de decoro, poderem sofismar dizendo que as imagens são “livros” de alguma santidade!

    Porém, diremos também que esta não é a maneira de ensinar o povo fiel nos lugares sagrados, povo que Deus quer que seja instruído com outro tipo de doutrina. Deus ordenou que aí, nos templos, se proponha uma doutrina comum a todos, na proclamação de sua Palavra e nos sagrados mistérios, Os que são levados pelos olhos à contemplação de ídolos, em derredor — revelam que seu espírito está voltado bem pouco diligentemente para esta doutrina!

    A quem, no entanto, os papistas chamam de ignorantes e cuja obtusidade não lhes permite ser ensinados sendo só pelas imagens? Na verdade, chamam de ignorantes àqueles a quem o Senhor reconhece como seus discípulos, aos quais considera dignos da revelação de sua celeste sabedoria e que deseja sejam instruídos nos mistérios salvíficos do seu Reino. Certamente, admito que, na atual situação, não poucos são os que não podem dispensar as imagens como “livros”. Contudo, pergunto: De onde vem tal obtusidade senão do fato de serem eles roubados desta doutrina que, sozinha, é apta para instruí-los? E não foi por outra razão que os que presidiam às igrejas deixaram com os ídolos a função de ensinar, senão pelo fato de os próprios ídolos serem mudos! Paulo afirma que, mediante a pregação do Evangelho, Cristo é apresentado ao vivo e, de certo modo, é crucificado aos nossos olhos (Gl. 3.1).

    Qual seria o objetivo de, nos templos, erguerem-se, por toda parte, tantas cruzes de madeira, de pedra, de prata e de ouro, se fosse ensinado honesta e fielmente que Cristo morreu na cruz para tomar sobre si a nossa maldição (Gl.3.13), sacrificando o próprio corpo para expiar nossos pecados (Hb 10.10) e lavá-los com o seu sangue (Ap 1.5), enfim, para reconciliar-nos com Deus, o Pai? (Rm 5.10). Só desse fato poderiam aprender mais do que mil cruzes de madeira ou de pedras (poderiam ensinar), visto que os avarentos, talvez, fixam os olhos e a mente nas cruzes de ouro ou de prata, mais do que em quaisquer palavras de Deus!DO DESEJO QUE OS HOMENS TÊM DE VER A DEUS, DE MODO TANGÍVEL, VEM A FEITURA DE IMAGENS No que se refere à origem dos ídolos, o consenso público recebe virtualmente o que está contido no livro de Sabedoria (14.15), ou, seja, que os primeiros autores dos ídolos são os que conferiram esta honra aos mortos, com o propósito de cultivarem, de maneira supersticiosa, a memória deles. E, sem reserva, admito que esse mui antigo costume tenha sido pervertido e não nego ter sido ele uma tocha peta qual se acendeu a inflamada paixão dos homens para com a idolatria. Contudo, não concordo com a idéia de que tenha sido a primeira fonte desse mal.

    Ora, que os ídolos já estivessem em uso, quando veio a prevalecer este anseio desmedido de consagrar imagens dos mortos — prática da qual se faz menção constante nos escritores profanos —, evidencia-se do que diz Moisés. Quando ele conta que Raquel havia furtado os ídolos de seu pai (Gn 31.19), não fala de outra coisa senão de um vício generalizado. E lícito, pois, concluir deste fato que a imaginação do homem é uma perpétua fábrica de ídolos.

    Depois do dilúvio, houve como que um renascimento do mundo. Entretanto, não se passaram muitos anos para que os homens, para seu prazer, inventassem deuses para si. E de crer-se que, estando ainda vivo o santo patriarca, os seus descendentes se tenham entregado à prática da idolatria, de maneira que ele, com os próprios olhos, visse a terra ser poluída pelos ídolos, corrupção esta que Deus, fazia pouco tempo, havia punido com juízo tão horrível! Ora, já antes de Abraão nascer, Terá e Naor adoravam a deuses falsos, como o atesta Josué (24.2). Se a descendência de Sem se degenerou tão cedo, quê haveremos de dizer dos descendentes de Cão, que haviam sido amaldiçoados, bem antes, na pessoa do próprio pai?

    É assim que acontece, na verdade. Como a mente do homem está abarrotada de orgulho e de temeridade, ele ousa imaginar a Deus segundo o seu modo de ser. Como a mente do homem é embotada, mais do que isso, como ele é levado de cambulhada pela mais crassa ignorância, imagina ele, para o lugar de Deus, a irrealidade e a aparência vazia.

    A estes males, acrescenta-se nova iniqüidade: A de que o homem tenta exibir a Deus na obra que faz, pois concebe a Deus do modo como o sente. Daí, sua mente gera o ídolo e suas mãos o dão à luz. Portanto, a origem do ídolo é a seguinte: Os homens não crêem que Deus esteja com eles, se não virem a Deus de forma concreta. Revela isto o exemplo dos israelitas: “Não sabemos”, dizem eles, “o que aconteceu a esse Moisés. Faze, para nós, deuses que vão adiante de nós” (Ex 32.1). Na verdade, eles sabiam que era Deus aquele cujo poder tinham experimentado em tantos milagres; não confiavam, porém, que Deus estivesse perto deles, a menos que, com seus olhos, pudessem ver uma representação corpórea de Deus, uma representação que atuasse como testemunho de um Deus que os dirigia. Na verdade, os israelitas queriam reconhecer que Deus, através de uma imagem, ia adiante deles, guiando-os pelo caminho.

    A experiência de todos os dias nos ensina que a carne está sempre inquieta, até conseguir uma representação fantasiosa semelhante a si mesma, representação com a qual se console de maneira vã, como se estivesse diante de uma imagem real de Deus. Para obedecerem a esta cega obsessão — em quase todos os séculos desde que o mundo foi criado —, os homens ergueram representações visíveis, por meio das quais acreditavam ver a Deus com os olhos carnais.

    O USO DE IMAGENS CONDUZ À IDOLATRIA

    Uma vez feitas as imagens que representam Deus, segue-se de pronto a sua adoração, porque nelas os homens pensam contemplar a Deus e nelas também o adoram. Como resultado disto, fixando nelas tanto os olhos quanto o espírito, os homens começaram a embrutecer-se cada vez mais, deslumbrando-se com elas e nutrindo por elas admiração, como se nelas houvesse qualquer coisa de divindade!Por isso, quando os homens, na forma de imagens, fazem uma representação tanto de Deus quanto da criatura e prostra-se diante dela para venerá-la, é porque já foi fascinado por certa superstição. Foi por esta razão que o Senhor proibiu não somente levantar-se estátuas modeladas para representá-lo, mas proibiu consagrarem-se gravuras de qualquer espécie, para serem usadas como objetos de adoração ou culto. Pela mesma razão, também, no preceito da Lei, junta-se outra parte a respeito da adoração dessas representações, pois tão logo foi inventada essa forma visível de Deus, o passo seguinte foi o de atribuir-lhe poder. Os seres humanos são néscios a tal ponto, que identificam Deus com tudo o que o representa e, por isso, não pode acontecer outra coisa senão adorarem a essa representação de Deus! E supérfluo discutir se simplesmente se adora o ídolo ou se se adora a Deus no ídolo, pois, seja qual for o pretexto, quando se proporcionam honras divinas a um ídolo, é sempre idolatria. E pelo fato de Deus não querer ser cultuado de maneira supersticiosa, recusa-se a Ele aquilo que se oferece aos ídolos.
    Atentem para isto os que andam em busca de míseros pretextos para defender essa idolatria abominável, na qual a religião, por muitos séculos, tem estado afundada e subvertida. Embora digam que as imagens não são consideradas como seres divinos, Os próprios judeus não eram tão absurdamente obtusos, que não se lembrassem de que era Deus aquele por cuja mão tinham sido tirados do Egito (Lv 26,13), e isso antes de fazerem o bezerro de ouro (Ex 32.4). Ao contrário, afoitamente o povo concordou em proclamar, com Abraão, que aqueles que eram os deuses por meio dos quais tinham sido libertados da terra do Egito (Ex 32.4,8), querendo dizer, com não duvidoso sentido, que o Deus libertador lhes fosse conservado, contanto que pudessem contemplá-lo andando na frente, em forma de bezerro!

    E não devemos crer que eram tão boçais, que não entendessem que Deus não era outra coisa senão lenhos e pedras, pois embora mudassem as imagens à vontade, tinham em mente sempre os mesmos deuses, e muitas eram as imagens de um único Deus. Porém, eles não imaginavam existirem para si tantos deuses quantas eram a multidão dessas imagens. Além disso, dia após dia, consagravam novas imagens e, contudo, nem pensavam estar assim constituindo novos deuses.

    Leiam-se as justificações que Agostinho refere, justificações que os idólatras do seu tempo usavam como pretexto. As pessoas comuns, quando eram acusadas de praticar a idolatria, respondiam que não adoravam as imagens, mas ao contrário, adoravam a divindade que, invisível, habitava nelas. Aqueles que, segundo o próprio Agostinho, praticavam uma religião mais refinada, diziam que não adoravam nem a imagem, nem a divindade que ela representava, porém, na representação material viam um sinal da divindade que deviam cultuar. Que diremos? Todos os idólatras, tanto entre os judeus como entre os gentios foram motivados a praticar a idolatria da forma já referida ou, seja, não estando contentes com uma compreensão espiritual de Deus, julgavam que, por meio das imagens, adquiririam compreensão mais segura e mais íntima da divindade. Uma vez que se agradaram desta grosseira representação que imitava a Deus, não houve mais fim (desta loucura) até que, finalmente — iludidos sucessivamente por novas invenções fantasiosas —, começaram a pensar que Deus mostra o seu poder nas imagens. Mais do que isso, não somente os judeus foram convencidos de que, sob essas imagens, adoravam ao Deus eterno, o único e verdadeiro Senhor do céu e da terra, mas também os gentios que, do mesmo modo, adoravam aos seus deuses, ainda que fossem deuses falsos que, no entanto, imaginavam habitarem no céu.

    O ABUSO NO CULTO ÀS IMAGENS

    Tortos os que negam que esta prática idólatra existiu no passado, e que existe ainda em nossos dias, mentem deslavadamente. Então, por que se ajoelham diante das imagens? Por que, quando se preparam para a prece, se voltam para elas como se falassem aos ouvidos de Deus? Com verdade fala Agostinho, quando diz: Ninguém ora ou adora com olhos postos numa imagem, sem ser afetado aponto de não pensar que ela o ouve ou que ela lhe dará aquilo que deseja. Por que há tão grande diferença entre as imagens de um mesmo Deus, de forma que, sendo desprezada uma ou sendo honrada de maneira vulgar, cerquem outra de honrarias solenes? Por que se cansam fazendo peregrinações para cumprir votos, indo visitar imagens, se têm imagens semelhantes em seu próprio lar? Por que hoje se batem a favor delas, de maneira acirrada, a ponto de provocarem carnificina e massacre, como se debatessem por seus altares e lareiras, dando a entender que toleram mais facilmente que lhes tirem o Deus único, que seus ídolos?E ainda não estou mencionando os erros grosseiros do vulgacho, que são quase infinitos e dominam o coração de todos. Mencionei apenas os erros que eles mesmos confessam quando querem, especialmente, safar-se da pecha de idolatria. Eles dizem: “Não chamamos às imagens de nossos deuses”. Nem os judeus nem os gentios as chamavam deuses outrora. E, no entanto, os Profetas não paravam de repreender as fornicações dos judeus com a madeira e a pedra (Jr 2.27; Ez 6.4-6; Is 19.20; Hc .18-19; Dt 32.27), fornicações que são práticas diárias daqueles que querem ser tidos por cristãos, isto é, que adoram a Deus de forma carnal na madeira e na pedra!

    O SOFISMA DO CULTO DE LATRIA E DE DULIA

    Não ignoro, nem se pode disfarçar, que eles fogem do problema, criando uma distinção enganadora, distinção de que faremos menção, novamente, de forma mais completa, mais adiante. Dizem eles que o culto que prestam às imagens é eidoloduleian (= serviço à imagem) e não eidolatria (= adoração de imagem). Falam assim, quando ensinam que, sem ofensa a Deus, pode-se atribuir — às representações de escultura e pictórica — o culto a que dão o nome de dulia. Portanto, julgam-se sem culpa se são apenas servos da imagem, e não adoradores também. Como se o servir não fosse mais importante que o adorar!

    No entanto, enquanto encontram refúgio num termo grego, se contradizem a si mesmos de modo infantil. Para os gregos, o termo latreuein nada mais significa do que adorar, por isso, o que dizem eles equivale, exatamente, a confessarem que cultuam suas imagens, mas sem lhes prestar culto!!! E não é preciso que eles façam objeção, dizendo que lhes preparo armadilhas com palavras porque eles mesmos, tentando espalhar trevas diante dos olhos dos simples, revelam a própria ignorância! Por isso, por mais

  5. Joab dias
    4 de Janeiro de 2012 às 19:52 Responder & darr;

    eloqüentes que sejam, eles jamais conseguirão provar-nos que uma e a mesma coisa são duas!

    Insisto para que mostrem, de forma objetiva, a diferença (que há entre as duas referidas palavras), para que vejamos que eles são diferentes dos idólatras antigos. Ora, assim como um adúltero ou homicida não pode fugir à acusação de crime, dando nomes diferentes ao crime que cometeu, do mesmo modo é absurdo absolver estes do crime de idolatria, mediante a sutil invenção de um termo, visto que, na prática, eles em nada são diferentes dos idólatras que eles mesmos são obrigados a condenar! Na verdade, eles estão longe de separar a sua prática da prática desses idólatras. Sim, a sua causa está tão longe de ser diferente da causa desses idólatras, que a fonte de todo o mal se baseia no desordenado desejo que eles têm de imitá-los, quando na sua imaginação não apenas concebem para si, mas com suas mãos confeccionam os símbolos por meio dos quais representam a Deus.

    FUNÇÃO E LIMITAÇÃO LITÚRGICA DA ARTE

    Dizemos não ser permitido representar-se a Deus, de forma visível, porque Ele mesmo o proibiu (Ex 20.4; Dt 5.8) e, portanto, não se pode fazer isso, sem degradar a sua glória. E para não pensarem que só nós sustentamos esta posição, os que são versados nos escritos de autores sóbrios verificarão que eles sempre reprovaram esta prática nos seus escritos. Porque, se não é permitido representar a Deus por meio de uma efígie, muito menos é permitido cultuar a efígie ou cultuar a Deus nela.

    Portanto, sobra-nos a liberdade de esculpirmos ou pintarmos só aquilo que está diante dos nossos olhos, de forma que a majestade de Deus, que está muito acima da percepção dos nossos olhos, não se corrompa por meio de fantasiosas representações. Nesta classe de coisas que se podem representar pela arte estão incluídas, em parte, histórias e fatos acontecidos, em parte, imagens e formas corpóreas que não estejam ligadas a eventos consumados.

    As histórias e os fatos têm aplicação no ensinar e no advertir; as imagens e as formas corpóreas, por sua vez, creio que a sua utilidade não vai além do deleite (que nos podem trazer). E, apesar disso, salta aos olhos que quase todas as imagens — exibidas até o presente nos templos —, são deste tipo. Deste fato pode-se concluir que elas foram colocadas nos templos não em função de julgamento ponderado ou de sábia decisão, mas em função de insensata e precipitada paixão!

    Deixo de focalizar aqui o quão sem propósito e indecente têm sido essas representações, e quão licenciosamente os pintores e estatuários têm se mostrado sensuais (no trabalho que fazem), como já referi pouco antes. Estou frisando apenas que mesmo que nada de impróprio exista nessas obras, todavia elas revelam que nenhum valor têm para ensinar.

    COMO COMEÇOU O USO DE IMAGENS NA HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA

    Porém, pondo de lado esta distinção também, vejamos de passagem se é conveniente ter, nos templos cristãos, quaisquer imagens, quer sejam as imagens que expressam histórias ou fatos passados, quer sejam as imagens que representam corpos humanos.

    Lembremo-nos, primeiramente — se a autoridade da Igreja Primitiva tem alguma importância para nós —, que, por um período de quase quinhentos anos, durante os quais mais florescia a religião e a doutrina pura era mais viçosa, os templos cristãos eram geralmente vazios de imagens. Quando a pureza do ministério não se tinha ainda degenerado, as imagens foram introduzidas, em primeiro lugar, como ornamentos dos santuários. Não discutirei qual foi à razão que tiveram os primeiros autores desta prática. Se, porém, compararmos era com era, veremos que eles haviam perdido muito da integridade daqueles que (no passado) se recusaram a usar imagens.

    Quê? Devemos pensar que os santos pais (mais antigos) haviam deixado a Igreja ficar, por tanto tempo, vazia desta prática, que eles julgavam útil e salutar? Na verdade, porém, esses pais (mais antigos) repudiavam essa prática mais por decisão e reflexão, que por ignorância ou negligência porque viam que, nessa prática, não havia nada, nem um mínimo de utilidade, porém, representava muito perigo. Agostinho também atesta isso com palavras claras, quando diz: “Quando, nestes pedestais se colocam, essas imagens em exaltada elevação, para que, por causa da própria semelhança que elas têm com membros e sentidos animados — se bem que lhes falte sensibilidade e alento —, chamem a atenção dos que oram e dos que oferecem sacrifícios, elas afetam as mentes fracas, de modo que pareçam ter vida e respirar”. Em outro lugar acrescenta: “Pois essa representação de membros faz o seguinte e até obriga: A mente que vive em um corpo, julgue ser animado um corpo que vê muito semelhante ao seu”. E mais adiante: “As imagens valem mais para desviar a alma infeliz, que para assisti-la, visto que possuem boca, olhos, ouvidos, pés, mas não falam, não vêem, não ouvem e não andam”.

    Esta parece ser a razão pela qual João quis que nos guardássemos não somente do culto aos ídolos, mas, também dos próprios ídolos (1 Jo 5.21). Em vista da horrível insânia que até agora tem dominado o mundo — extinguindo quase toda a piedade —, temos experimentado, mais desmedidamente, que, tão logo as imagens são colocadas nos templos, levanta-se o pendão da idolatria, porque não se pode moderar a loucura dos homens que, prontamente, os leva à prática de cultos supersticiosos.

    Ora, mesmo que o perigo não fosse tão iminente, entretanto, começo a refletir sobre o uso a que os templos foram destinados e, de uma ou outra forma, me parece indigno de sua santidade os templos acolherem outras imagens, ao invés de acolher aquelas vivas e representativas, que o Senhor consagrou em sua Palavra. Refiro-me ao Batismo e à Santa Ceia, juntos com outras cerimônias nas quais o importante não é serem vistas com os olhos, mas que nos afetem mais vividamente, de modo que não exijam outras imagens forjadas pelo engenho dos homens. O incomparável bem das imagens consiste no fato de se dermos crédito aos papistas, eles não terem compensação nenhuma que possa ressarci-los da perda!

    ARGUMENTOS FALSOS QUE SERVEM DE BASE A UMA DECISÃO DE NICÉIA DE 787

    Penso que teria falado mais do que o suficiente a respeito deste assunto se, de certo modo, o Concílio de Nicéia não tivesse lançado mão sobre mim. Não me refiro ao famosíssimo Concílio reunido por Constantino, o grande, mas ao que foi realizado por ordem e sob os auspícios da Imperatriz Irene. Ora, este Concílio decretou não somente que se devem ter imagens nos templos, mas também que estas devem ser veneradas (adoradas). O que quer que eu tenha dito, pois (sobre este assunto), a autoridade deste Concílio gerará grande preconceito em contrário. No entanto, para falar a verdade, esse fato não me preocupa tanto, quanto a evidência que os feitores terão do quanto se extraviou a sanha dos que foram mais ansiosos para com as imagens, do que convinha a cristãos!

    Porém, antes de mais nada, livremo-nos primeiramente dos que hoje defendem o uso das imagens, alegando o apoio desse Concílio Niceno. Há um livro sob o nome de Carlos Magno, de caráter refutatório que, a julgar pelo estilo, parece ter sido escrito na mesma época (do Concílio). Neste livro faz- se referência às opiniões dos bispos que estiveram

    João, o legado do Oriente, disse: “Deus criou o homem à sua imagem” e, por isso, devemos concluir que é preciso ter imagens. Ele mesmo, na seguinte afirmação, opinou que as imagens nos são recomendadas: “Mostra-me a tua face, pois que ela é formosa” (Ct 2.14). Outro, para provar que se devem colocar imagens nos altares, citou o seguinte testemunho: “Ninguém acende uma candeia e a põe debaixo do módio” (Mt 5.15). Um outro, com o objetivo de demonstrar que a contemplação das imagens nos é útil, citou um versículo do Salmo: “Estampada foi sobre nós a luz da tua face, ó Senhor” (Sl 4.6). Um outro recorreu à seguinte analogia: Como os Patriarcas fizeram uso dos sacrifícios dos gentios, do mesmo modo as imagens dos santos devem ocupar, para os cristãos, o lugar dos ídolos dos povos”. Para esse mesmo propósito, torcem a seguinte oração: “Senhor, amei a formosura da tua casa (Sl 26.8). Porém, especialmente engenhosa é a seguinte interpretação: “Como temos ouvido, assim também temos visto”. Portanto, para eles, Deus é conhecido não pelo ouvir da Palavra, mas também pela contemplação das imagens! Semelhante é agudeza do bispo Teodoro: “Maravilhoso”, diz ele, “é Deus nos seus santos” (Sl 68.35) e, daí, diz-se em outro lugar: “Quanto aos santos que estão na terra” (Sl 16.3). Portanto, concluem eles, isto deve referir-se às imagens!

    Afinal de contas, são tão disparatadas as suas parvoíces que até me envergonho de referí-las!

    A ABSURDA DEFESA DOS QUE DEFENDEM A ADORAÇÃO DOS ÍDOLOS

    Quando discutem a respeito da adoração de imagens, citam, como adoração a faraó (Gn.47.10), a benção que Jacó deu a este monarca; citam também a vara de José (Gn. 47.31 e Hb.11:21), e a coluna que Jacó levantou (Gn. 28.18). Na verdade, quando referem esta última, não só pervertem o sentido da escritura, mas também se apóiam na quito que não se lê em lugar algum. Aduzem mais: “Adorai o escabelo de seus pés” (Sl 99.5) e “adorai em seu santo monte” (Sl 99.9) e, também, “A tua face suplicarão todos os ricos do povo” (Sl 45.12). Para eles, todas essas citações são provas absolutamente firmes em favor da idolatria!

    Se, para zombar dos que defendem a adoração das imagens, alguém quisesse fazer deles uma caricatura ridícula, poderia, porventura, reunir tolices maiores e mais grosseiras do que as acima referidas?

    E, de qualquer modo, para não haver dúvida nenhuma, Teodósio, bispo de Mira confirma tão a sério — com base no sonho de seu arcediago —, que as imagens devem ser adoradas, como se estivesse presente um oráculo celeste.

    Agora, que saiam acampo esses defensores das imagens e nos pressionem com o decreto do Concilio Niceno retro referido, como se os pais veneráveis desse Concilio não anulassem toda a confiança que se deveria ter neles, não só por tratarem a Escritura de modo tão infantil, mas também por submete-­lá a tão ímpia e execrável mutilação!

    ENSINOS E PRÁTICAS BLASFEMAS E ABSURDAS A RESPEITO DA IDOLATRIA

    Teodósio, bispo de Amoria, pronuncia anátema (= maldição) contra todos os que se opõem à adoração das imagens. Um outro atribui todas as calamidades da Grécia e do Oriente ao crime de não se adorarem imagens! Em conseqüência disto, os Profetas, os Apóstolos e os Mártires — no tempo dos quais não se usavam imagens —, mereceriam ser castigados!

    Acrescentam ainda que, se se vai ao encontro da imagem do imperador, com formigações aromáticas e incenso, as imagens dos santos são muito mais dignas desta honra!

    Constâncio, bispo de Constância, em Chipre, professa, porém, abraçar as imagens de modo reverente e confirma que ele tributou a elas o culto devido à Trindade, e a todos os que tivessem a ousadia de se recusar a fazer o mesmo, ele anatematizaria (= amaldiçoaria) e relegaria à companhia dos Maniqueus e dos Marcionítas. E, para que não se pense que essa era a opinião de um indivíduo só, os demais também concordaram!

    João, o legado dos do Oriente, levando mais longe ainda a sua ousadia, adverte que seria préferível acolherem-se todos os lupanares, em uma cidade, a rejeitar-se o culto das imagens!

    Finalmente, o Concílio Niceno estatui, pelo consenso de todos, que os Samaritanos eram os piores de todos os hereges, porém, que piores do que os Samaritanos eram os que combatiam as imagens! Além disso, para que não faltasse à peça o seu solene Aplauso, acrescenta-se à cláusula o seguinte:

    “Regozigem-se e exultem os que, tendo a imagem de Cristo, lhe oferecem sacrifícios”.

    Onde está, agora, a distinção entre latria e dulia com qual eles costumam ofuscar os olhos de Deus e dos homens, uma vez que esse Concílio (Niceno) favorece tanto às imagens quanto ao Deus vivo?

    É necessário estabelecer uma distinção entre Deus e os ídolos, para que só Deus seja cultuado.

    A VERDADERA RELIGIÃO PROCLAMA A EXISTÊNCIA DE UM Só E ÚNICO DEUS

    No início (desta exposição) dissemos que o conhecimento de Deus não poste ser obtido da fria especulação (da mente), mas traz associado consigo o culto que lhe devemos. E referimos de passagem como se cultua a Deus de maneira apropriada. Todas as vezes que a escritura afirma haver um só único Deus, não está lutando em favor de um mero, em si, mas está dizendo para que não se transfira a outrem aquilo que só compete a sua divindade. Este fato torna patente em que a religião pura difere das superstição.

    A palavra eusébeia, para os gregos, equivale à correta adoração, pois os próprios cegos, tateando nas trevas, sempre sentiram que se faz necessária uma norma precisa, para que Deus não seja cultuado de maneira errada. Ainda que Cícero, acertadamente e com erudição, faça o termo religião derivar-se de reler (= ler de novo), a razão que alega para isso — a de que os adoradores probos releriam mais vezes e ponderariam com mais diligência sobre o que seria verdade — é, no entanto, uma razão: forçada e deixa muito a desejar. Penso antes que esse vocábulo (religião) se opõe à licença, visto que a maior parte do mundo se agarra, de modo impensado, a qualquer coisa que se depara diante dele — mais ainda-se agarra a qualquer coisa, indo de um lado para outro. Porém, para a piedade manter-se numa posição firme, é ela relegada aos seus estritos limites. Por isso, daí me parece igualmente enunciada a palavra superstição pela qual, não contentes com o modo e ordem presentes na Escritura, os homens acabam acumulando um amontoado de coisas vis.

    Porém, deixando de lado a questão de termos, o consenso de todos os tempos tem sempre aceito a idéia de que a religião é pervertida e viciada por erros enganosos. Concluímos deste fato que o pretexto invocado pelos supersticiosos é frívolo, quando nos permitimos qualquer coisa em função de zelo precipitado. Contudo, ainda que todos o confessem, patenteia-se vil ignorância porque, segundo temos ensinado previamente, eles não só não se apegam ao Deus único e verdadeiro, mas,também, não aplicam discernimento no seu culto.

    Deus, porém, para vindicar seus direitos, proclama-se severo e vingador, se for confundido com qualquer divindade falsa (Ex 20.5). Então, para manter o gênero humano obediente a Ele, define o culto legítimo. Deus enfeixa na Lei estes dois aspectos quando, em primeiro lugar, atribui os fiéis a si mesmo, a fim de ser o único legislador deles e, depois, prescreve a regra segundo a qual Ele deve ser devidamente cultuado, segundo sua vontade.

    Agora, atenho-me apenas ao seguinte aspecto: O de que a Lei impõe um freio aos homens, para que eles não se apeguem a formas corruptas de adoração. Mas não se deve esquecer o que afirmei em seção anterior ou, seja, que Deus é despojado da sua dignidade, quando não reconhecemos que só a Ele pertence o que é próprio da divindade, e profanamos o seu culto.

    Com mais diligente cuidado, entretanto, atentemos para as sutilezas com que a superstição se diverte. Às vezes, ela não descamba a servir divindades estranhas a ponto de abandonar ao Deus Supremo, ou a ponto de reduzi-lo à escala dos demais deuses; porém, ao mesmo tempo em que reconhece para Ele um lugar de preeminência, cerca-o de uma chusma de deuses menores, com os quais partilha as funções que são privativas do Deus único. Por isso, ainda que de forma disfarçada e habilidosamente, separa a glória da sua divindade, de maneira que a glória de Deus não permanece inteira só nEle. Da mesma forma, no passado os antigos, tanto dentre os judeus quanto dentre os gentios, tornam submissa ao pai e árbitro dos deuses aquela turba que, conforme o grau hierárquico, exercia em comum, com o Deus Supremo, o governo do céu e da terra. Assim, todos os santos que partiram deste mundo, foram elevados a uma sociedade com Deus, e passaram a ser reverenciados, invocados e festejados no lugar de Deus. Na verdade, somos de parecer que a majestade divina não é apenas ofuscada, mas, de fato, é até suprimida e extinguida, visto que conservamos apenas uma fria noção de sua autoridade suprema. Ao mesmo tempo, enganados por essa aparência ilusória, somos levados a cultuar deuses de variada natureza.

    ENGANOSA DISTINÇÃO ENTRE “LATRIA” E “DULIA”

    Para o mesmo fim de enganar foi inventada a distinção entre latria e dulia, isto é, para que honras divinas pudessem ser transferidas impunementes aos anjos e aos mortos. Ora, é evidente que o culto que os papistas prestam aos santos em nada difere, na realidade, do culto que prestam a Deus, visto que adoram indistintamente tanto a Deus quanto aos santos. Quando, porém, são pressionados (com a acusação de idolatria), procuram safar-se com a desculpa de que conservam puros o que é próprio de Deus, uma vez que lhe preservam a latria. No entanto, como esta é uma questão de fato e não de palavras , por que brincam eles de modo tão despreocupado com a mais importante de todas as questões?

    Porém, ainda que passemos por alto sobre este assunto, queremos dizer que, com essa distinção, eles não conseguem outra coisa sendo dizer que, ao Deus único, eles prestam culto e, aos outros santos, prestam só serviço. Ora, entre os gregos, latréia (= latria) equivale a culto, adoração; entre os latinos, douléia (— dulia) representa servitus (— servidão, deferência de servo). Essa distinção se confunde com freqüência na Escritura. Contudo, ainda que consideremos essa distinção como constante, é de perguntar-se qual é o significado desses dois termos.

    De fato. Douléia (= dulia) significa serviço e »latréia ,latria significa honra.Certamente, ninguém poderá pôr em dúvida que servir é algo mais que honrar. Ora, não é raro que consideremos penoso servir a alguém, a quem não recusemos honrar. Portanto, seria uma partilha iníqua atribuir aos santos o que é maior e a Deus o que é menor. Contudo, insistirão dizendo que muitos, dentre os antigos, fizeram uso desta distinção. Que adianta isso, se todos percebem que essa distinção não é apenas imprópria, mas é também absolutamente sem valor?

    À LUZ DA ESCRITURA, O CULTO DE “DULIA” NÃO TEM O MENOR FUNDAMENTO

    Pondo de lado as sutilezas alegadas em torno deste assunto, examinemos a coisa em si mesma. Paulo lembra aos Gálatas que eles, antes de serem iluminados no conhecimento de Deus, haviam prestado culto de dulia àquelas divindades que, por natureza, não eram deuses (Gl.4:8)). O fato de Paulo não empregar a palavra latria (para caracterizar o culto dos Gálatas, antes te conhecerem a Deus) não pode ser desculpa para a superstição deles.

    É claro, pois, que com o termo dulia, ele condena essa superstição com a mesma força com que a condenaria com o termo latria.

    E quando Cristo, repelindo a investida de Satanás, usa o escudo da Palavra de Deus, dizendo: “Ao Senhor teu Deus adorarás” (Mt 4.10), não está aí, literalmente, a questão do termo latria, visto que Satanás queria que Cristo se prostrasse de joelhos em reverência a ele? O mesmo aconteceu com João, quando foi repreendido pelo anjo, pelo fato de prostrar-se de joelhos diante dele (Ap 19.10 e 22.8-9). Não revelou João falta de sensatez a ponto de querer transferir para o anjo a honra que é devida só a Deus? Fazendo ao anjo algo que tivesse sabor divino, João estaria negando a glória que só pertence a Deus!

    É verdade que, não poucas vezes, temos lido que criaturas foram adoradas. Pode-se dizer, contudo, que essa foi uma honra civil. Outro sentido, porém, tem a religião que, associada ao culto da criatura, traz consigo a profanação da honra divina. Pode-se ver isto no caso de Cornélio (At 10.25), pois ele não ia tão mal na vida piedosa, que não tributasse só a Deus reverência suprema. Portanto, ao prostrar-se diante de Pedro, evidentemente, não o fez com o propósito de adorá-lo no lugar de Deus. Pedro, no entanto, de modo terminante, o proíbe de fazê-lo. E, por que o fez, senão pelo fato de os homens nunca fazerem distinção precisa entre o culto a Deus e o culto às criaturas, transferindo sempre, às criaturas, o que é próprio de Deus?

    Portanto, se quisermos ter um só e único Deus, devemos lembrar-nos de que, na verdade, não podemos retirar uma partícula sequer da sua glória, a fim de que Deus retenha em si o que lhe é próprio. Zacarias (14.9), quando fala a respeito da restauração da Igreja, proclama, com eloqüência, não apenas que um só será Deus, mas também um só será o seu nome, para que nada tenha Ele em comum com ídolos.

    Veremos que tipo de culto Deus requer, pois Ele, por meio de sua Lei, prescreveu aos homens o que é justo e reto e, deste modo, quis mantê-los dentro de norma precisa, para que ninguém tivesse liberdade de forjar qualquer tipo de expressão cultual. Porém, visto que não me convém sobrecarregar os leitores, incluindo muitos temas ao mesmo tempo, não focalizarei ainda esse ponto. Baste-nos, contudo, ter em mente o seguinte: Nenhuma função religiosa fica isenta de sacrifício, quando se transfere a outros seres o que pertence só ao Deus único. No princípio, a superstição, na verdade, atribuíram honras divinas tanto ao sol e aos demais astros, quanto aos ídolos. Depois, seguiu-se a ambição que, enfeitando os mortais com o que roubou de Deus, ousou profanar tudo o que havia de sagrado e, ainda que mantivesse o princípio de adorar a divindade suprema, tornou-se costume, entretanto, o oferecer sacrifícios indiscriminalmente às divindades protetoras, às deidades inferiores e aos heróis mortos.

    É muito grande a predisposição para com esse erro que se repete constantemente, isto é, o erro de os homens partilharem com grande multidão de seres aquilo que Deus reivindica rigorosamente só para si. Por isso glória e honra ao único e soberano Deus. Amem!

    Da Obra de João Calvino
    SAIBAM MAIS ACERCA A LUZ DA BÍBLIA SAGRADA
    http://www.cacp.org.br/catolicismo/indexmenu.aspx?menu=2&submenu=9

    http://www.cacp.org.br/catolicismo/

  6. Assis Rodrigues
    4 de Janeiro de 2012 às 23:55 Responder & darr;

    Por mais fundamentados que estejam os comentários e artigos, dificilmente eles mudarão as concepções do católico autêntico, bem como dos evangélicos das diversas denominações. Isto ocorre porque o conhecimento teológico, diferentemente do conhecimento científico, não pode , por sua origem, ser confirmado ou negado, pois depende da formação moral, das crenças e sobretudo da fé de cada indivíduo. Eu acredito que o Cristo é o Filho de Deus e o Salvador da humanidade (conhecimento teológico). Porém outra pessoa pode discordar e dizer que esta afirmativa não convence. Outra situação por exemplo é apresentar a equação de Albert Einstein E=mc2 – “A energia E de um sistema é igual à sua massa M multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz no vácuo, C2.”(conhecimento científico). Dificilmente você conseguirá provar o contrário. Portanto somos livres para fazermos nossos comentários e escrever artigos e livros sobre Deus e religião conforme o conhecimento da fé que professamos sabendo que outras pessoas podem discordar. Mas uma coisa deve ser comum a todos. A vivência, prática e testemunho da fé que se professa. Para nós cristãos a prática religiosa está diretamente ligada à vivência do mandamento do amor, da caridade, do perdão e da fraternidade, seja católico ou evangélico. Desta forma, discursões a parte, o que mais importa é que cada um viva sua religiosidade num ambiente de respeito mútuo professando e defendendo sua fé. É isto que procuro fazer. Viver minha fé em Cristo em comunhão com a Igreja Católica. Não uma fé cega, mas consciente.

  7. Frei Leandro
    5 de Janeiro de 2012 às 11:40 Responder & darr;

    Os homens e seus problemas de convivências. Se amassemos um pouquinhos uns aos outros como pediu Jesus, seria tão fácil entender os irmãos. Sou católicos não cultuo imagens e convivo muito bem com os cultuam. Posso até entender a Igreja. Talvez seja como pedagogia que a Igreja usa para levar seus fiéis a acreditar em um Deus misericordioso. Pois olhar para a vida daquele que viveu o evangelho com retidão nos estimula a fazer o mesmo. E lendo o Evangelho percebemos que Cristo pediu, Sede Santos como vosso Pai Celeste é santo. Cruxificado disse ao larão ainda hoje estara comigo no paraíso. Portanto se sairmos do pé da letra, podemos em parte concordar com a Igreja. O que não podemos concordar é na adoração da Imagem, mas como Cristão de vemos respeitar quem acredita. O minimo coerente que podemos fazer é orar para que nós possamos ter discernimento para o não julgamento, sabemos quem deve julgar. Não devemos ter como arma a Bíblia, o que vemos é uma concorrência muito grande de alguns (cristãos), qualquer coisa quer discutir apontando versículos. Não é para isso que serve a Bíblia seria mais sensato se usassemos um versículo para aprender amar o outro mesmo na sua ignorancia. Se olharmos para uma religião de 2000 anos de existência e comparassemos com proporcionalidades a Igreja católica teria menos erros do qualquer outra igreja que foram inventadas praticamente ontém. Fica bem colocado aqui, as palavras de Cristo quando disse: “Tire a trave que tem nos seus olhos, êm vêz de apontar o cisco do olho do outro”. E também lebrar o que disse Ghandy para os Cristãos: “Admiro muito Jesus, mas não gosto nem um pouco de como vivem seus seguidores”. Quando será meus irmãos que concretizará o que disse Jesus: “Um só pastor e um só rebanho”. O nome de Jesus vende bem e muitas igrejas se preocupam é com isso, vendem prosteridade, saude, e assim por diante, por isso vale apenas emplicar como os outras vivem sua fé. Antigamente quando passavamos em frente de uma Igreja, sabiamos que era uma Igreja pela sua arqutetura diferenciada, e existia um ar de espiritualidade, Hoje temos que olhar bem porque parece mais com um comércio, com portas abertas de cedo até a noite, e pensam o dia todo de como tirar dinheiro dos outras, e o pior é que sobram tempo para criticar as outras Igrejas. Que tenha piedade dessa pessoas.

  8. Frei Leandro
    5 de Janeiro de 2012 às 11:43 Responder & darr;

    Um trecho da Carta de Paulo Souza ao Padre Zezinho:

    “Eu, evangélico e ex-católico.

    Maria não pode nada. Menos ainda as imagens dela que vocês adoram. Sua igreja continua idólatra. Já fui católico e hoje sou feliz porque só creio em Jesus. Você com suas canções é o maior propagador da idolatria Mariana. Converta-se enquanto é tempo. Se não vai para o inferno com suas canções idólatras…”

    Paulo Souza, São Paulo – SP.

    Padre Zezinho:

    “- Sua carta chega a ser cruel. Em quatro páginas, você consegue mostrar o que um verdadeiro evangélico não pode ser. Seus irmãos mais instruídos sentiriam vergonha em ler o que você disse em sua carta contra nós católicos e contra Maria.

    Em primeiro momento, vejo que você pegou o bonde atrasado e na hora errada e deve ter ouvido os pastores errados, porque entre os evangélicos, tanto como entre nós católicos, Maria é vista como a primeira cristã, figura mais expressiva da evangelização depois de Jesus.

    Evangélico hoje, meu caro, é alguém que pautou sua vida pelos evangelhos e, por ser um bom evangélico, não é preciso agredir nem os católicos nem a mãe de Jesus.

    Você é muito mais antimariano do que cristão ou evangélico. Quanto ao que você afirma, que nós adoramos Maria, sinto pena de você. Enquanto católico, segundo você afirma, já não sabia quase nada da Bíblia por culpa da nossa Igreja, agora virou evangélico parece que sabe menos ainda de Bíblia, de Jesus, de Deus e do Reino dos céus.

    Está confundindo culto de veneração com culto de adoração.

    Ora Paulo, há milhões de católicos que usam das imagens e sinais do catolicismo de maneira serena e inteligente, e você usava errado, teria que aprender.

    Ao invés disso foi para outra Igreja aprender a decidir quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Tornou-se juiz da fé dos outros.

    Deu um salto gigantesco de seis meses, de católico tornou-se evangélico, pregador de sua igreja e já se coloca como a quarta pessoa da Santíssima Trindade, porque está decidindo quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Mais uns dois anos, talvez de um golpe de estado no céu e se torne a primeira pessoa da Trindade.

    Então talvez, mande Deus avisar quem você vai pôr no céu e no inferno.

    Sua carta é pretensiosa. Sugiro que estude mais evangelismo, e em poucos anos, estará escrevendo cartas bem mais fraternas e bem mais serenas do que esta. Desejo de todo coração que você encontre bons pastores evangélicos que lhe ensine como ser um bom cristão e como respeitar a religião dos outros. Isso parece que você perdeu quando deixou de ser católico. Era um direito que você tinha: procurar a sua paz. Mas, parece que não a encontrou ainda, a julgar pela agressividade de suas palavras.

    Quanto a Maria: é excelente caminho para Jesus.

    Se você se deu ao trabalho de me escrever uma carta para me levar a Jesus, e se acha capaz disso, imagine então o poder da mãe de Deus! De Jesus ela entende mais do que você. Ela já está no céu e você ainda está aqui apontando o dedo contra os outros e decidindo quem vai ou quem não vai para lá.

    Grato por sua carta. Mostrou-me porque devo lutar pela compreensão entre as igrejas.

    É por causa de gente como você.”

    Pe. Zezinho

    TUDO POR JESUS, NADA SEM MARIA.

  9. Joab dias
    5 de Janeiro de 2012 às 14:24 Responder & darr;

    Prezado Amigo Assis, em sua postagem o senhor disse: *Isto ocorre porque o conhecimento teológico, diferentemente do conhecimento científico, não pode , por sua origem, ser confirmado ou negado, pois depende da formação moral, das crenças e sobretudo da fé de cada indivíduo. Eu acredito que o Cristo é o Filho de Deus e o Salvador da humanidade (conhecimento teológico). *….Eu pergunto que tipo de Cristão é vc? qual seu instrumento de fé? já que na ciência o instrumento de comprovação é o experimento…..e não esquecendo que a Ciência é falha….enquanto que a bíblia é a Palavra de Deus, e Infalível….Ela é superior a tudo e a todos….mesmo que alguns a interprete da sua forma particular , Mas quero salientar que ela, a Bíblia Sagrada, é e tem um Padrão Moral, ético , espiritual, social para toda a humanidade, alguém crendo ou não….ninguém tem fé crendo em Deus e na Bíblia não….A Bíblia é comprovada pela Ciência, pela arqueologia, geografia, história, etc….o que é teologia? Estudo de Deus e sobre Deus….Portanto, amigo .. o conhecimento teológico é mais do que teoria é real….e existem coisas de Deus que as ciências humanas são limitadas , porisso, Deus sempre será Deus o Criador supremo…..vc já ouviu falar em milagres? vc acredita? como a Ciência estuda um milagre? contra fatos não existem argumentos….Eu particularmente sou um milagre nas mãos de Deus.

  10. Jesus disse: Eu sou o Caminho...
    5 de Janeiro de 2012 às 15:02 Responder & darr;

    Prezado na verdade estas postagem continuam tendenciosa a luz da Bíblia , em nenhum momento nós os evangélicos desonramos a Querida mãe de Jesus.. que foi um canal de benção para humanidade, na verdade quem mais honra a mãe de Jesus são os evangélicos, pois se ela soubesse o que estão fazendo com o nome dela na Terra ela choraria, pois ela sabe que foi bendita ” entre “as mulheres…e substimar a inteligencia com uma questão familiar…espiritualmente falando isso não cola , até pq a bíblia não fala que ela ressuscitou, e que no céu não existem casamentos e nem filiações de pais e mães ja que todos os que estiverem lá dak serão anjos….Mãe , Pai , primos, cunhados, tios, uma linguagem humana…..para entendermos Deus com Pai o Filho veio….e o Espirito Santo interçede….somos filhos quando reçebemos Jesus….leia João 1 :12…AGORA PERCEBA AMIGOS A VERDADE SOBRE MARIA….
    Introdução

    Leia isto primeiro

    A propósito do livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria”, de autoria do Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho onde ele defende a posição Católica a respeito da Mãe de Jesus, resolvi escrever este livro, mostrando a concepção bíblica quanto a Maria.

    Se você, leitor, for um Católico, gostaria que lesse o livro até o fim, principalmente se você conhece o trabalho do Pe. Paulo, pois assim poderá fazer um julgamento mais profundo, conhecendo “os dois lados da moeda”.

    Uma certa vez ouvi um adágio mais ou menos assim: “em toda discussão existe sempre a sua versão, a versão do outro e a verdade.” Por isso animo-o tentar descobrir a verdade. Até porque, se a posição protestante-evangélica for a errada, você terá mais segurança no que crê.

    Ao final do livro coloquei um apêndice com todos os versículos bíblicos importantes, para, caso você não esteja com uma Bíblia em mãos, possa consultar a referência sem maiores dificuldades. Lembre-se, devemos sempre fazer como os cristãos de Beréia em At 17.10-11 “E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim (grifo acresc.).

    Em nenhum momento meu desejo é ofender a fé de ninguém. Procurei ser o mais simples possível e, se em algum momento uma palavra do livro lhe parecer rude, por favor queira me perdoar.

    Que Deus possa nos abençoar e que a cada dia “conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra.” – Os 6.3.

    O que é Deus

    Pode parecer estranho dizer o que é Deus ao invés de quem é Deus, mas é isso mesmo que precisamos saber antes de mais nada.

    Nós, cristãos evangélicos e católicos, acreditamos na Trindade, ou seja, na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo o nosso Deus. Mas este fato tem sido ponto de muita polêmica e confusão pelo mau entendimento que se tem, por parte de alguns, acerca da Trindade.

    Não é fácil de explicar, muito menos de entender quando a Bíblia fala que há um só Deus ( Dt 6.4; I Tm 2.5a, Rm 3.30, I Co 8.6, Ef 4.6.) e nós dizemos que eles são três.

    Como explicar que há um só Deus em três pessoas distintas, Pai Filho e Espirito Santo.
    Vamos aprender, primeiramente o que é uma pessoa e depois o que é uma pessoa divina. Ai então aprenderemos que a Trindade não é nenhum absurdo.

    O que é uma pessoa ? Uma árvore é uma pessoa ? Um cachorro é uma pessoa ?

    Deus é uma pessoa ? E os homens, são pessoas ? Qual a diferença entre uma pessoa e uma “não-pessoa” ?

    Todos estes acima são seres. Temos aí ser humano, ser divino, ser animal e ser vegetal. Para que um ser seja considerado pessoa ele tem que reunir ao mesmo tempo três características: sentimento, vontade (volição) e intelecto.

    A árvore, todos concordam, pode até possuir sentimento, mas com certeza não possui intelecto nem vontade. O cachorro possui sentimento e vontade, mas não intelecto.

    Veja, não faça confusão entre instinto e intelecto. Se os animais tivessem intelecto eles seriam capazes de aprender matemática, por exemplo.

    Sobraram dois seres para serem analisados: Deus e os homens. Quanto aos homens nenhuma dúvida. Você, e todos nós possuímos as três características, mas e Deus ?

    Para não ser muito extenso, concluo que todos os leitores não tenham dúvida quanto a personalidade do Pai. Ele tem intelecto, sentimento e vontade. O mesmo se pode dizer de Jesus, que viveu na terra como um homem comum, por isso possui os três atributos de pessoas. Fica um pouco de dúvida em relação ao Espírito Santo, porém vejamos:

    Intelecto: I Co 2.10-11, Jo 14.26

    Sentimento: Ef 4.30

    Vontade: I Co 12.11, At 8.29; 13.4

    Outra categoria de pessoa é a dos anjos, pois eles também possuem intelecto ( I Pe 1.12 ), sentimento ( Lc 2.13 ) e vontade (Jd 6 ).

    Conclusão:

    Encontramos três classes de pessoas: pessoa humana; pessoa angelical; pessoa divina. A classe de pessoa humana é formada por cerca de 6 bilhões de seres humanos ( esta é a estimativa da população da terra hoje ). A classe de pessoa angelical é formada por “miríades de anjos” ( Hb 12.22 ) Veja ainda Ap 5.11 “E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares”. No entanto, a classe de pessoa divina é formada por três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

    Agora poderemos esclarecer ainda outro detalhe: a questão da divindade. Seriam três deuses, já que provamos serem três pessoas distintas ? As características para uma pessoa ser considerada divina são: Onisciência ( ter todo o conhecimento, do passado, presente e futuro), Onipresença ( estar presente em todo lugar ao mesmo tempo ) e Onipotência ( possuir todo o poder ) e ainda a Eternidade (nunca ter tido princípio nem terá fim ). Mais uma vez, para não ser extenso, não vamos detalhar sobre a pessoa do Pai. Vamos nos deter na pessoa do Filho e do Espírito.

    Com isso chegamos finalmente à conclusão final: o Deus dos cristãos é formado por três pessoas divinas. Esta conclusão é importante pois somente estas três são divinos. Ninguém mais é.

    A despeito de serem três pessoas, não são três deuses. A dificuldade está no fato de, talvez, usarmos a palavra Deus quando nos referimos ao Pai e também quando nos referimos às pessoas da Trindade. Mas quando olhamos para exemplos humanos, o entendimento fica mais fácil.

    Quantos governos de nível federal o país tem? Apenas um. O Brasil só tem um governo federal, no entanto ele é formado por vários homens. Um presidente, vários ministros, etc. Entretanto, é comum nos referirmos ao presidente como o governo. Ex.: O governo está aumentando impostos. Quando vemos um casal e seus filhos ( um ou mais ) dizemos que eles são uma família, a despeito de serem, no mínimo, três pessoas diferentes.

    A natureza nos fornece um exemplo bastante claro. A água, formada pelos elementos químicos hidrogênio e oxigênio ( H2O ) se apresenta em três estados: líquido, gasoso e sólido. A essência é única, mas podemos ver três estados distintos. Por último, a palavra pai se refere ao homem que tem filhos. Mas a palavra pais, tanto pode ser o plural de pai como estar se referindo ao homem e a mulher que tiveram um filho.

    Quando dirijo ao Pai com a palavra Deus, é como se estivesse falando do meu pai.

    Quando me dirijo à Trindade, ou a uma das outras duas pessoas dela, seria como se eu falasse: meus pais são uma bênção ( ou seja, minha mãe e meu pai juntos ).Idolatria

    A definição mais singela para idolatria é: colocar no lugar de Deus qualquer outra coisa.

    Acredito que não há um só cristão que não concorde com esta afirmativa e é aqui que começa a diferença entre os católicos e protestantes. Os católicos se ofendem quando são chamados de idólatras, e se defendem com muitos argumentos, mas também não se pode negar que existe uma espécie de idolatria secularizada entre muitos evangélicos. Dizer que todos os católicos são idólatras é generalizar, bem como dizer que nenhum evangélico não é idólatra.

    Como o ponto central deste trabalho é falar sobre a pessoa de Maria, a mãe de Jesus, vamos nos deter a ela, tomando o cuidado de não nos desviarmos para outros assuntos. Por outro lado, a intenção não é ofender nem denegrir o caráter e a pessoa de Maria. Ele é sem dúvida a mais bem aventurada mulher que já passou pela face da terra. Ela deve ser imitada e considerada com mais alta estima , porém, o que passar disso é idolatria.

    As Marias

    O NT fala de seis Marias: 1- Maria, mãe de Jesus; 2- Maria, mulher de Cléopas; 3- Maria Madalena; 4- Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta; 5- Maria, mãe de João Marcos, primo de Barnabé; 6- Maria de Roma. Vamos ver o que a Bíblia fala de cada uma delas, começando pelas últimas.

    Maria de Roma. Designada “de Roma” pelo simples fato de ser mencionada em Rm. 16.6 como membro da Igreja em Roma, e que tinha servido muito àquela Igreja. Nada mais se diz desta Maria.

    Maria, mãe de Marcos, primo de Barnabé. At 12.12 cf Cl 4.10. A única coisa que se pode dizer desta Maria é que ela cedia sua casa para reuniões de oração. Decerto era uma mulher piedosa e muito fiel.

    Maria, irmã de Lázaro e Marta. Lc 10.38-42; Jo 11. As referências bíblicas desta Maria são conclusivas, e não há nada que se precise acrescentar. Esta Maria era sem dúvida, uma das mais dedicadas ouvinte de Jesus.

    Maria Madalena. Esta foi a mulher de quem Jesus expulsou 7 demônios, Mc 16.9; Lc 8.2. Nascida em Magdala, daí o nome Madalena, estava sempre em companhia das outras duas Marias, a mãe de Jesus e a mulher de Cléopas.

    Maria, mulher de Cléopas. Esta é a Maria confundida como sendo irmã da Maria, mãe de Jesus. Jo 19.25. Ela era mãe de Tiago, o menor, e José, Mt 27.56; Mc15.40; Lc 24.10.

    Infelizmente, por causa da coincidência de nomes, ficou “fácil” fazer as confusões em relação ao tema. Por isso vamos ter que ver quantos Tiagos e quantos Josés a Bíblia fala. Mas, antes de prosseguir, fica já aqui a primeira pergunta: por que os pais de Maria, mãe de Jesus e Maria, mulher de Cléopas poriam o mesmo nome nas duas filhas, caso elas fossem mesmo irmãs ?

    Os Josés

    Da mesmas forma como são vários Tiagos, a Bíblia fala de muitos Josés. No NT temos:

    1. José, esposo de Maria, Mt 1.16; Lc 3.23.

    2. José de Arimatéia, e membro do Sinédrio. Reclamou o corpo de Jesus para sepultá-lo após a sua morte, Mt 27.57-60;Mc 15.43; Lc 23.50-53; Jo 19.38

    3. José Justo, também chamado de Barsabás ( filho de Sabás ). Foi um dos indicados para assumir a vaga de Judas Iscariotes, At 1.21-26.

    4. José de Antioquia, mais conhecido por Barnabé, amigo íntimo de Paulo, At 4.36.

    5. José, irmão de Tiago, filho de Maria, mulher de Cléopas, Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25.

    6. José, irmão de Jesus e filho de Maria, Mt 13.55.Os Tiagos

    O NT nos fala de quatro Tiagos diferentes:

    1.Tiago, filho de Zebedeu. Mt 4.21; 10.2; Mc 1.19; 3.17. Foi um dos primeiros discípulos e um dos mais chegados. Era sócio dos irmãos Pedro e André num negócio de pescaria, Lc 5.10 e foi este Tiago que morreu à espada, a mando de Herodes Agripa I, At 12.2.

    2. Tiago, filho de Alfeu ( Cléopas ou Cleofas são variações do nome Alfeu ). É o segundo Tiago nas listas dos 12 apóstolos, Mt 10.2-4; Mc 3.16-19; Lc 6.14-16.

    3. Tiago, pai ou irmão do apóstolo Judas, não o Iscariotes, Lc 6.16; At 1.13.

    4. Tiago, filho de Maria, mãe de Jesus. Mt 13.55-58; Mc 6.3. Tornou-se proeminente líder da Igreja apostólica e escreveu a epístola de Tiago. Gl 1.19 nos diz: “Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor”. Este testemunho de Paulo é importante, pois ele não trata a ninguém mais com esta forma “irmão do Senhor”, além de distinguir este irmão dos demais apóstolos-irmãos

    É verdade que a palavra irmão tem vários significados, porém, quando não há pontos em comum, duas pessoas não se consideram irmãs. É possível que eu trate por irmão um estranho pelo simples fato dele torcer pelo mesmo time que eu. Mas, ainda que seja alguém muito chegado, se ele torcer por outro time, eu nunca o tratarei como irmão. É preciso haver algum ponto de identificação.

    No texto de Jo 7.1-5, ( “Depois disto andava Jesus pela Galiléia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

    Pois nem seus irmãos criam nele” ) ( grifos acrescentados ), é claro quando João reproduz a fala de algumas pessoas, às quais ele chama de irmãos de Jesus. Pelo contexto e pelo modo de falar destes, o único sentido da palavra irmão é que só podiam ser irmãos de Jesus no sentido de serem filhos de mesmos pais.

    É preciso analisar cuidadosamente o modo de falar: “teus discípulos vejam…” Esses que falavam com Jesus parece que não eram seguidores do Mestre; não se identificavam com ele. Portanto a palavra irmãos, neste texto pede um único significado: irmãos, filhos de mesmos pais.

    Vejamos mais um texto, At 1.12-14 – “Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

    Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” ( grifos acrescentados ).

    Aqui o evangelista Lucas faz questão de distinguir as demais mulheres de Maria; os apóstolos dos irmãos de Jesus. Se Lucas não tivesse se referindo ao sentido de irmãos como filhos de mesmos pais, por que esta forma de escrever? Devemos levar em consideração que Lucas já tinha em mente as diferenças de sentido da palavra irmãos, pois ele mesmo escreveu as palavras de Jesus em seu Evangelho, capítulo 8.19-21 “Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.Maria, Mãe de Jesus

    Como já disse anteriormente, a maioria dos evangélicos têm Maria na mais alta estima, considerando-a a mais bem aventurada de todas as mulheres. A diferença é que nós não a adoramos como sendo aquilo que ela não é.

    Infelizmente alguns evangélicos mais eloqüentes acabam exacerbando o tema e assim ofendendo a fé Católica. Não é este o objetivo deste trabalho. A bem da verdade muitos evangélicos partem para outro extremo, banalizando a pessoa de Maria.

    Vamos ver o que Jesus falava de sua mãe.

    Mt 12.46-50 “Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos ? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

    Mc 3.31-35 “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos! E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

    Lc 8.19-21 “Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

    O que vemos nestes textos é a chegada de Maria com seus filhos legítimos tentando falar com Jesus. A tradição Católica afirma que estes eram primos de Jesus, filhos de Maria Cléopas. Já mostramos anteriormente que esta Maria Cléopas não era a irmã de Maria, mãe de Jesus. É importante que para concluir isto você leia todos os textos citados referindo-se aos dois filhos de Cléopas, Tiago e José, para confirmar esta afirmação.

    A base para se dizer que eram primos de Jesus está nas últimas palavras de Jesus, quando ele aponta para todos os presentes e diz que todos eram seus irmãos, desde que fizessem a vontade do Pai. Se acompanharmos esta linha de raciocínio, somos obrigados a aplicá-la também a Maria. E o que Jesus diz? Qualquer mulher é igual a Maria, ou se olharmos por outro ponto de vista (perdoe-me, mas não quero ofender ninguém) Jesus rebaixa Maria a uma mulher comum. “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

    Deixe-me através da comparação de três versículos mostrar que a irmã de Maria é Salomé, e não Maria Cléopas.

    Uma das mais “chatas” passagens para explicar é o episódio da bodas de Caná. Os Católicos afirmam que ali está a prova de que Maria é a intercessora dos homens.

    Mas, muito mais esclarecedor são as palavras de Jesus. Jo 2.1-4 é traduzido assim por uma edição Católica publicada pelo Círculo do Livro. “No terceiro dia houve umas bodas em Caná da Galiléia e estava presente a mãe de Jesus. Também fora convidado para a festa de casamento Jesus com seus discípulos. Tendo acabado o vinho, disse a mãe para Jesus: ‘eles não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, o que há entre mim e ti ?'”. ( grifos acrescentados )

    A nota de rodapé desta mesma edição diz: “(…) A resposta, segundo outros paralelos bíblicos, significa divergência de interesses e mesmo recusa; agora, na vida pública, Jesus não pode mais obedecer à sua mãe como em Nazaré. Também os sinópticos relatam respostas semelhantes que significam o tempo de separação entre Mãe e Filho.” (grifos acrescentados).

    Também comenta a nota de rodapé da Tradução Ecumênica: “…em certos contextos isto pode significar: por que te intrometes ? … Ela indica diferença de planos entre os interlocutores. Efetivamente, a ação de Jesus vai situar-se num nível que ultrapassa muitíssimo o nível que Maria devia normalmente ter em vista.”

    Pode-se deduzir deste comentário, com clareza, que Maria não foi muito feliz quando tentou assumir o papel de intercessora dos homens, papel este que cabe a Jesus, exclusivamente.

    A Bíblia é conclusiva quando diz: “porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” – I Tm 2.5.O Magnificat

    Lucas 1.46ss – “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.

    Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre. E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa”.

    Entres o evangélicos mais sérios, nunca se discutiu a posição honrosa de Maria, mas os Católicos se utilizam desta passagem para endeusar a mãe de Jesus. Se Maria fosse Imaculada sem pecado desde o ventre de sua mãe, porque ela mesmo testemunha que precisa de um Salvador ?

    Quando Isabel saúda Maria com um “bendita” ou “bem aventurada” não há porque maximizar as palavras da prima e dizer daí que Maria foi a única mulher digna de tal saudação. Veja Mt 5.1-11 – “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

    Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.
    Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
    Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa” ( grifos acrescentados )

    Não podemos deixar de mencionar também uma outra mulher que chamou Maria de Bem-aventurada. Vejamos Lc 11.27-28 – “Ora, enquanto ele ( Jesus ) dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste. Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam”. Se a saudação de Isabel valida uma posição divina para Maria, Jesus diz que mais do que Maria seriam todos os demais que obedecem a Deus.

    A origem da Rainha dos Céus

    O título de Rainha dos Céus teve uma origem totalmente pagã e há que se levar em conta a “coincidência” de informações e concluir que há um certo sincretismo pagão e pecaminoso.

    Um artigo baixado da Internet que trata do Natal, nos fornece informações valiosas sobre a Rainha dos Céus.

    “Ninrode, neto de Cão, filho de Noé, foi o verdadeiro fundador do sistema babilônico que até hoje domina o mundo – Sistema de Competição Organizado – de impérios e governos pelo homem, baseado no sistema econômico de competição e de lucro. Ninrode construiu a Torre de Babel, a Babilônia primitiva, a antiga Nínive e muitas outras cidades. Ele organizou o primeiro reino deste mundo. O nome Ninrode, em Hebraico, deriva de ‘Marad’ que significa ‘ele se rebelou, rebelde’.

    Sabe-se bastante de muitos documentos antigos que falam deste indivíduo que se afastou de Deus. O homem que começou a grande apostasia profana e bem organizada, que tem dominado o mundo até hoje. Ninrode era tão perverso que se diz que casou-se com sua mãe, cujo nome era Semíramis. Depois de sua morte prematura, sua mãe-esposa propagou a doutrina maligna da sobrevivência de Ninrode como um ente espiritual. Ela alegava que um grande pinheiro havia crescido da noite para o dia, de um pedaço de árvore morta, que simbolizava o desabrochar da morte de Ninrode para uma nova vida.

    Todo ano, no dia de seu aniversário de nascimento ela alegava que Ninrode visitava a árvore ‘sempre viva’ e deixava presentes nela. O dia de aniversário de Ninrode era 25 de dezembro, esta é a verdadeira origem da ‘Árvore de Natal’!

    Por meio de suas artimanhas e de sua astúcia, Semíramis converteu-se na ‘Rainha do Céu’ dos Babilônicos, e Ninrode sob vários nomes, converteu-se no ‘Divino Filho do Céu’.

    Por gerações neste culto idólatra. Ninrode passou a ser o falso Messias, filho de Baal: o deus-Sol. Nesse falso sistema babilônico, ‘a mãe e a criança’ ou a ‘Virgem e o menino’ (isto é, Semíramis e Ninrode redivivo), transformaram-se em objetos principais de adoração.

    Esta veneração da ‘virgem e o menino’ espalhou-se pelo mundo afora; o presépio é uma continuação do mesmo, em nossos dias, mudando de nome em cada país e língua. No Egito chamava-se Isis e Osiris, na Ásia Cibele e Deois, na Roma pagã Fortuna e Júpiter, até mesmo na Grécia, China, Japão e Tibete encontra-se o equivalente da Madona (minha dona ou minha senhora), muito antes do nascimento de Jesus Cristo!

    Portanto durante os séculos quarto e quinto, quando centenas de milhares de pagãos do mundo romano adotavam o novo ‘cristianismo popular’ levando consigo as antigas crenças e costumes pagãos, cobrindo-os sobre nomes cristãos, popularizou-se também a idéia da ‘virgem e o menino’ ( Maria após o nascimento de Jesus, manteve relações íntimas com seu marido segundo as escrituras – Mateus 1:24-25 – ‘E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.’ Dizer que ela permaneceu virgem é um reflexo claro desta doutrina satânica pagã ) especialmente durante a época do Natal. Os postais de Natal, as decorações e representações, do presépio, as músicas da noite de Natal, como seu tema ‘Noite Feliz’, repetem ano após ano esse tema popular da ‘virgem e o menino'”.

    Podemos tecer mais algumas considerações. O Evangelho de Marcos foi escrito por volta do ano50 d.C., 20 anos após a ressurreição de Cristo. Por que ele não falou nada sobre a morte, a ressurreição e ascensão de Maria. João escreveu seu Evangelho por volta de 85-90 d.C. Há que se levar em conta que ele ficou responsável por cuidar de Maria, Jo 19.27. Por que também ele foi tão relapso a respeito ?De acordo com o Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho, Maria se casou com cerca de 16 ou 17 anos. Jesus nasceu quando ela tinha 18. Se somarmos à data mais recuada do evangelho de João, 85 d.C., teremos Maria com 121 anos. Se Maria Ganhou tanta proeminência a ponto de ser tida como a Rainha dos Céus, por que João não fala nada a respeito ? Por que nenhum historiador, cristão ou não, que viveu até tal data, ou um pouco mais, deixou de registrar acontecimento tão importante.

    Um argumento fraco, mas que deve ser levado em consideração é que naquela época raríssimas mulheres chegavam a idade tão avançada. Há uma grande possibilidade de Maria ter morrido antes de João, já que há indícios de que o apóstolo chegou a regressar do exílio em Patmos e fixar residência em Éfeso. Como Apocalipse foi escrito em Patmos, em não menos de 90 d.C., e há também indícios de que João ainda vivia em 107 d.C., como ele pôde “abandonar” assim a Mãe de Jesus depois da recomendação do Mestre ? Será que Maria viveu pelo menos até depois da morte de João, com 143 anos no mais completo anonimato ???

    Os Católicos recorrem às tradições para explicar coisas quando elas não têm fundamento bíblico. Se ao chegar a este ponto, você leitor, usar deste artifício, nada posso dizer mais. Quanto a mim, entre ficar com uma tradição, que não possui documento, ainda que histórico, confiável, prefiro ficar com o que a Bíblia diz.

    Jesus versus Maria

    Foi muito oportuna a matéria publicada pela revista Defesa da Fé, do Instituto Cristão de Pesquisas ( http://www.backnet.com.br/icp, e-mail: icp.sp@zaz.com.br, tel. (011)7396-1565 ), “Odeiam os evangélicos Maria, mãe de Jesus ?” Ali há uma séria de comparações acerca do que os Católicos Romanos dizem sobre Maria mas que a Bíblia os atribui a Jesus. Ei-los abaixo:

    De acordo com a revista, as citações sobre o que diz a Igreja Católica foram extraídas do livro “‘Glórias de Maria’/ Santo Afonso Maria de Liguori, versão da 11a edição italiana pelo Pe. Geraldo Pires de Souza – 3a edição, Aparecida, SP; Editora Santuário, 1989”.

    Diz a Igreja Católica, Diz a Bíblia

    “Maria, âncora da Salvação”. Jesus, âncora da salvação – I Tm 1.1; At 4.12

    “Confiança em Maria” Confiança em Jesus – Ef 1.21-23

    “Maria é a Rainha da Misericórdia”. Jesus é o Sumo-Sacerdote de quem recebemos misericórdia – Hb 4.15-16

    “Maria, protetora dos pecadores”. Jesus, o Salvador dos Pecadores – Hb 7.25; Jo 6.37

    “Maria sofreu por nós” Jesus sofreu por nós – Hb 10.12-14

    “Maria não pode deixar de nos amar Jesus é quem tem o maior amor – Jo 15.13

    “Maria deu sua vida por nós”. Jesus deu a vida por nós – Rm 5.8; I Jo 3.16;Jo 10.15

    “Maria, portadora da graça “. Jesus é o portador exclusivo da graça – Jo 1.17

    “Perdão de Pecados por intercessão de Maria” Perdão de Pecados é obra exclusiva de Jesus- I Jo 1.7; 2.12

    “Maria acolhe os pintinhos sob suas asas” Jesus acolhe os pintinhos sob suas asas – Mt 23.37

    “Maria, o caminho da Salvação” Jesus, o caminho da Salvação – Jo 14.6; AT16.30

    “Maria é nosso conforto – …Como fogem os demônios à presença de N.Sª” Jesus é o nosso conforto – Mt 11.28; Mc 16.17 ” em meu nome expelirão demônios”

    “Maria é nosso auxílio no tribunal divino” Jesus é nosso auxílio – I T 1.1,15

    “Maria é a esperança de todos os homens” Jesus é a esperança de todo os homens – At

    “Maria, nossa advogada” Jesus é nosso advogado – I Jo 2.1

    “Maria, nossa redentora” Jesus, nosso redentor – Jo 6.37; I Tm 2.6

    “Maria é onipotente” Jesus é onipotente – Mt 28.18; Ap 1.8

    “Maria esmagou a cabeça da serpente” Jesus esmagou a cabeça da serpente – Lc 10.17,19; Rm 16.20

    “Maria, coluna de nuvem e fogo” Jesus, coluna de nuvem e fogo – Jo 1.9; 8.12

    “Toda honra deve ser tributada a Maria” Toda honra deve ser tributada a Jesus – Jo5.23; Ap 5.11,12

    “Maria, nossa medianeira” Jesus, nosso único mediador – Jo 14.6; I Tm 2.5

    “Maria concebida sem pecado” Jesus o único concebido sem pecado – Lc 1.46; Gl 3.22; Hb 7.26; Rm 3.10; 6.23;

    “Maria, Rainha do céu” Jesus é o rei dos reis – Jr 7.18; I Co 8.5-6; I Tm 6.14-15

    Os Irmãos de Jesus

    O Dr. John D. Davis diz o seguinte sobre o tema: “Relação de parentesco atribuída a Tiago, José, Simão e Judas, Mt 13.55; Mc 6.3, que aparecem em companhia de Maria, Mt 12.47-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21, foram juntos para Cafarnaum no princípio da vida pública de Jesus, Jo 2.12, mas não creram nele senão no fim da sua carreira, Jo 7.4-5.

    Depois da ressurreição, eles se acham em companhia dos discípulos, At 1.14 e mais tarde os seus nomes aparecem na lista dos obreiros cristãos, I Co 9.5. Tiago, um deles, salientou-se como líder na Igreja de Jerusalém, At 12.17; 15.13; Gl 1.19; 2.9, e foi autor da epístola que traz o seu nome. Em que sentido eram eles irmãos de Jesus?

    Tem sido assunto de muitas discussões. Nos tempos antigos julgava-se que eram filhos de José, ( marido de Maria ) do primeiro matrimônio. O seu nome não aparece mais na história do evangelho. Sendo José mais velho que Maria, é provável que tivesse morrido logo e que tivesse casado antes. Esta opinião é razoável, mas em face das narrativas de Mt 1.25; e Lc 2.7 não é provável. No quarto século, S. Jerônimo deu outra explicação, dizendo que eram primos de Jesus, pelo lado materno, filhos de Alfeu ou Cléofas com Maria, irmã da mãe de Jesus. Esta explicação se infere, comparando Mc 14.40 com Jo 14.25, e a identidade dos nomes Alfeu e Cléofas.

    Segundo esta idéia, Tiago, filho de Alfeu, e talvez Simão e Judas, contados entre os apóstolos, fossem irmãos de Jesus. Porém, os apóstolos se distinguem dos irmãos, estes, nem ao menos, criam nele, e não é provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Outra idéia muito antiga é que eles eram primos de Jesus pelo lado paterno e outros ainda supõem que eram filho da viuva ou irmão de José, Dt 25.5-10. Todas estas opiniões ou teorias, parecem ter por fim sustentar a perpétua virgindade de Maria. O que parece mais provável e mais natural é que eles eram filhos de Maria depois do nascimento de Jesus. Que esta teve mais filhos é claramente deduzido de Mt 1.25; Lc 2.7 que explica a constante associação dos irmãos do Senhor com Maria.”1

    O Pe. Paulo H.M. Filho, em seu livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria” refuta os demais filhos com uma certa conta matemática. Ela diz que Maria teve Jesus com 18 anos. Cita Lc 2.41-52 dizendo que até aos 12 anos de Jesus, este era seu único filho.

    Diz também que o possível último filho nasceu quando Maria tinha 48 anos e conclui que isto seria um absurdo.

    Vejamos: a Bíblia não fala que Jesus era o único filho no episódio de Lc 2.41-52. ela simplesmente omite, daí é razoável achar que estes irmão ( pelo menos dois ou três ) já existissem. Por outro lado, não é nenhum absurdo achar que Maria não pudesse conceber aos 48 anos. Sara, mulher de Abraão deu à luz Isaque com 91 !A Virgindade de Maria

    Alguns textos totalmente fora de seu contexto são citados para “provar” a eterna virgindade de Maria. Não quero aqui estender o assunto, até porque já está provado que os irmãos de Jesus não eram primos, eram irmãos mesmo.

    Dizer que o ventre santo de Maria iria se macular por outra gravidez, é uma idéia ascética e puritana. Afinal, o sexo foi criado por Deus e, dentro do matrimônio, ele é abençoado pelo Pai, Hb 13.4.

    Não há a mínima base Bíblica para se afirmar tal fato. O que existe é uma base pagã para mostrar que essa idéia é distorcida, e, digamos, perigosa, como já foi visto um pouco mais atrás.

    Mariolatria

    Os Católicos não aceitam quando dizemos que adoram Maria, mas é isto que se vê quando analisamos o que se diz sobre Maria no meio católico e as inúmeras invocações a ela. ÊXODO 20.1-7 “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

    Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.

    Os Católicos dizem que não adoram Maria, mas no livro Orações de Poder, da editora Raboni, encontramos um grande número de orações e invocações, não só a Maria, mas a um outro tanto número de “santas”. Expressões de louvor como “mãe de Deus”, “santa”, “imaculada”, “excelsa” permeiam todo o livro.

    Imagem e fotos de Maria são colocadas em vários lugares. Procissões carregando imagens de Maria são comuns em todas as partes do país. Maria é invocada em todas as igrejas locais católica. O que é isso senão idolatria ? Como interpretar estas atitudes de católicos à luz de Ex 20 ?

    Citam os católicos a imagem da serpente, que Moisés levantou no deserto. Esquecem que o episódio não foi para adorarem a serpente. Ela era um tipo de Cristo, que deveria ser levantado numa cruz. Quando os israelitas passaram a adorar a serpente, veja o que fez o Rei Ezequias em II Rs 18.4 “Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.

    Ainda é tempo de os católicos fazerem o mesmo. Não gostaria que todos os católicos “virassem crentes”, mas sim que conhecessem a verdade e a ensinassem como a Bíblia diz.

    Para terminar, li em algum lugar que uma certa feita, um grupo de certos profissionais liberais, em sua associação comentavam que achavam um absurdo a Igreja Católica ensinar sobre a virgindade de Maria. Neste ínterim, eis que um colega que a tudo ouvia interrompe dizendo que este absurdo já durava 20 séculos, calando assim os críticos.

    Se eu estivesse lá, diria ao nobre colega: meu amigo, como Católico que você é, diga-me o que acha de consulta aos mortos ? Talvez ele me citasse Dt 18.10-12.

    Pois é, concluiria eu, este absurdo de consulta a mortos já dura muito mais de 20 século. Não é por durar muitos anos, que uma mentira passa a ser verdade.

    A revista já citada termina de uma maneira que gostaria de fazer minhas as palavras dela:

    “Somos inimigos da Maria bíblica ?

    A resposta só pode ser uma: NÃO.

    Cabe aqui a citação de Paulo em Gálatas 4.16:

    ‘Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade'”

  11. Jesus É A VERDADE QUE LIBERTA..
    5 de Janeiro de 2012 às 16:19 Responder & darr;

    Autor do texto: William Bottazzini DEPOIS QUE LI SOBRE O AUTOR MISERICÓRDIA…E VC POSTAR UMA MATÉRIA DESSE HEREGE? TENTANDO CONTEXTUALIZAR A HERESIA ROMANA?
    INTELECTUAL?
    Nome: William Bottazzini Rezende
    Enviada em: 20/12/2009
    Local: Pouso Alegre – MG, Brasil
    Religião: Católica
    Escolaridade: Superior incompleto
    Profissão: Professor

    1. Jesus É A VERDADE QUE LIBERTA..
      5 de Janeiro de 2012 às 16:22 Responder & darr;

      A VERDADE SOBRE MARIA
      Introdução

      Leia isto primeiro

      A propósito do livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria”, de autoria do Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho onde ele defende a posição Católica a respeito da Mãe de Jesus, resolvi escrever este livro, mostrando a concepção bíblica quanto a Maria.

      Se você, leitor, for um Católico, gostaria que lesse o livro até o fim, principalmente se você conhece o trabalho do Pe. Paulo, pois assim poderá fazer um julgamento mais profundo, conhecendo “os dois lados da moeda”.

      Uma certa vez ouvi um adágio mais ou menos assim: “em toda discussão existe sempre a sua versão, a versão do outro e a verdade.” Por isso animo-o tentar descobrir a verdade. Até porque, se a posição protestante-evangélica for a errada, você terá mais segurança no que crê.

      Ao final do livro coloquei um apêndice com todos os versículos bíblicos importantes, para, caso você não esteja com uma Bíblia em mãos, possa consultar a referência sem maiores dificuldades. Lembre-se, devemos sempre fazer como os cristãos de Beréia em At 17.10-11 “E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim (grifo acresc.).

      Em nenhum momento meu desejo é ofender a fé de ninguém. Procurei ser o mais simples possível e, se em algum momento uma palavra do livro lhe parecer rude, por favor queira me perdoar.

      Que Deus possa nos abençoar e que a cada dia “conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra.” – Os 6.3.

      O que é Deus

      Pode parecer estranho dizer o que é Deus ao invés de quem é Deus, mas é isso mesmo que precisamos saber antes de mais nada.

      Nós, cristãos evangélicos e católicos, acreditamos na Trindade, ou seja, na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo o nosso Deus. Mas este fato tem sido ponto de muita polêmica e confusão pelo mau entendimento que se tem, por parte de alguns, acerca da Trindade.

      Não é fácil de explicar, muito menos de entender quando a Bíblia fala que há um só Deus ( Dt 6.4; I Tm 2.5a, Rm 3.30, I Co 8.6, Ef 4.6.) e nós dizemos que eles são três.

      Como explicar que há um só Deus em três pessoas distintas, Pai Filho e Espirito Santo.
      Vamos aprender, primeiramente o que é uma pessoa e depois o que é uma pessoa divina. Ai então aprenderemos que a Trindade não é nenhum absurdo.

      O que é uma pessoa ? Uma árvore é uma pessoa ? Um cachorro é uma pessoa ?

      Deus é uma pessoa ? E os homens, são pessoas ? Qual a diferença entre uma pessoa e uma “não-pessoa” ?

      Todos estes acima são seres. Temos aí ser humano, ser divino, ser animal e ser vegetal. Para que um ser seja considerado pessoa ele tem que reunir ao mesmo tempo três características: sentimento, vontade (volição) e intelecto.

      A árvore, todos concordam, pode até possuir sentimento, mas com certeza não possui intelecto nem vontade. O cachorro possui sentimento e vontade, mas não intelecto.

      Veja, não faça confusão entre instinto e intelecto. Se os animais tivessem intelecto eles seriam capazes de aprender matemática, por exemplo.

      Sobraram dois seres para serem analisados: Deus e os homens. Quanto aos homens nenhuma dúvida. Você, e todos nós possuímos as três características, mas e Deus ?

      Para não ser muito extenso, concluo que todos os leitores não tenham dúvida quanto a personalidade do Pai. Ele tem intelecto, sentimento e vontade. O mesmo se pode dizer de Jesus, que viveu na terra como um homem comum, por isso possui os três atributos de pessoas. Fica um pouco de dúvida em relação ao Espírito Santo, porém vejamos:

      Intelecto: I Co 2.10-11, Jo 14.26

      Sentimento: Ef 4.30

      Vontade: I Co 12.11, At 8.29; 13.4

      Outra categoria de pessoa é a dos anjos, pois eles também possuem intelecto ( I Pe 1.12 ), sentimento ( Lc 2.13 ) e vontade (Jd 6 ).

      Conclusão:

      Encontramos três classes de pessoas: pessoa humana; pessoa angelical; pessoa divina. A classe de pessoa humana é formada por cerca de 6 bilhões de seres humanos ( esta é a estimativa da população da terra hoje ). A classe de pessoa angelical é formada por “miríades de anjos” ( Hb 12.22 ) Veja ainda Ap 5.11 “E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares”. No entanto, a classe de pessoa divina é formada por três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

      Agora poderemos esclarecer ainda outro detalhe: a questão da divindade. Seriam três deuses, já que provamos serem três pessoas distintas ? As características para uma pessoa ser considerada divina são: Onisciência ( ter todo o conhecimento, do passado, presente e futuro), Onipresença ( estar presente em todo lugar ao mesmo tempo ) e Onipotência ( possuir todo o poder ) e ainda a Eternidade (nunca ter tido princípio nem terá fim ). Mais uma vez, para não ser extenso, não vamos detalhar sobre a pessoa do Pai. Vamos nos deter na pessoa do Filho e do Espírito.

      Com isso chegamos finalmente à conclusão final: o Deus dos cristãos é formado por três pessoas divinas. Esta conclusão é importante pois somente estas três são divinos. Ninguém mais é.

      A despeito de serem três pessoas, não são três deuses. A dificuldade está no fato de, talvez, usarmos a palavra Deus quando nos referimos ao Pai e também quando nos referimos às pessoas da Trindade. Mas quando olhamos para exemplos humanos, o entendimento fica mais fácil.

      Quantos governos de nível federal o país tem? Apenas um. O Brasil só tem um governo federal, no entanto ele é formado por vários homens. Um presidente, vários ministros, etc. Entretanto, é comum nos referirmos ao presidente como o governo. Ex.: O governo está aumentando impostos. Quando vemos um casal e seus filhos ( um ou mais ) dizemos que eles são uma família, a despeito de serem, no mínimo, três pessoas diferentes.

      A natureza nos fornece um exemplo bastante claro. A água, formada pelos elementos químicos hidrogênio e oxigênio ( H2O ) se apresenta em três estados: líquido, gasoso e sólido. A essência é única, mas podemos ver três estados distintos. Por último, a palavra pai se refere ao homem que tem filhos. Mas a palavra pais, tanto pode ser o plural de pai como estar se referindo ao homem e a mulher que tiveram um filho.

      Quando dirijo ao Pai com a palavra Deus, é como se estivesse falando do meu pai.

      Quando me dirijo à Trindade, ou a uma das outras duas pessoas dela, seria como se eu falasse: meus pais são uma bênção ( ou seja, minha mãe e meu pai juntos ).Idolatria

      A definição mais singela para idolatria é: colocar no lugar de Deus qualquer outra coisa.

      Acredito que não há um só cristão que não concorde com esta afirmativa e é aqui que começa a diferença entre os católicos e protestantes. Os católicos se ofendem quando são chamados de idólatras, e se defendem com muitos argumentos, mas também não se pode negar que existe uma espécie de idolatria secularizada entre muitos evangélicos. Dizer que todos os católicos são idólatras é generalizar, bem como dizer que nenhum evangélico não é idólatra.

      Como o ponto central deste trabalho é falar sobre a pessoa de Maria, a mãe de Jesus, vamos nos deter a ela, tomando o cuidado de não nos desviarmos para outros assuntos. Por outro lado, a intenção não é ofender nem denegrir o caráter e a pessoa de Maria. Ele é sem dúvida a mais bem aventurada mulher que já passou pela face da terra. Ela deve ser imitada e considerada com mais alta estima , porém, o que passar disso é idolatria.

      As Marias

      O NT fala de seis Marias: 1- Maria, mãe de Jesus; 2- Maria, mulher de Cléopas; 3- Maria Madalena; 4- Maria de Betânia, irmã de Lázaro e Marta; 5- Maria, mãe de João Marcos, primo de Barnabé; 6- Maria de Roma. Vamos ver o que a Bíblia fala de cada uma delas, começando pelas últimas.

      Maria de Roma. Designada “de Roma” pelo simples fato de ser mencionada em Rm. 16.6 como membro da Igreja em Roma, e que tinha servido muito àquela Igreja. Nada mais se diz desta Maria.

      Maria, mãe de Marcos, primo de Barnabé. At 12.12 cf Cl 4.10. A única coisa que se pode dizer desta Maria é que ela cedia sua casa para reuniões de oração. Decerto era uma mulher piedosa e muito fiel.

      Maria, irmã de Lázaro e Marta. Lc 10.38-42; Jo 11. As referências bíblicas desta Maria são conclusivas, e não há nada que se precise acrescentar. Esta Maria era sem dúvida, uma das mais dedicadas ouvinte de Jesus.

      Maria Madalena. Esta foi a mulher de quem Jesus expulsou 7 demônios, Mc 16.9; Lc 8.2. Nascida em Magdala, daí o nome Madalena, estava sempre em companhia das outras duas Marias, a mãe de Jesus e a mulher de Cléopas.

      Maria, mulher de Cléopas. Esta é a Maria confundida como sendo irmã da Maria, mãe de Jesus. Jo 19.25. Ela era mãe de Tiago, o menor, e José, Mt 27.56; Mc15.40; Lc 24.10.

      Infelizmente, por causa da coincidência de nomes, ficou “fácil” fazer as confusões em relação ao tema. Por isso vamos ter que ver quantos Tiagos e quantos Josés a Bíblia fala. Mas, antes de prosseguir, fica já aqui a primeira pergunta: por que os pais de Maria, mãe de Jesus e Maria, mulher de Cléopas poriam o mesmo nome nas duas filhas, caso elas fossem mesmo irmãs ?

      Os Josés

      Da mesmas forma como são vários Tiagos, a Bíblia fala de muitos Josés. No NT temos:

      1. José, esposo de Maria, Mt 1.16; Lc 3.23.

      2. José de Arimatéia, e membro do Sinédrio. Reclamou o corpo de Jesus para sepultá-lo após a sua morte, Mt 27.57-60;Mc 15.43; Lc 23.50-53; Jo 19.38

      3. José Justo, também chamado de Barsabás ( filho de Sabás ). Foi um dos indicados para assumir a vaga de Judas Iscariotes, At 1.21-26.

      4. José de Antioquia, mais conhecido por Barnabé, amigo íntimo de Paulo, At 4.36.

      5. José, irmão de Tiago, filho de Maria, mulher de Cléopas, Mt 27.56; Mc 15.40; Jo 19.25.

      6. José, irmão de Jesus e filho de Maria, Mt 13.55.Os Tiagos

      O NT nos fala de quatro Tiagos diferentes:

      1.Tiago, filho de Zebedeu. Mt 4.21; 10.2; Mc 1.19; 3.17. Foi um dos primeiros discípulos e um dos mais chegados. Era sócio dos irmãos Pedro e André num negócio de pescaria, Lc 5.10 e foi este Tiago que morreu à espada, a mando de Herodes Agripa I, At 12.2.

      2. Tiago, filho de Alfeu ( Cléopas ou Cleofas são variações do nome Alfeu ). É o segundo Tiago nas listas dos 12 apóstolos, Mt 10.2-4; Mc 3.16-19; Lc 6.14-16.

      3. Tiago, pai ou irmão do apóstolo Judas, não o Iscariotes, Lc 6.16; At 1.13.

      4. Tiago, filho de Maria, mãe de Jesus. Mt 13.55-58; Mc 6.3. Tornou-se proeminente líder da Igreja apostólica e escreveu a epístola de Tiago. Gl 1.19 nos diz: “Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor”. Este testemunho de Paulo é importante, pois ele não trata a ninguém mais com esta forma “irmão do Senhor”, além de distinguir este irmão dos demais apóstolos-irmãos

      É verdade que a palavra irmão tem vários significados, porém, quando não há pontos em comum, duas pessoas não se consideram irmãs. É possível que eu trate por irmão um estranho pelo simples fato dele torcer pelo mesmo time que eu. Mas, ainda que seja alguém muito chegado, se ele torcer por outro time, eu nunca o tratarei como irmão. É preciso haver algum ponto de identificação.

      No texto de Jo 7.1-5, ( “Depois disto andava Jesus pela Galiléia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

      Pois nem seus irmãos criam nele” ) ( grifos acrescentados ), é claro quando João reproduz a fala de algumas pessoas, às quais ele chama de irmãos de Jesus. Pelo contexto e pelo modo de falar destes, o único sentido da palavra irmão é que só podiam ser irmãos de Jesus no sentido de serem filhos de mesmos pais.

      É preciso analisar cuidadosamente o modo de falar: “teus discípulos vejam…” Esses que falavam com Jesus parece que não eram seguidores do Mestre; não se identificavam com ele. Portanto a palavra irmãos, neste texto pede um único significado: irmãos, filhos de mesmos pais.

      Vejamos mais um texto, At 1.12-14 – “Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

      Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” ( grifos acrescentados ).

      Aqui o evangelista Lucas faz questão de distinguir as demais mulheres de Maria; os apóstolos dos irmãos de Jesus. Se Lucas não tivesse se referindo ao sentido de irmãos como filhos de mesmos pais, por que esta forma de escrever? Devemos levar em consideração que Lucas já tinha em mente as diferenças de sentido da palavra irmãos, pois ele mesmo escreveu as palavras de Jesus em seu Evangelho, capítulo 8.19-21 “Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.Maria, Mãe de Jesus

      Como já disse anteriormente, a maioria dos evangélicos têm Maria na mais alta estima, considerando-a a mais bem aventurada de todas as mulheres. A diferença é que nós não a adoramos como sendo aquilo que ela não é.

      Infelizmente alguns evangélicos mais eloqüentes acabam exacerbando o tema e assim ofendendo a fé Católica. Não é este o objetivo deste trabalho. A bem da verdade muitos evangélicos partem para outro extremo, banalizando a pessoa de Maria.

      Vamos ver o que Jesus falava de sua mãe.

      Mt 12.46-50 “Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo. Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? e quem são meus irmãos ? E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

      Mc 3.31-35 “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos! E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

      Lc 8.19-21 “Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

      O que vemos nestes textos é a chegada de Maria com seus filhos legítimos tentando falar com Jesus. A tradição Católica afirma que estes eram primos de Jesus, filhos de Maria Cléopas. Já mostramos anteriormente que esta Maria Cléopas não era a irmã de Maria, mãe de Jesus. É importante que para concluir isto você leia todos os textos citados referindo-se aos dois filhos de Cléopas, Tiago e José, para confirmar esta afirmação.

      A base para se dizer que eram primos de Jesus está nas últimas palavras de Jesus, quando ele aponta para todos os presentes e diz que todos eram seus irmãos, desde que fizessem a vontade do Pai. Se acompanharmos esta linha de raciocínio, somos obrigados a aplicá-la também a Maria. E o que Jesus diz? Qualquer mulher é igual a Maria, ou se olharmos por outro ponto de vista (perdoe-me, mas não quero ofender ninguém) Jesus rebaixa Maria a uma mulher comum. “Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam”.

      Deixe-me através da comparação de três versículos mostrar que a irmã de Maria é Salomé, e não Maria Cléopas.

      Uma das mais “chatas” passagens para explicar é o episódio da bodas de Caná. Os Católicos afirmam que ali está a prova de que Maria é a intercessora dos homens.

      Mas, muito mais esclarecedor são as palavras de Jesus. Jo 2.1-4 é traduzido assim por uma edição Católica publicada pelo Círculo do Livro. “No terceiro dia houve umas bodas em Caná da Galiléia e estava presente a mãe de Jesus. Também fora convidado para a festa de casamento Jesus com seus discípulos. Tendo acabado o vinho, disse a mãe para Jesus: ‘eles não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, o que há entre mim e ti ?'”. ( grifos acrescentados )

      A nota de rodapé desta mesma edição diz: “(…) A resposta, segundo outros paralelos bíblicos, significa divergência de interesses e mesmo recusa; agora, na vida pública, Jesus não pode mais obedecer à sua mãe como em Nazaré. Também os sinópticos relatam respostas semelhantes que significam o tempo de separação entre Mãe e Filho.” (grifos acrescentados).

      Também comenta a nota de rodapé da Tradução Ecumênica: “…em certos contextos isto pode significar: por que te intrometes ? … Ela indica diferença de planos entre os interlocutores. Efetivamente, a ação de Jesus vai situar-se num nível que ultrapassa muitíssimo o nível que Maria devia normalmente ter em vista.”

      Pode-se deduzir deste comentário, com clareza, que Maria não foi muito feliz quando tentou assumir o papel de intercessora dos homens, papel este que cabe a Jesus, exclusivamente.

      A Bíblia é conclusiva quando diz: “porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” – I Tm 2.5.O Magnificat

      Lucas 1.46ss – “Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome. E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações; depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.

      Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos. Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre. E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa”.

      Entres o evangélicos mais sérios, nunca se discutiu a posição honrosa de Maria, mas os Católicos se utilizam desta passagem para endeusar a mãe de Jesus. Se Maria fosse Imaculada sem pecado desde o ventre de sua mãe, porque ela mesmo testemunha que precisa de um Salvador ?

      Quando Isabel saúda Maria com um “bendita” ou “bem aventurada” não há porque maximizar as palavras da prima e dizer daí que Maria foi a única mulher digna de tal saudação. Veja Mt 5.1-11 – “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

      Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.
      Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
      Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa” ( grifos acrescentados )

      Não podemos deixar de mencionar também uma outra mulher que chamou Maria de Bem-aventurada. Vejamos Lc 11.27-28 – “Ora, enquanto ele ( Jesus ) dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste. Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam”. Se a saudação de Isabel valida uma posição divina para Maria, Jesus diz que mais do que Maria seriam todos os demais que obedecem a Deus.

      A origem da Rainha dos Céus

      O título de Rainha dos Céus teve uma origem totalmente pagã e há que se levar em conta a “coincidência” de informações e concluir que há um certo sincretismo pagão e pecaminoso.

      Um artigo baixado da Internet que trata do Natal, nos fornece informações valiosas sobre a Rainha dos Céus.

      “Ninrode, neto de Cão, filho de Noé, foi o verdadeiro fundador do sistema babilônico que até hoje domina o mundo – Sistema de Competição Organizado – de impérios e governos pelo homem, baseado no sistema econômico de competição e de lucro. Ninrode construiu a Torre de Babel, a Babilônia primitiva, a antiga Nínive e muitas outras cidades. Ele organizou o primeiro reino deste mundo. O nome Ninrode, em Hebraico, deriva de ‘Marad’ que significa ‘ele se rebelou, rebelde’.

      Sabe-se bastante de muitos documentos antigos que falam deste indivíduo que se afastou de Deus. O homem que começou a grande apostasia profana e bem organizada, que tem dominado o mundo até hoje. Ninrode era tão perverso que se diz que casou-se com sua mãe, cujo nome era Semíramis. Depois de sua morte prematura, sua mãe-esposa propagou a doutrina maligna da sobrevivência de Ninrode como um ente espiritual. Ela alegava que um grande pinheiro havia crescido da noite para o dia, de um pedaço de árvore morta, que simbolizava o desabrochar da morte de Ninrode para uma nova vida.

      Todo ano, no dia de seu aniversário de nascimento ela alegava que Ninrode visitava a árvore ‘sempre viva’ e deixava presentes nela. O dia de aniversário de Ninrode era 25 de dezembro, esta é a verdadeira origem da ‘Árvore de Natal’!

      Por meio de suas artimanhas e de sua astúcia, Semíramis converteu-se na ‘Rainha do Céu’ dos Babilônicos, e Ninrode sob vários nomes, converteu-se no ‘Divino Filho do Céu’.

      Por gerações neste culto idólatra. Ninrode passou a ser o falso Messias, filho de Baal: o deus-Sol. Nesse falso sistema babilônico, ‘a mãe e a criança’ ou a ‘Virgem e o menino’ (isto é, Semíramis e Ninrode redivivo), transformaram-se em objetos principais de adoração.

      Esta veneração da ‘virgem e o menino’ espalhou-se pelo mundo afora; o presépio é uma continuação do mesmo, em nossos dias, mudando de nome em cada país e língua. No Egito chamava-se Isis e Osiris, na Ásia Cibele e Deois, na Roma pagã Fortuna e Júpiter, até mesmo na Grécia, China, Japão e Tibete encontra-se o equivalente da Madona (minha dona ou minha senhora), muito antes do nascimento de Jesus Cristo!

      Portanto durante os séculos quarto e quinto, quando centenas de milhares de pagãos do mundo romano adotavam o novo ‘cristianismo popular’ levando consigo as antigas crenças e costumes pagãos, cobrindo-os sobre nomes cristãos, popularizou-se também a idéia da ‘virgem e o menino’ ( Maria após o nascimento de Jesus, manteve relações íntimas com seu marido segundo as escrituras – Mateus 1:24-25 – ‘E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher; e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.’ Dizer que ela permaneceu virgem é um reflexo claro desta doutrina satânica pagã ) especialmente durante a época do Natal. Os postais de Natal, as decorações e representações, do presépio, as músicas da noite de Natal, como seu tema ‘Noite Feliz’, repetem ano após ano esse tema popular da ‘virgem e o menino'”.

      Podemos tecer mais algumas considerações. O Evangelho de Marcos foi escrito por volta do ano50 d.C., 20 anos após a ressurreição de Cristo. Por que ele não falou nada sobre a morte, a ressurreição e ascensão de Maria. João escreveu seu Evangelho por volta de 85-90 d.C. Há que se levar em conta que ele ficou responsável por cuidar de Maria, Jo 19.27. Por que também ele foi tão relapso a respeito ?De acordo com o Pe. Paulo Horneaux de Moura Filho, Maria se casou com cerca de 16 ou 17 anos. Jesus nasceu quando ela tinha 18. Se somarmos à data mais recuada do evangelho de João, 85 d.C., teremos Maria com 121 anos. Se Maria Ganhou tanta proeminência a ponto de ser tida como a Rainha dos Céus, por que João não fala nada a respeito ? Por que nenhum historiador, cristão ou não, que viveu até tal data, ou um pouco mais, deixou de registrar acontecimento tão importante.

      Um argumento fraco, mas que deve ser levado em consideração é que naquela época raríssimas mulheres chegavam a idade tão avançada. Há uma grande possibilidade de Maria ter morrido antes de João, já que há indícios de que o apóstolo chegou a regressar do exílio em Patmos e fixar residência em Éfeso. Como Apocalipse foi escrito em Patmos, em não menos de 90 d.C., e há também indícios de que João ainda vivia em 107 d.C., como ele pôde “abandonar” assim a Mãe de Jesus depois da recomendação do Mestre ? Será que Maria viveu pelo menos até depois da morte de João, com 143 anos no mais completo anonimato ???

      Os Católicos recorrem às tradições para explicar coisas quando elas não têm fundamento bíblico. Se ao chegar a este ponto, você leitor, usar deste artifício, nada posso dizer mais. Quanto a mim, entre ficar com uma tradição, que não possui documento, ainda que histórico, confiável, prefiro ficar com o que a Bíblia diz.

      Jesus versus Maria

      Foi muito oportuna a matéria publicada pela revista Defesa da Fé, do Instituto Cristão de Pesquisas ( http://www.backnet.com.br/icp, e-mail: icp.sp@zaz.com.br, tel. (011)7396-1565 ), “Odeiam os evangélicos Maria, mãe de Jesus ?” Ali há uma séria de comparações acerca do que os Católicos Romanos dizem sobre Maria mas que a Bíblia os atribui a Jesus. Ei-los abaixo:

      De acordo com a revista, as citações sobre o que diz a Igreja Católica foram extraídas do livro “‘Glórias de Maria’/ Santo Afonso Maria de Liguori, versão da 11a edição italiana pelo Pe. Geraldo Pires de Souza – 3a edição, Aparecida, SP; Editora Santuário, 1989”.

      Diz a Igreja Católica, Diz a Bíblia

      “Maria, âncora da Salvação”. Jesus, âncora da salvação – I Tm 1.1; At 4.12

      “Confiança em Maria” Confiança em Jesus – Ef 1.21-23

      “Maria é a Rainha da Misericórdia”. Jesus é o Sumo-Sacerdote de quem recebemos misericórdia – Hb 4.15-16

      “Maria, protetora dos pecadores”. Jesus, o Salvador dos Pecadores – Hb 7.25; Jo 6.37

      “Maria sofreu por nós” Jesus sofreu por nós – Hb 10.12-14

      “Maria não pode deixar de nos amar Jesus é quem tem o maior amor – Jo 15.13

      “Maria deu sua vida por nós”. Jesus deu a vida por nós – Rm 5.8; I Jo 3.16;Jo 10.15

      “Maria, portadora da graça “. Jesus é o portador exclusivo da graça – Jo 1.17

      “Perdão de Pecados por intercessão de Maria” Perdão de Pecados é obra exclusiva de Jesus- I Jo 1.7; 2.12

      “Maria acolhe os pintinhos sob suas asas” Jesus acolhe os pintinhos sob suas asas – Mt 23.37

      “Maria, o caminho da Salvação” Jesus, o caminho da Salvação – Jo 14.6; AT16.30

      “Maria é nosso conforto – …Como fogem os demônios à presença de N.Sª” Jesus é o nosso conforto – Mt 11.28; Mc 16.17 ” em meu nome expelirão demônios”

      “Maria é nosso auxílio no tribunal divino” Jesus é nosso auxílio – I T 1.1,15

      “Maria é a esperança de todos os homens” Jesus é a esperança de todo os homens – At

      “Maria, nossa advogada” Jesus é nosso advogado – I Jo 2.1

      “Maria, nossa redentora” Jesus, nosso redentor – Jo 6.37; I Tm 2.6

      “Maria é onipotente” Jesus é onipotente – Mt 28.18; Ap 1.8

      “Maria esmagou a cabeça da serpente” Jesus esmagou a cabeça da serpente – Lc 10.17,19; Rm 16.20

      “Maria, coluna de nuvem e fogo” Jesus, coluna de nuvem e fogo – Jo 1.9; 8.12

      “Toda honra deve ser tributada a Maria” Toda honra deve ser tributada a Jesus – Jo5.23; Ap 5.11,12

      “Maria, nossa medianeira” Jesus, nosso único mediador – Jo 14.6; I Tm 2.5

      “Maria concebida sem pecado” Jesus o único concebido sem pecado – Lc 1.46; Gl 3.22; Hb 7.26; Rm 3.10; 6.23;

      “Maria, Rainha do céu” Jesus é o rei dos reis – Jr 7.18; I Co 8.5-6; I Tm 6.14-15

      Os Irmãos de Jesus

      O Dr. John D. Davis diz o seguinte sobre o tema: “Relação de parentesco atribuída a Tiago, José, Simão e Judas, Mt 13.55; Mc 6.3, que aparecem em companhia de Maria, Mt 12.47-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21, foram juntos para Cafarnaum no princípio da vida pública de Jesus, Jo 2.12, mas não creram nele senão no fim da sua carreira, Jo 7.4-5.

      Depois da ressurreição, eles se acham em companhia dos discípulos, At 1.14 e mais tarde os seus nomes aparecem na lista dos obreiros cristãos, I Co 9.5. Tiago, um deles, salientou-se como líder na Igreja de Jerusalém, At 12.17; 15.13; Gl 1.19; 2.9, e foi autor da epístola que traz o seu nome. Em que sentido eram eles irmãos de Jesus?

      Tem sido assunto de muitas discussões. Nos tempos antigos julgava-se que eram filhos de José, ( marido de Maria ) do primeiro matrimônio. O seu nome não aparece mais na história do evangelho. Sendo José mais velho que Maria, é provável que tivesse morrido logo e que tivesse casado antes. Esta opinião é razoável, mas em face das narrativas de Mt 1.25; e Lc 2.7 não é provável. No quarto século, S. Jerônimo deu outra explicação, dizendo que eram primos de Jesus, pelo lado materno, filhos de Alfeu ou Cléofas com Maria, irmã da mãe de Jesus. Esta explicação se infere, comparando Mc 14.40 com Jo 14.25, e a identidade dos nomes Alfeu e Cléofas.

      Segundo esta idéia, Tiago, filho de Alfeu, e talvez Simão e Judas, contados entre os apóstolos, fossem irmãos de Jesus. Porém, os apóstolos se distinguem dos irmãos, estes, nem ao menos, criam nele, e não é provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Outra idéia muito antiga é que eles eram primos de Jesus pelo lado paterno e outros ainda supõem que eram filho da viuva ou irmão de José, Dt 25.5-10. Todas estas opiniões ou teorias, parecem ter por fim sustentar a perpétua virgindade de Maria. O que parece mais provável e mais natural é que eles eram filhos de Maria depois do nascimento de Jesus. Que esta teve mais filhos é claramente deduzido de Mt 1.25; Lc 2.7 que explica a constante associação dos irmãos do Senhor com Maria.”1

      O Pe. Paulo H.M. Filho, em seu livro “Irmãos de Jesus e filhos de Maria” refuta os demais filhos com uma certa conta matemática. Ela diz que Maria teve Jesus com 18 anos. Cita Lc 2.41-52 dizendo que até aos 12 anos de Jesus, este era seu único filho.

      Diz também que o possível último filho nasceu quando Maria tinha 48 anos e conclui que isto seria um absurdo.

      Vejamos: a Bíblia não fala que Jesus era o único filho no episódio de Lc 2.41-52. ela simplesmente omite, daí é razoável achar que estes irmão ( pelo menos dois ou três ) já existissem. Por outro lado, não é nenhum absurdo achar que Maria não pudesse conceber aos 48 anos. Sara, mulher de Abraão deu à luz Isaque com 91 !A Virgindade de Maria

      Alguns textos totalmente fora de seu contexto são citados para “provar” a eterna virgindade de Maria. Não quero aqui estender o assunto, até porque já está provado que os irmãos de Jesus não eram primos, eram irmãos mesmo.

      Dizer que o ventre santo de Maria iria se macular por outra gravidez, é uma idéia ascética e puritana. Afinal, o sexo foi criado por Deus e, dentro do matrimônio, ele é abençoado pelo Pai, Hb 13.4.

      Não há a mínima base Bíblica para se afirmar tal fato. O que existe é uma base pagã para mostrar que essa idéia é distorcida, e, digamos, perigosa, como já foi visto um pouco mais atrás.

      Mariolatria

      Os Católicos não aceitam quando dizemos que adoram Maria, mas é isto que se vê quando analisamos o que se diz sobre Maria no meio católico e as inúmeras invocações a ela. ÊXODO 20.1-7 “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.

      Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.

      Os Católicos dizem que não adoram Maria, mas no livro Orações de Poder, da editora Raboni, encontramos um grande número de orações e invocações, não só a Maria, mas a um outro tanto número de “santas”. Expressões de louvor como “mãe de Deus”, “santa”, “imaculada”, “excelsa” permeiam todo o livro.

      Imagem e fotos de Maria são colocadas em vários lugares. Procissões carregando imagens de Maria são comuns em todas as partes do país. Maria é invocada em todas as igrejas locais católica. O que é isso senão idolatria ? Como interpretar estas atitudes de católicos à luz de Ex 20 ?

      Citam os católicos a imagem da serpente, que Moisés levantou no deserto. Esquecem que o episódio não foi para adorarem a serpente. Ela era um tipo de Cristo, que deveria ser levantado numa cruz. Quando os israelitas passaram a adorar a serpente, veja o que fez o Rei Ezequias em II Rs 18.4 “Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.

      Ainda é tempo de os católicos fazerem o mesmo. Não gostaria que todos os católicos “virassem crentes”, mas sim que conhecessem a verdade e a ensinassem como a Bíblia diz.

      Para terminar, li em algum lugar que uma certa feita, um grupo de certos profissionais liberais, em sua associação comentavam que achavam um absurdo a Igreja Católica ensinar sobre a virgindade de Maria. Neste ínterim, eis que um colega que a tudo ouvia interrompe dizendo que este absurdo já durava 20 séculos, calando assim os críticos.

      Se eu estivesse lá, diria ao nobre colega: meu amigo, como Católico que você é, diga-me o que acha de consulta aos mortos ? Talvez ele me citasse Dt 18.10-12.

      Pois é, concluiria eu, este absurdo de consulta a mortos já dura muito mais de 20 século. Não é por durar muitos anos, que uma mentira passa a ser verdade.

      A revista já citada termina de uma maneira que gostaria de fazer minhas as palavras dela:

      “Somos inimigos da Maria bíblica ?

      A resposta só pode ser uma: NÃO.

      Cabe aqui a citação de Paulo em Gálatas 4.16:

      ‘Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade'”

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