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Bispo diz que Papa não é infalivel e padre deve casar

Bispo diz que Papa não é infalivel e padre deve casar
 Recém-nomeado arcebispo de Teresina (PI), dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, 65, diz que o discurso do papa “não é infalível”. E, segundo o religioso, “o fato de que, para ser padre, precisa ser também celibatário, é uma disciplina da Igreja [Católica] que pode mudar”. A opinião se choca com recentes declarações de Bento 16 a sacerdotes reformistas que desejam tanto a ordenação de mulheres como o fim da proibição do casamento de religiosos. O papa se refere ao celibato como “imprescindível” e, a essa ala contrária, como “desobediente”.
“O papa não é infalível quando fala tudo. A igreja tem a convicção de que ele é infalível quando fala de fé e moral”, afirma dom Jacinto. Para ele, a mudança de opinião em relação ao celibato é alimentada por vários segmentos da igreja. “Isso é um desejo de muitos bispos.” E mais: “O espírito vai soprar na igreja, e o papa tomará uma decisão oficial, conjunta, de dar as duas alternativas para o Ocidente”, diz, sobre a opção de ser ou não celibatário.
Ligado à Teologia da Libertação, linha que nos anos 80 ligava o catolicismo ao marxismo, dom Jacinto se considera um religioso que defende uma renovação de ideias.(Folha de S.Paulo – Sergio Fontenele)

Fonte: blog do Magno Martins
Postado por Sérgio Ramos/Repórter – 22/09/2012
Contato: felizsramosdecarvalho@yahoo.com.br

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1 Comentário

  1. Assis Rodrigues
    23 de setembro de 2012 às 08:43 Responder & darr;

    “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” (2Pd 1,20). Por causa do risco de se criarem heresias a partir de falsas interpretações da Bíblia, o Espírito Santo inspirou o apóstolo Pedro a escrever o versículo acima. O próprio Cristo já havia advertido contra os erros e os falsos profetas (cf. Mt 24,11.24-25).

    De fato, para proteger a Igreja, e guiar os crentes no caminho da verdade (cf. Jo 16,13), o Espírito de Deus usa de vários recursos. Um deles é a regra de fé e prática contida na Bíblia Sagrada (cf. 2Tm 3,16-17) ? note que a Escritura nunca afirmou ser a única regra de fé e prática. Aceita por todos os cristãos, das mais variadas igrejas e denominações, a Escritura vem, por suas linhas, provar a existência de outro instrumento de proteção do Corpo de Cristo.

    Nem sempre aceito fora dos arraiais romanos, da forma como os Pais da Igreja ensinavam desde os primeiros séculos, a instituição do Primado Petrino constitui a salvaguarda da doutrina bíblica.

    Ao constituir a Igreja Cristã, rompendo com a Sinagoga, o Senhor Jesus estabeleceu um corpo diretivo, um colégio de apóstolos com o dever de ensinar a sã doutrina e interpretar aquilo que a própria Bíblia definiria, anos mais tarde, como não sendo passível de particular opinião dogmática (cf. 2Pd 1,20). Obviamente que, sendo a Escritura um livro para nos guiar no caminho da santificação, ela deve ser lida, entendida e interpretada. Todos, por termos o Espírito Santo, temos acesso à interpretação das palavras contidas no Livro Sagrado.

    Porém, como forma de não sairmos da ortodoxia, devemos estar em unidade com o ?fundamento dos apóstolos? (Ef 2,20). E o que é estar em unidade com os apóstolos, senão adequar as convicções pessoais advindas da leitura e estudo bíblicos ao ensinamento apostólico dos doze ou de seus sucessores, os bispos?

    Para que a doutrina apostólica seja considerada o balizador das questões teológicas, deve-se crer, pela lógica, que ela é dotada de uma graça especial de Deus de infalibilidade.

    Como visto em outros estudos (cf. “Tradição, Sucessão Apostólica e Magistério”), houve um tempo em que a Bíblia não tinha sido plenamente redigida, nem aprovados os livros canônicos. Pela doutrina da infalibilidade da Palavra de Deus, sabemos que, uma vez aprovada num concílio, a Bíblia passou a ser considerada infalível. Mas, no tempo em que só havia Palavra oral, ou seja, doutrina apostólica, como se dava a exposição da verdade? Sem a Bíblia escrita, Deus devia proporcionar uma outra forma de sustentação de Seu Verbo (cf. Jo 1,1), que é eterno.

    E foi pela Tradição, i.e., ensinamento dos apóstolos e de seus sucessores, também infalível. Ou Deus permitiria um tempo de confusão em Seu Povo, justamente no início da pregação do Evangelho?

    Contudo, vez por outra, um apóstolo discordava de outro em questões teológicas (cf. At 15,1-2). Por causa dessas coisas, o Senhor Jesus já havia escolhido Pedro como líder dos apóstolos: “Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela” (Mt 16,18).

    Todas as igrejas que aceitam o primado de honra de Pedro e seus sucessores, como as ortodoxas, monofisitas, nestorianas e vétero-católicas, além, é claro, da católica romana, citam esse verso como a base para sua crença. Porém, somente a visível Una e Santa Igreja Católica e Apostólica, unida a Roma, estende para o versículo 19 os poderes do primado de Pedro: “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus…”. E Jesus, ao contrário do que argumentam os nossos irmãos protestantes, não estava se referindo a Si como pedra, pois não estaria usando uma linguagem clara ao mudar o nome de Simão para Pedro e, na mesma sentença, falar de outro assunto sem ligação com essa mudança.

    Defendem ainda, os irmãos separados que, no grego (língua do Evangelho) o nome Pedro é “petrus” (pedra pequena) e a pedra sobre a qual foi edificada a Igreja é “petra” (pedra grande), ou seja, não seria Pedro e sim Jesus (“petra”) ou a afirmação de Pedro sobre a divindade do Messias.

    Contudo, se o Evangelho foi escrito em grego, Jesus falava, entretanto, o aramaico, e, nesse idioma, o verbete “pedra” não tem gênero, de modo que deduzimos claramente que Jesus se referia a Pedro como pedra da Igreja, e que a distinção em grego foi apenas para haver concordância. Afinal, a situação exigia que se usasse uma palavra feminina (“petra”), não por causa da diferença entre as “pedras” (em tamanho ou importância), mas por simples regra gramatical da língua helênica.

    Na Bíblia, temos outros três ocasiões de mudança de nome: Abrão, tem seu nome mudado para Abraão (cf. Gn 17,5) e Jacó para Israel (cf. Gn 32,28). A terceira vez que Deus muda o nome de alguém, é justamente a passagem acima, mudando o nome de Simão para Pedro. Em todos os casos, a mudança do nome está intimamente associada a posição de liderança diante do Povo de Deus. Abraão foi o Pai do Povo Hebreu e também, por sua descendência, surgiu o povo árabe, através de seu filho, Ismael, com a escrava Agár.

    Israel, Jacó, filho de Isaac, foi o líder do Povo também, o pai das doze tribos que constituiram o povo, denominado justamente, raça israelita.

    No NT, temos São Pedro, colocado, também, numa posição pastoral e de líder do povo renascido no Espírito Santo, pai dos Apóstolos, também em número de doze. Através da hermenêutica e, mais propriamente, da exegese escriturística, podemos compreender com maior clareza essa missão, pois podemos ver a citada associação entre a mudança nominal e a vocação de governo do rebanho.

    Para confirmar essa ligação, o texto sagrado nos leva a crer através de várias passagens. É notável o destaque que o Senhor Jesus dá a Pedro, nas Escrituras. Foi Pedro quem andou sobre as águas para certificar-se de que era o Mestre quem estava vindo (cf. Mt 14,25-29). Ele era um dos três apóstolos a presenciar a transfiguração (cf. Mc 9,2-13) e o que tomou a palavra, como um líder, na ocasião (cf. Mt 17,4). Foi ele o que negou Jesus, como forma de explicitar que, mesmo infalível em doutrina, pode errar em questões pessoais (cf. Mt 26,69-75).

    Sempre que Jesus quer dar destaque, fala-se, por exemplo, “levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu” (Mt 26,37). Por que não citar os outros nomes, e somente o de Pedro? Por certo, o evangelista Mateus, na época da redação de seu Evangelho, por volta do ano 60 d.C., já reconhecia a autoridade de Pedro sobre os crentes. Essa autoridade é vista em grandes momentos do livro de Atos: na escolha de Matias como apóstolo, Pedro é quem dirige a reunião (cf. 1,15-22); é Pedro quem faz o primeiro discurso querigmático, numa notável demonstração de autoridade (cf. 2,14); é ele quem realiza o primeiro milagre após o Pentecostes (cf. 3,1-7); Pedro explica sobre os milagres (cf. vv. 12-26), num ato que demonstra claramente que é ele o responsável pela nascente comunidade cristã; é Pedro quem repreende Ananias (cf. 5,3-4), numa posição de líder da Igreja, e também a Simão, o mago (cf. 8,18-20); Pedro é quem tem a experiência do derramamento do Espírito Santo nos gentios (cf. 10,1-48), como uma espécie de orientação do Senhor, e, como líder, decide (cf. vv. 44-48) e explica-se perante a Igreja (cf. 11,1-18); é também Pedro quem primeiro fala no concílio de Jerusalém (cf. 15,1-35).

    Por esses fatos, constatamos que era realmente Pedro o dirigente da Igreja, e que sua palavra era a manifestação da infalível vontade de Deus (cf. Mt 16,19). Confirmado pelo Senhor Jesus como o pastor de toda a Igreja (cf. Jo 21,15-17), Pedro torna-se o bispo de Antioquia, e no fim de sua vida, estabelece sua sede em Roma. É de Roma que sagra seu sucessor, que, segundo a História, continua a linha apostólica de líder da Igreja e detentor das chaves do Reino, portanto infalível nas questões de doutrina, uma salvaguarda da verdade da salvação pelo Sangue de Cristo. Pecadores e cometendo muitos erros, Pedro e seus sucessores não erram no que se refere a doutrinas. Não permitiria Deus que o inferno vencesse

    Sua Igreja (cf. Mt 16,18)!!!

    Líder de todos os crentes, quer aceitem, quer não, o bispo de Roma, patriarca do Ocidente e papa da cristandade, é o símbolo de unidade e baluarte da doutrina contra os falsos profetas!

    Fonte: Veritatis Splendor

    1. José Carlos Martins
      23 de setembro de 2012 às 17:00 Responder & darr;

      O Bispo foi corajoso ao desobedecer o dogma da infalibilidade papal, em afirmar que o papa não é infalível. Dogma que foi decretado no Concílio Vaticano I em 1870 que diz que o papa nunca errou e nunca errará. E todas as pessoas sabem que o papado teve seus altos e baixos durante a história de sua existência, temos por exemplo, João Paulo II que pediu publicamente desculpas aos judeus pelos erros terríveis de seu antecessor, o papa Pio XII. A história mostra quanta atrocidade foram cometidas pelos papas em nome de sua religião.

      1. José Carlos Martins
        23 de setembro de 2012 às 17:06 Responder & darr;

        Realmente, o apóstolo Pedro ao escrever “…que nenhuma profecia é de particular interpretação” (1 Pe.1:20) foi inspirado pelo Espírito Santo, assim como toda Escritura Sagrada, a Bíblia, foi escrita inspirada pelo Espírito Santo, pois segundo o próprio apóstolo diz em 2 Pe.1:21 “Pois a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens santos da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo”.
        Quanto aos erros de interpretação das escrituras sagradas, os falsos ensinamentos, as heresias e os falsos profetas que haveriam de surgir, Jesus nos advertiu porque Ele sabia que iria chegar este tempo, porque hoje cada um pode ler sozinho a Bíblia, agora para interpretar o texto sagrado, deve levar em conta todo o contexto que está inserido o texto lido. Interpretação de texto isolado foram do contexto é pretexto para heresias. Além do mais, “A Hermenêutica, sendo a arte de interpretar, recomenda que, quando o sentido aparente de um texto não se harmoniza com o contexto geral da Bíblia, não deve ser ele tomado como verdadeiro. Esta expressão “particular interpretação” quer dizer, também, que não é privilégio de alguns a capacidade de interpretação. Todos aqueles que lêem as profecias com humildade, sem preconceitos, submissos à iluminação do Espírito Santo, tendo o devido conhecimento da verdade bíblica, no seu todo, podem entendê-las satisfatoriamente.” (1). Hoje existem muitas igrejas que se dizem cristãs, mas não são, pois pregam outro evangelho, que não é o evangelho genuinamente de Jesus, que não tem dogmas, catecismo anti-bíblico e doutrinas de homens.
        O apóstolo Paulo escrevendo ao jovem Timóteo afirma que ” Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Tm.3:16-17) e ainda em 2 Tm.4:2 ” prega a palavra, insista a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda paciência e ensino”. E ainda escrevendo a igreja de Roma em Rm.10.17 ” E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”, baseado nestes textos inspirados por Deus, creio que A PALAVRA DE DEUS, A BÍBLIA, É A ÚNICA REGRA DE FÉ E PRÁTICA DA VIDA CRISTÃ, ASSIM COMO TODAS AS IGREJAS GENUINAMENTE CRISTÃS SEGUIDORAS DE JESUS CRISTO (QUE NUNCA ENSINOU DOGMAS OU TRADIÇÕES ANTI-BÍBLICAS) CREÊM.
        Será que bíblico a Igreja Católica Apostólica Romana ensinar que a tradição oral inspirado por Deus e tem o mesmo valor da Palavra de Deus?
        I – Jesus sempre usou as Escrituras para provar ou defender a verdade.

        Mateus 4:1-11 – Jesus foi tentado três vezes pelo diabo e a cada tentação Jesus respondia não com alguma tradição oral, mas com um poderoso “ESTÁ ESCRITO”. Se havia alguém que poderia usar a tradição oral este era Jesus, mas mesmo assim Ele escolheu o caminho mais certo, na verdade o único caminho capaz de derrotar Satanás – citar as Escrituras. Ora, Jesus, Ele mesmo era autoridade para citar sua própria Palavra oral e derrotar o diabo, mas Ele preferiu a Palavra Escrita. Isso para nós é um exemplo vívido de como a igreja não deve se fiar em sua própria Palavra [nas suas tradições], mesmo proferida por homens santos, mas na Palavra escrita de Deus. Não é o catecismo luterano ou reformado que devemos seguir, mas a bendita Palavra de Deus.

        1. Jesus nunca menciona as tradições orais de modo positivo como se fossem inspiradas por Deus.

        2. Todas as vezes que Ele defende a verdade, volta-se para as sagradas Escrituras.

        3. A única vez que Jesus menciona a tradição oral dos judeus é para condena-la. (Marcos 7:7-13)

        Jesus esperava que até mesmo seus inimigos pudessem interpretar as Escrituras. Ele simplesmente mandava as pessoas lerem:

        1. “Jesus respondeu: – Como vocês estão errados, não conhecendo nem as Escrituras Sagradas nem o poder de Deus. Marcos 12:24

        2. “Não lestes…” Mateus 12:3

        3. “Ou não lestes na Lei…” Mateus 12:5

        4. “Nunca lestes nas Escrituras… Mateus 21:42

        5. “O que está escrito na lei? Como lês? Lucas 10.26

        6. “Mas Jesus olhou bem para eles e disse: – As Escrituras Sagradas afirmam: “A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas.” Lucas 20.17

        7. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” João 5.39

        Lucas 10:26: “O que está escrito na Lei? Como lês?. Jesus esperava que até mesmo seus inimigos pudessem interpretar corretamente a Bíblia por simplesmente lê-la. Diferentemente de Jesus, os católicos não perguntam o que diz as Escrituras, mas como sua igreja interpreta as Escrituras. Então você não possui nenhuma escolha para discernir por si mesmo a não ser aceitar o que eles querem empurrar como interpretação.

        II – Os cristãos primitivos usavam somente as Escrituras para determinar a verdade

        Paulo – Atos 17:2: “Conforme o seu costume, Paulo foi lá e nos três sábados seguintes falou sobre as Escrituras Sagradas com as pessoas que estavam ali na sinagoga.”

        Atos 17:28: ” Pois Apolo, com argumentos fortes, derrotava os judeus nas discussões públicas, provando pelas Escrituras Sagradas que Jesus é o Messias.”

        Os Bereanos – Atos 17:11-12: “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”.
        Comentário: Ainda que os apóstolos foram inspirados por Deus e chegaram a transmitir isto por algum tempo de forma oral, os bereanos foram direto nas Escrituras para determinar a verdade final. A Tradição oral é sem valor sem o testemunho das sagradas Escritura! Diferente dos bereanos, os católicos nunca deixariam você procurar a verdade final nas Escrituras porque acreditam que sem a interpretação final da sua igreja através da tradição oral você não pode compreendê-la. Mas veja que Paulo não censurou aqueles cristãos, antes foram elogiados por Lucas como “mais nobres” do que os outros por aderirem ao princípio do Sola Scriptura.

        a) A Igreja estava envolvida com as Escrituras
        “Enquanto você espera a minha chegada, dedique-se à leitura em público das Escrituras Sagradas, à pregação do evangelho e ao ensino cristão.” I Timóteo 4.13

        b) As Escrituras é compreensível até mesmo para uma criança
        “E, desde menino, você conhece as Escrituras Sagradas, as quais lhe podem dar a sabedoria que leva à salvação, por meio da fé em Cristo Jesus.” II Timóteo 3.15

        c) Leia e você entenderá…
        Pois escrevemos a vocês somente o que vocês podem ler e entender. Agora vocês nos entendem só em parte, mas espero que cheguem a nos compreender completamente, para que, no Dia do nosso Senhor Jesus, vocês tenham orgulho de nós, como nós temos de vocês.

        d) Devemos ficar somente com o que está escrito
        E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” I Coríntios 4.6

        e) As Escrituras são suficientes para qualquer área da nossa vida
        “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para
        corrigir, para instruir em justiça, Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
        instruído para toda a boa obra.” II Timóteo 3.16,17

        f) Se porventura existisse somente os escritos de João, ele sozinho seria suficiente para mostrar a salvação em Jesus Cristo.
        “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” João 20.31

        “Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” I João 5.13

        g) Somente as Escrituras trazem esperança e gozo
        “Pois tudo quanto foi escrito anteriormente, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” Romanos 15.4

        “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo seja completo.” I João 1.4

        1. José Carlos Martins
          23 de setembro de 2012 às 17:15 Responder & darr;

          Mas será que exitem provas bíblicas e históricas que indiquem que o papa é o sucessor do apóstolo Pedro? Será que Pedro foi o primeiro papa e gozou da supremancia sobre os demais apóstolos? Teria Pedro fundado a igreja de Roma e transformado essa igreja na sede de seu trono episcopal? Seria mesmo a Igreja Católica Apostólica Romana a igreja fundada por Pedro?
          TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA
          TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM
          Esse trecho de Mateus 16.18 é tão especial para os fundamentos papais que foi escrito em enormes letras douradas na cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. Destarte, ele é a fonte mais importante de toda a dogmática1 católica. A expressão Tu es Petrus, carrega atrás de si uma procissão de outras heresias erigidas em cima das interpretações de textos deslocados de seus respectivos contextos, interpretados de modo arbitrário pelos teólogos e doutores católicos romanos. É ele o genitor da infalibilidade papal, do poder temporal e dos demais desvios teológicos, contradições e distorções dessa igreja. Portanto, esclarecer à luz da Bíblia todo esse equívoco teológico é desestruturar a base em que se firma a eclesiologia2 católica.

          Os pilares do papado

          A tese católica se firma em três questionáveis pressupostos principais, a saber:

          Cristo edificou a Igreja sobre Pedro, numa interpretação totalmente tendenciosa e arbitrária de Mateus 16.18,19.
          Pedro fundou e dirigiu a Igreja de Roma, sendo martirizado nessa cidade.

          A sucessão apostólica numa cadeia ininterrupta até nossos dias: de Pedro a Karol Wojtyla (João Paulo II).

          Outrossim, há ainda outros argumentos apresentados pelos católicos romanos que se firmam nessa trilogia, mas, neste momento, analisaremos apenas os já mencionados.

          Em que pedra a igreja está edificada?

          “Pois também eu te digo que tu és Pedro (Petrus), e sobre esta pedra (petra) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16.18,19).

          Jesus, ao proferir essa declaração, estava realmente afirmando que Ele próprio era a “pedra” sobre a qual sua Igreja seria edificada. Temos diversos motivos para esta interpretação. Vejamos:

          Petra versus Petros

          Ao referir-se a Pedro, Jesus emprega o termo grego Petros, que significa um seixo, pedregulho. Ao referir-se à edificação da Igreja, diz que ela seria edificada não sobre o Petros (Pedro), mas sobre a petra, um rochedo inabalável. Ora, Jesus fez nítida diferença semasiológica3 entre petra e Petros. Um é substantivo feminino singular e está na terceira pessoa; o outro, masculino plural, e se encontra na segunda pessoa. Além disso, o termo petra nunca é usado na Bíblia em relação a homem algum, somente em relação a Deus. Logo, tal verso nem de longe insinua alguma coisa sobre Roma, sucessão apostólica ou algo similar. Os católicos conseguem ver o que não existe no texto.

          Edificação sobre quem?

          A declaração “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” é a chave para entendermos toda a problemática. Jesus perguntou a “todos”, e não somente a Pedro, “quem Ele era”. “Disse-lhes ele [Jesus]: E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15). A ele — Pedro — foi revelado, em sua confissão, que Cristo era o Messias, o Filho de Deus, daí a frase: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja…”, ou seja, a igreja está edificada sobre a confissão de que Ele (Jesus) era o Filho de Deus.

          A bem da verdade, a Igreja jamais poderia ser solidamente edificada sobre homem algum, nem mesmo Pedro, que, embora tenha sido um grande apóstolo, foi, no entanto, falível e passível de erros, como demonstra, de maneira sobeja, o contexto imediato: “Ele [Jesus], porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt 16.23), além de outros escritos do Novo Testamento em que podemos perceber a inconstância de Pedro (Mt 26.69-75).

          Quem é a pedra?

          O significado de Petros e petra está em perfeita concordância com o contexto doutrinário e teológico neotestamentário. Sendo Petros um fragmento tirado da grande rocha, há de se ver uma conotação de todos os cristãos como Petros, e isto é descrito posteriormente pelo próprio Pedro: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pe 2.5).

          Por sua vez, todas as “pedras vivas” estão edificadas sobre a grande Petra, que é Jesus: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2.19-21).

          Agora, comparemos o texto de Mateus 16.18 com o texto seguinte:

          “Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó” (Mt 21.42-44).

          Indubitavelmente, tanto em Mateus 16.18 quanto em 21.44, Jesus é a pedra. Desde a época dos salmistas, passando pelo profeta Isaías, a palavra profética já anunciava o Messias como a pedra da esquina (Cf. Sl 118.22, Is 28.16).

          Igualmente, é bom lembrar que na narrativa apresentada pelo evangelista Marcos é omitida a frase de Cristo: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mc 8.27-30). Isto não é de pouca relevância, pois Marcos, por muito tempo, foi companheiro de Pedro (1Pe 5.13) e, segundo Eusébio4 , foi de Pedro que Marcos coletou informações para redigir seu evangelho. Pedro, em nenhum momento, disse de si mesmo que era a rocha ou pedra da igreja, caso contrário, Marcos teria confirmado o fato de modo enfático. Se porventura o dogma da superioridade de Pedro é verdadeiro e de tamanha importância, como ensina a Igreja Católica, não parece praticamente inconcebível que os registros de Marcos e de Lucas silenciem a respeito?

          O que significa Kephas?

          Kephas significa pedra ou Pedro? João nos dá a resposta: “… Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)” (Jo 1.42). Fica claro que Cefas ou Kephas significa Pedro e não pedra. Para fazer jus à coerência e à lógica católica, Jesus deveria ter dito mais ou menos assim: “Tu és Kephas e sobre esta kephas edificarei…”, ou: “Tu és Pedro e sobre este Pedro edificarei…”, caso não houvesse nenhuma diferença.

          Um acréscimo ao nome de Pedro

          Teria Jesus mudado o nome de Simão Barjonas para Pedro ou apenas feito um acréscimo?

          Ora, quando se muda um nome faz-se necessariamente uma substituição. O nome anterior não é mais mencionado, como nos casos de Abrão para Abraão (Gn 17.5) e de Sarai para Sara (Gn 17.15). Já no caso de Pedro, houve apenas um acréscimo, como bem atesta Lucas: “Agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro” (At 10.5,18,32; 11.13). Podemos ver que se trata de um acréscimo no nome e não a mudança do mesmo, como querem os teólogos do Vaticano. Além disso, Pedro continuou sendo chamado de Simão (At 15.14) ou Simão Pedro (Jo 21.2-3,7), algo que, no mínimo, seria estranho se o antigo nome tivesse sido trocado. Querer ver nisto uma ligação da suposta supremacia de Pedro com relação ao papado, certamente, é ir além dos limites admissíveis.

          A quem pertencem as chaves?

          Os católicos insistem em alardear que a simbologia das chaves (v. 19) significa supremacia jurisdicional sobre todo o cristianismo. Conquanto, sabemos que a chave foi realmente outorgada a Pedro para “abrir e fechar”. Todavia, devemos salientar que foram as chaves do “reino dos céus” e não da Igreja que lhe foram concedidas. O reino dos céus não é a Igreja.

          Antes, as “chaves” estavam nas mãos dos fariseus, como lemos: “Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam” (Lc 11.52).

          Essas chaves representam a propagação do evangelho de arrependimento de pecados, pelo qual todos os cristãos, e não Pedro apenas, podem abrir as portas dos céus para os pecadores que desejam ser salvos. Tanto é que, em Mateus 18.18, Jesus confia as chaves também aos demais apóstolos: “Em verdade vos digo [digo a vocês e não somente a Pedro] que tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu”.

          Pedro, portanto, foi o primeiro a usá-la por ocasião da festa de Pentecostes, quando quase três mil almas foram salvas (At 2.14-41). Depois, a usou para pregar ao primeiro gentio, Cornélio (At 10.1-48). É esta a chave que abre a porta, e ela não é prerrogativa exclusiva do hierarca católico romano. Ninguém tem o poder (ou direito) de monopolizá-la, como querem os católicos romanos.

          Certo site ortodoxo5 , comentando sobre o assunto em questão, disse com muita propriedade: “Para a Igreja una e indivisa, a interpretação desta passagem do evangelho é toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum da Tradição patrística da exegese), Jesus responde com estas palavras à confissão de Pedro: este se torna a pedra sobre a qual será fundada a Igreja porque exprimiu a fé verdadeira na divindade de Cristo. E Orígenes comenta: Se nós dissermos também: Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo, então tornamo-nos também em um Pedro […] porque quem quer que seja que se una a Cristo torna-se pedra. Cristo daria as chaves do reino apenas a Pedro, enquanto as outras pessoas abençoadas não as poderiam receber? Pedro é, então, o primeiro ‘crente’, e se os outros o quiserem seguir podem ‘imitá-lo’ e receber também as mesmas chaves.

          “Jesus, com as suas palavras relatadas no evangelho, sublinha o sentido da fé como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja sobre Pedro, como a Igreja Romana pretende. Tudo se resume, portanto, em saber se a fé depende de Pedro, ou se Pedro depende da fé […] Por isso mesmo, São Cipriano de Cartago pôde afirmar que a fé de Pedro pertencia ao bispo de cada Igreja local, enquanto São Gregório de Nissa escreveu que Jesus ‘deu aos bispos, por intermédio de Pedro, as chaves das honras do céu’. A sucessão de Pedro existe onde a fé justa e ortodoxa é preservada e não pode, então, ser localizada geograficamente, nem monopolizada por uma só Igreja e tampouco por um só indivíduo. Levando a teoria da primazia de Roma às últimas conseqüências, seríamos obrigados a concluir que somente Roma possui essa fé de Pedro e, neste caso, teríamos o fim da Igreja una, santa, católica e apostólica que proclamamos no Credo: atributos dados por Deus a todas as comunidades sacramentais centradas sobre a Eucaristia.

          “Além disso, afirma a Igreja de Roma que é ela a Igreja fundada por Pedro e que essa fundação apostólica especial lhe dá direito a um lugar soberano sobre todo o Universo. Ora, a verdade é que, para além do fato de não sabermos realmente se São Pedro foi o fundador dessa Igreja Local e o seu primeiro papa, temos conhecimento de que outras cidades ou outras localidades menores podiam, igualmente, atribuir a si mesmas essa distinção, por terem sido fundadas por Pedro, Paulo, João, André ou outros apóstolos. Assim, o Cânone do 6º Concílio de Nicéia reconhece um prestígio excepcional às Igrejas de Alexandria, Antioquia e Roma, não pelo fato de terem sido fundadas por apóstolos, mas porque eram na altura as cidades mais importantes do Império Romano e, sendo assim, deram origem a importantes igrejas locais…”

          Onde está a primazia de Pedro?

          A lógica vaticana, insaciável em sua disposição em favorecer Pedro em detrimento dos demais apóstolos, esquiva-se em seus conceitos teológicos. Os católicos procuram, a qualquer preço, encontrar nas Sagradas Escrituras um elo de ligação entre a primazia de Pedro e a alegada supremacia do papa. Os argumentos apresentados são quase sempre furtados de seus contextos a fim de fortalecer essa cadeia de fantasia teológica. A pessoa que analisar o assunto pela ótica papista tende a ficar impressionada com a avalanche de textos que colocam Pedro no topo da lista de exclusividade. À primeira vista, a abundância de uma aparente primazia tende a sustentar essa corrente. No entanto, confrontaremos os textos citados e veremos que não são tão pujantes quanto parecem.

          A Pedro foi conferida com exclusividade a chave dos céus
          (Mt 16.19)

          Este argumento foi satisfatoriamente respondido anteriormente.

          A Pedro foi dado, por duas vezes, cuidar com exclusividade do rebanho de Cristo
          (Lc 22.31,32; Jo 21.15,17)

          Os católicos frisam nesses textos as palavras “confirmar” e “apascentar” e vêem nelas uma suposta primazia jurisdicional de Pedro. O engano deste argumento está em não mostrar que o apóstolo Paulo também “confirmava” as igrejas (Cf. At 14.22; 15.32,41).

          Quanto ao “apascentar”, esta também não era uma exclusividade de Pedro, pois todos os bispos deveriam ter esta incumbência (At. 20.28). Para sermos coerentes, deveríamos dar este status de primazia aos demais, pois não só apascentavam como confirmavam as igrejas.

          Pedro foi o primeiro a pregar um sermão no dia de Pentecostes
          (At 2.14)

          Ora, Pedro, ao pregar na festa de Pentecostes, estava apenas fazendo uso das chaves para abrir a porta da salvação. Demais disso, alguém tinha de tomar a palavra e coube a Pedro, que era o mais velho e intrépido. Mas, ao terminar a mensagem, ninguém o teve por especial, antes se dirigiram a todos com a expressão: “Que faremos varões irmãos?”. Dirigiram-se a toda a igreja e não apenas a Pedro (At 2.37).

          Pedro foi o primeiro a evangelizar um gentio
          (At 10.25)

          Ao contrário do que pensam os católicos, o caso de Cornélio é um contragolpe no argumento romanista, pois Pedro teve de dar explicações perante a Igreja por ter se misturado e comido com um gentio. Raciocinemos, onde está a primazia de Pedro nesse episódio? Se a tivesse, porventura daria explicações perante seus supostos comandados? Certamente que não! Mas Pedro teve de se explicar, porque não possuía nenhum governo sobre os demais.

          No catálogo dos apóstolos, o nome de Pedro sempre é colocado em primeiro lugar
          (Mt 10.2-4, Mc 3.16-19, Lc 6.13-16, At 1.13)

          É bom frisarmos que este primeiro lugar na lista de nomes é apenas de caráter cronológico e não funcional. Percebe-se que os quatro primeiros nomes da lista dos sinópticos são: Simão, André, João e Tiago, os primeiros a serem chamados para seguir o Mestre e, dentre eles, coube a Pedro ter uma prioridade cronológica. Todavia, em outros textos, como, por exemplo, Gálatas 2.9, seu nome não aparece em tal posição: “E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas…”.

          Pedro escolhe Matias para suceder Judas Iscariotes
          (At 1.15)

          Lendo cuidadosamente Atos 1.15-26, vemos que Pedro apenas expôs o problema, qual seja, a falta de um sucessor para o cargo de Judas. No entanto, Matias foi eleito pela igreja por voto comum e não por decisão de Pedro: “E, lançando-lhes sortes, caiu a sorte sobre Matias. E por voto comum foi contado com os onze apóstolos” (v. 26).

          O veredicto de Jesus

          O fator agravante quanto à intenção de tornar Pedro soberano entre os demais apóstolos está nas palavras taxativas de Cristo — o ÚNICO Sumo Pastor, Chefe Supremo, Cabeça e Fundamento da Igreja — em não titubear e corrigir algumas precoces ambições de supremacia entre eles.

          Certa feita, tal idéia foi sugerida ao Mestre que, no mesmo instante, a rechaçou dizendo: “… Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo…” (Mt 20.18-27).

          O próprio Pedro desfaz essa lenda ao dizer: “ninguém tenha domínio sobre o rebanho…” (1Pe 5.1-3). Não se pode ver aí nenhum vestígio de superioridade, supremacia ou destaque sobre os demais, pois ele mesmo se igualava aos outros dizendo: “… que sou também presbítero com eles…” Pedro jamais mandou. Pelo contrário, foi mandado e obedeceu: “Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João” (At 8.14). E tudo isso faz jus às palavras de Jesus, que disse: “Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou” (Jo 13.16).

          Pedro esteve em Roma?

          Embora a Bíblia não diga nada a respeito, os católicos insistem em dizer que o fato de o apóstolo Pedro ter sido o fundador da igreja de Roma é incontestável. Atribuem, ainda, ao apóstolo Pedro, um pontificado de 25 anos na capital do Império. E, conseqüente (deduzem), ele tenha morrido ali.

          É claro que estas ligações, em princípio, são de valor inestimável, pois, entrelaçadas, robustecem a tese vaticana da primazia do papado. Contudo, há de se frisar que somente a chamada tradição vem em socorro das causas romanistas nestas horas e, mesmo assim, de maneira dúbia.

          Pedro não pode ter sido papa durante 25 anos, pois foi martirizado no reinado do imperador Nero, por volta do ano 67 ou 68 d.C. Subtraindo 25 anos, retrocederemos ao ano 42 ou 43. Nessa época, ainda não havia sido realizado o Concílio de Jerusalém (At 15), que ocorreu por volta do ano 48 ou 49 d.C., quando Pedro participou (mas não deveria, porque, segundo a tradição, nessa época o apóstolo estava em Roma). No entanto, ainda que Pedro, segundo a opinião católica, tivesse participado do Concílio de Jerusalém, a assembléia fora presidida por Tiago (At 15.13-21).

          No ano 58 d.C., Paulo escreveu a epístola aos Romanos e, no capítulo 16, mandou uma saudação para muitos irmãos daquela cidade, mas Pedro sequer é mencionado. Em 62 d.C., o apóstolo Paulo chegou em Roma e foi visitado por muitos irmãos (At 28.30,31), todavia, nesse período, não há nenhuma menção de Pedro.

          O apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossenses, Filemom (62 d.C.) e Filipenses (entre 67/68 d.C.), mas Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Se Pedro estava em Roma no ano 60 d.C., como se deve entender a revelação referida no livro de Atos, em que Jesus disse a Paulo: “Importa que dês testemunho de mim também em Roma?” (At 23.11). Se Pedro estava em Roma, não caberia a ele estar cumprindo esta função? Onde se encontrava o suposto papa de Roma nessa ocasião?

          É por estas e outras razões que não acreditamos que Pedro tenha fundado ou presidido a Igreja de Roma, como afirmam os católicos.

          O insustentável suporte da tradição

          A tradição é um dos pilares nos quais se assenta a teologia romanista. O principal órgão da tradição é a Patrística, os escritos dos pais da Igreja. Essa tradição é de relevante valor à causa católica, pois dela advém toda a “lógica” da “sucessão apostólica”. É dela que é extraída a má interpretação de Mateus 16.18, da primazia de Roma, da corrente sucessória de São Pedro, etc. Na verdade, as coisas são bem diferentes quando analisadas de maneira criteriosa.

          Dos inúmeros pais da Igreja, somente 77 opinaram a respeito do assunto de Mateus 16.18, sendo que 44 reconheceram ser a fé de Pedro a rocha. Os outros 16 julgaram ser o próprio Cristo e somente 17 concordaram com a tese vaticana. Nenhum deles afirmou a infalibilidade de Pedro e tampouco o tinham como papa. Exemplo disso é Santo Agostinho que, em uma de suas obras,13 expressamente afirma que sempre, salvo uma vez, ele havia explicado as palavras sobre esta pedra — não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a Cristo, cuja divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.

          Diz certa fonte católica14 que: “Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados por pessoas ilegalmente ordenadas, estão desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o ensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início”.

          Finalizando…

          Procuramos não ser prolixos ao historiar sobre esta questão. Todos sabemos que o trono dos papas teve seus momentos de vacância. Muitos papas conquistaram este título por dinheiro; outros, considerados legítimos, foram condenados como hereges; e quantos, pela ganância do cargo, foram envenenados por seus rivais. Houve também os nomeados por imperadores e, quando não, havia três ou mais papas se excomungando mutuamente pela disputa da cadeira de São Pedro. Sem falar, é claro, da época negra da pornocracia (influência das cortesãs no governo).

          Não é debalde que a obra literária clássica Divina comédia, de Dante Alighieri, coloca vários papas no inferno. Há, ainda, uma tremenda contradição nas muitas listas dos pontífices romanos expostos por historiadores católicos, nas quais os nomes de tais sucessores aparecem trocados ou ausentes, sem consenso algum. Não cremos que estes homens sejam os verdadeiros sucessores da cátedra de Pedro.

          A bem da verdade, essa tal sucessão ininterrupta e contínua dos papas é totalmente arrebentada e falsa. É por demais ultrajante, mesmo para uma mente mediana suportar tamanha incongruência.

          Pelo que foi exposto, podemos considerar serenamente que “Pedro nunca foi papa e tampouco o papa é o vigário de Cristo”.

          Biografia de Pedro

          • Cidade natal: nasceu em Betsaida, Galiléia.
          • Filiação: filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu primeiro nome era Simão.
          • Moradia: na época de seu encontro com Cristo, morava em Cafarnaum, com a família da sua mulher (Lc 4,31-38).
          • Profissão: pescador, trabalhava com o irmão e o pai.
          • Qualidades: dinâmico (Mt 17.4), fiel (Mt 26.33), sincero (Jo 21.17), ousado (Mt 14.28), humilde (Lc 5.8), entre tantas outras.
          • Defeitos: ansioso (Mt 19.27), inconstante (Mt 14.30), precipitado (Mt 16.22), duvidoso (Mt 26.75)
          • Fontes: Os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), Atos dos Apóstolos e as epístolas de Paulo.
          • Ministério: destacou-se entre os doze apóstolos e foi a ele que Cristo apareceu pela primeira vez depois de ressuscitar.
          • Cartas escritas: 1 e 2 epístolas que levam o seu nome.

          •Viagens ministeriais:
          – Primeira viagem: de Jerusalém a Samaria (At 8.14-25).
          – Segunda viagem: de Jerusalém, através de Lida e Jope, até Cesaréia (At 9.32; 11.2).
          – Terceira viagem: de Jerusalém a Antioquia (At 15.1-14; Gl 2.11).

          • Pedro e Jesus:
          – Perto do mar da Galiléia, é chamado para seguir a Jesus (Mt 4.18,19).
          – Perto da Galiléia, encontra a moeda do tributo na boca do peixe (Mt 17.24-27).
          – Na Galiléia, anda sobre as águas do mar (Mt 14.28,29).
          – Em Jerusalém, na última Ceia, Jesus lava seus pés (Jo 13.6,7).
          – No Jardim do Getsêmani, corta a orelha de Malco (Jo 18.10,11).
          – Em Jerusalém, no palácio do sumo sacerdote, nega o seu Senhor (Jo 18.25,27).
          – Em Jerusalém, sente remorso (Mt 26.75).
          – João e ele correm, apressados, para o túmulo vazio (Jo 20.3-8).
          – Junto ao mar da Galiléia, após a ressurreição, vê o mestre e é consolado (Jo 21.3-17).

          • Momentos ministeriais marcantes:
          Em Jerusalém, profere seu maior discurso, quando ocorrem quase três mil conversões (At 2.41).
          – Em Jerusalém, cura um paralítico (At 3.6).
          – Em Jerusalém, profere dura sentença sobre Ananias e Safira (At 5. 1-11).
          – Em Lida, cura Enéias de paralisia (At 9.34,35).
          – Em Jope, ressuscita Tabita, também chamada de Dorcas (At 9.36-41).
          – Em Jope, tem a visão do lençol descendo do céu (At 10.9-16).
          – Em Cesaréia, prega na casa de Cornélio (At 10.23-48).
          – Em Jerusalém, é libertado da prisão por um anjo (At 12.3-10).

          Pedro em Roma, segundo a tradição católica romana

          Todos os anos, milhares de peregrinos cristãos vão para o Vaticano, o centro da cristandade católica, para visitar a basílica que possui o nome do apóstolo Pedro. É dito aos visitantes que o túmulo de Pedro encontra-se nessa igreja.

          De acordo com uma antiga tradição, Pedro tornou-se mártir em Roma durante as perseguições aos cristãos por parte do imperador Nero, nos anos 60 A.D. Contudo, não temos a mínima idéia de como ou quando ele chegou lá e as evidências, arqueológicas e textuais, deste período em Roma são poucas – datadas do segundo século A.D., tão-somente.

          Clemente é o primeiro a escrever sobre o sofrimento e o martírio de Pedro6, mas não nos dá nenhum indicativo de que Pedro tenha trabalhado ou morrido em Roma. O bispo Inácio de Antioquia, enviado a Roma e martirizado entre os anos 110 e 130 A.D., também não faz menção a Pedro como líder (bispo) da igreja em Roma.

          Os teólogos católicos romanos entendem que o texto de 1Pedro 5.12,13 o situa em Roma — mas de maneira críptica; isto é, descrevem o remetente da carta como “o eleito na Babilônia”, um código do século 1º para Roma, o império opressor daqueles dias. Mas embora esta carta contenha o nome de Pedro, alguns acreditam que não tenha sido escrita por ele. Além disso, a carta é endereçada aos cristãos das províncias da Ásia menor romana, confirmando o relato de Paulo das atividades de Pedro no extremo Leste.

          No final do século 2º, contudo, Pedro se junta a Paulo, de forma regular, como um dos fundadores da igreja em Roma. A inspiração para essa tradição parece vir do livro de Atos, que divide, de forma organizada, a descrição sobre como o evangelho foi espalhado de Jerusalém (o cenário de Atos 1) até Roma (o cenário do capítulo final, Atos 28): uma seção de Pedro (Atos 1-12) seguida por uma seção de Paulo (Atos 13-28). Na mesma época, o pai da igreja, Irineu (c. 185 A.D.), descreveu a igreja de Roma como “a igreja maior, mais antiga e igreja universalmente conhecida, fundada e organizada em Roma pelos apóstolos mais gloriosos: Pedro e Paulo”.7 O presbítero (ancião da igreja) Gaio menciona dois monumentos em Roma dedicados a esses “fundadores da igreja”. Segundo Gaio, o monumento de Pedro encontra-se no Vaticano e o de Paulo, no Caminho de Ostiense (região Sul de Roma, onde se encontra a Basílica de São Paulo fora dos muros)8. O termo usado por Gaio para monumento foi tropaion, que significa “troféu” — pode referir-se também a um túmulo ou a um memorial erguido no local do sofrimento9. Assim, Gaio é o escritor mais recente a situar o martírio de Pedro em Roma.

          No início do século 3º, o escritor cristão Tertuliano supõe que os leitores saibam que Pedro foi crucificado e Paulo executado (provavelmente decapitado) durante as perseguições do imperador romano Nero10. Tertuliano interpreta a morte de Pedro como o cumprimento de João 21.18,19, no qual Jesus prediz: “Quando for velho [Pedro], estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir. Jesus disse isso para indicar o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus”.

          A tradição, comum no meio cristão, de que Pedro fora crucificado de cabeça para baixo vem de uma obra de 231 A.D: “E, por fim, vindo a Roma, ele foi crucificado de cabeça para baixo; pois havia pedido que sofresse daquela maneira”.11 Jerônimo, no século 4º, acrescenta os motivos que levaram Pedro a fazer tal pedido: “Ele recebeu em suas mãos a coroa do martírio ao ser pregado na cruz com a cabeça voltada para o chão e seus pés levantados para o alto, afirmando que ele era indigno de ser crucificado da mesma maneira que seu Senhor”.12

          Segundo a pregação romana, o túmulo de Pedro encontra-se exatamente embaixo do altar consagrado da basílica e atrás do Nicho dos Pálios, local onde as estolas litúrgicas (pálios) são deixadas durante a noite antes de serem entregues aos novos bispos. Escavadores modernos encontraram um nicho escondido nessa parede contendo os ossos de um homem envolvidos em um pano de púrpura cara que, “acreditam”, possuía cerca de 60 anos quando morreu. Em 1968, a igreja declarou que tais ossos eram os restos de São Pedro.

          É importante esclarecer que todas estas informações são contestadas por vários estudiosos, devido à ausência de evidências satisfatórias e suspeita de manipulação de informações por parte da igreja romana. Todo o esforço de Roma em autenticar a presença de Pedro por lá visa aglutinar argumentos que corroborariam para aceitação de seu papado em Roma, pois como poderia sê-lo se jamais estivera lá? Entretanto, ainda que houvesse consenso de que Pedro esteve em Roma e que lá foi martirizado, isso ainda não seria o suficiente para alterar a avalanche de argumentos bíblicos que se opõe ao estabelecimento de seu papado. A dogmática católica depende da presença de Pedro em Roma, porém, esta suposta presença, se fosse confirmada, não tem a capacidade em si mesma de evidenciar que Pedro tenha iniciado a linha de sucessão apostólica, como quer a igreja romana.

          Bibliografia:

          Noites com os romanistas, M.H. Seymour, Edições Cristãs.
          Doze homens, uma missão, Aramis C. de Barros, Ed. Luz e Vida.
          O cristianismo através dos séculos, Earle E. Cairns, Ed. Vida Nova.
          Pedro nunca foi papa nem o papa é vigário de Cristo. Aníbal P. Reis. Ed. Caminho de Damasco.
          Quem fundou sua Igreja, padre Alberto Luiz Gambarini, Ed. Ágape.
          Os papas, Aquiles Pintonello, Ed. Paulinas.
          A hierarquia, padre José Comblin, Ed. Paulus.
          Bible Review, fevereiro de 2004, artigo “Peter in Rome”

          Notas:

          1 Doutrina que afirma a existência de certas verdades que se podem provar indiscutíveis (Não é este o caso da dogmática católica, passível de contestação).
          2 Eclesiologia: estudo pertencente ou relativo à Igreja, eclesial.
          3 Semasiologia: estudo do sentido das palavras, que parte do significante para estudar o significado.
          4 Eusébio de Cesaréia (265-339). Incentivado por Constantino, fez a narração da primeira história do cristianismo, coroando-a com sua imperial adesão a Cristo.
          5 Publicado no site: clique aqui
          6 Clemente 5.4.
          7 Irineu, Against Heresies [Contra Heresias] 3.3,2.
          8 Citado em Eusebius, History of the Church [A história da Igreja] 2.25.
          9 Veja Hans Georg Thümmel, Die Momorien fúr Petrus und Paulus im Rom, Arbeiten zur Kirchengeschichte 76 [As memórias de Pedro e Paulo em Roma, uma obra sobre a história da Igreja (Berlin: Wlater de Gruyter, 1999), p. 6,7.
          10 Tertuliano, Scopiace 15.3.
          11 Origen, Commentary on Genisis [Comentário sobre Gênesis], relatado em History of Church [História da Igreja] de Eusébio 3.1.2.
          12 Jerônimo, Lives of Illustrious Men 1.
          13 Livro 1, das Retratações, cap 21 (Livro escrito no fim da sua vida, para retratar-se de seus escritos anteriores).
          14 Publicado no site:
          http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/priesthood_p.htm, sob o título
          “Colaboradores de Deus – sobre o sacerdócio e a hierarquia eclesiástica”, escrito por Bispo Alexander Mileant e traduzido por Elga Drizul.
          Fonte: http://www.icp.com.br/77materia2.asp

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