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Ficha Limpa: proibido roubar neste estabelecimento.

Ficha Limpa: proibido roubar neste estabelecimento.

“Prezado cliente, não roube as mercadorias da prateleira”. Você já entrou em uma farmácia ou padaria e se deparou com este aviso? Provavelmente não, né? Mas esta é a sensação que transborda minha alma, minhas reflexões e emoções quando penso na lei da Ficha Limpa. Bem longe de mim criticá-la, foi uma conquista social advinda de baixo para cima, do povo para o poder (o povo tem o poder, mas não sabe disso, logo, ele não tem o poder e quando souber que tem vai sofrer por não ter sabido antes, se um dia souber <tá bom, parei>)

Na verdade imploro para que ela, a Lei, guilhotine, sem dó e prolongadamente, as gargantas entupidas de processos e condenações dos políticos pilantras e ladrões deste país. Mas não te dá uma dó de nossa gente? Ao ver que precisará conviver com esta norma tão neandertálica! Lembro-me quando minha professorinha da quarta série dizia para a turma: “nunca pegue o que não é seu, isso é roubo e você não é ladrão”. Não roubar não é uma norma, mas um princípio. Longe de mim, mais uma vez, criticar a Lei da Ficha Limpa, mas impedir estes caras de se candidatar a um cargo político novamente é muito pouco, muito pouco mesmo.

Sabe qual é o nosso problema? É que nós, brasileiros, ainda não temos a dimensão dos estragos que a corrupção proporciona para nossa sociedade. Ela mata, e mata em grandes proporções, quase um genocídio. Gente morrendo nos corredores sombrios dos hospitais por falta de recursos (faltam recursos?), escolas caindo aos pedaços e despedaçando o futuro das crianças por falta de recursos (faltam recursos?), falta de policiais nas ruas sobrando crimes, balas perdidas, assaltos por falta de recursos (faltam recursos?), um monte de viciados, noiados, dependentes químicos por falta de recursos para recuperá-los (faltam recursos?). Fico espremido, sofrendo, suado e melado no Transcol Halley por falta de recursos (faltam recursos?). Não, não, não, não faltam recursos. Falta o recurso ir para seu destino legal. Não sabemos que perdemos por ano 3,5 bilhões de reais para eles, os corruptos e corruptas. Daria para construir 50 mil casas populares no país dos sem teto, e eu aqui de aluguel.  E o fato de não termos esta dimensão sobre a corrupção, ficamos aí, dando puxão de orelha e cortando o vídeo-game dos canalhas. Corrupção deve ser crime hediondo, inafiançável e perpétuo (para não falar em pena de morte). Digo isso porque o assassino mata um, mata dois, mata três, mata até dez. Mas o corrupto mata uma cidade, um povo, um país. Não quero morrer!

Vinicius Simões
Professor de História, Líder Comunitário do Centro de Vitória

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