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Prisão de ventre não é doença

Prisão de ventre não é doença

Inchaço na região da barriga, gases e desconforto ou dificuldade na hora de evacuar. Quem nunca passou por essa situação alguma vez ou convive com esses sintomas constantemente?

Esses são sinais comuns para quem tem constipação ou obstipação intestinal, a popular prisão de ventre, que é a dificuldade permanente ou pontual da eliminação das fezes.

Não existe uma regra que define quantos dias sem ir ao banheiro configura o diagnóstico de prisão de ventre. Alguns estudos relacionam a quantidade de dias e o aspecto das fezes para classificá-la. A forma mais simples é observar quando a hora de ir ao banheiro vira um incômodo. “Eu costumo caracterizar como prisão de ventre quando há queixa de falta de vontade de ir ao banheiro ou quando a pessoa tem vontade, mas não consegue evacuar. Tem pessoas que ficam três dias sem ir ao banheiro e sentem muito desconforto, outras que ficam até sete dias e não sentem incômodo nenhum”, explica o Dr. Sidney Klajner, cirurgião geral e gastroenterologista do Einstein.

Frequente em mulheres, a constipação pode acontecer não só por uma questão fisiológica, mas também comportamental. Entre as mulheres, existe uma cultura de não evacuar em qualquer lugar, optando para ir ao banheiro somente em casa. Esse é um hábito incentivado desde a infância, quando somos orientados por nossas mães a não usarmos o banheiro em locais públicos, para evitar a contaminação por possíveis vírus ou bactérias.

Ao inibirmos a vontade de evacuar, porque estamos em uma reunião, no trânsito ou com vergonha, inibimos um reflexo que funciona como um relógio biológico, também responsável pela regulação de funções como o controle da temperatura corporal, a pressão arterial, o sono, a metabolização dos hormônios e também pelo funcionamento do intestino. Essa inibição, por mais que pareça inofensiva, faz com que um próximo estímulo à evacuação só aconteça no dia seguinte e, assim leva à constipação.

Outro fator que contribui para a dificuldade de evacuação é o descuido com a alimentação e o sedentarismo. Por isso, é fundamental priorizar a ingestão de alimentos com fibras, verduras, legumes, frutas com casca, cereais e grãos. “Também é indispensável ingerir ao menos 2 litros de líquidos, que hidratam as fezes e evitam o ressecamento, e praticar exercícios físicos regularmente”, explica o dr. Klajner.

O uso abusivo de substâncias laxativas é outro hábito incorreto, mas bastante comum. Alguns medicamentos agem às custas de irritação e de causar inflamação temporária do intestino. Por isso, o ideal é adequar a dieta para não precisar recorrer a esse tipo de medicamento, que deve ser usado somente com orientação médica. “O uso indiscriminado de laxantes pode causar diarreia, cólicas e até desidratação”, alerta o médico.

Para retomar o bom funcionamento do intestino, além da combinação alimentação, ingestão de líquidos e atividade física, é preciso reeducar o relógio biológico, estabelecendo um horário fixo para a evacuação, de preferência quando não há preocupação com o tempo. Os produtos que têm adição de probióticos (com organismos vivos) também auxiliam na recuperação da flora intestinal e contribuem para o melhor trânsito intestinal.

Na maioria dos casos, a prisão de ventre é apenas um sintoma de um desequilíbrio temporário no organismo, e não uma doença. Mas em algumas situações a causa é fisiológica, podendo ser de origem congênita, como crianças que nascem sem inervação adequada para evacuação (Doença de Hirschsprung) ou adquirida, por meio do “cansaço” das fibras musculares que movimentam o intestino, ou após lesões na musculatura da pelve após, por exemplo, o parto.

Nessas situações, é fundamental procurar o aconselhamento médico, que poderá fazer exames clínicos e laboratoriais para identificar e tratar o problema. Outro aspecto que merece atenção é quando o padrão de evacuação muda repentinamente, principalmente após os 50 anos. “Essa mudança brusca pode indicar doenças como câncer e diverticulite, e merece investigação médica”, alerta o médico.

Fonte: H. I. Albert Einstein

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