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Íbis repete feito histórico e vence quatro jogos na temporada

Íbis repete feito histórico e vence quatro jogos na temporada

Pior time do mundo’ iguala recorde de 12 anos atrás, termina em 13º na
Série A2. Artilheiro da equipe diz ter até proposta do futebol de Portugal

O “Pior do Mundo” já não é mais o mesmo. Quem acompanha de perto a saga do Íbis, time pernambucano que carrega a alcunha de ser o “pior dos piores”, não acreditaria que a equipe pernambucana conseguisse surpreender os adversários. Encostado na Série A2 do Campeonato Estadual – a segunda divisão -, o Pássaro Preto não terminou a competição na última posição e ainda atingiu um feito inatingível há mais de 12 anos: venceu quatro partidas numa mesma temporada.

Apesar da derrota na última rodada, Íbis não foi apenas o 13º colocado, ficando à frente de outros dois clubes
(Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

Após conseguir uma vitória depois de quatro anos, o time deslanchou no campeonato e igualou a campanha de 1999, quando terminou subindo para a Primeira Divisão. Com a campanha regular de 2012 – ocupa o 13º lugar -, aquele que antes era o último dos últimos não carrega mais nem em seu escudo os dizeres de “Pior do Mundo” que o fizeram ser reconhecido internacionalmente. De acordo com o presidente da agremiação, Ozi Ramos, o folclore agora é apenas para a torcida.


Ozir Ramos é o presidente do Íbis
(Foto: Terni Castro / GloboEsporte.com)

– Quem trabalha aqui não está para brincadeira. Ninguém aqui joga para perder. Existe essa história (de ser o pior), e deixamos para o folclore da torcida. É melhor que continuemos ganhando. Não somos mais nem o pior de Pernambuco – comemorou o mandatário.

Entretanto, o presidente foi surpreendido pela reação da torcida ao “novo” Íbis. Parte do público está em “crise”, dividida entre perder a alcunha tradicional de anos de derrotas para dar espaço a um Rubro-Negro diferente, “vencedor”. Um grupo de torcedores, inclusive, promoveu um “protesto” em tom de descontração em relação ao momento no certame estadual. E ganhou adeptos. É o caso de Vladimir Arruda, 45 anos. Há 15 anos é torcedor do Pássaro Preto e vai de João Pessoa para acompanhar o time no Recife. Para ele, o clube pode até ganhar uma partida, mas a saga de ser o eterno perdedor não pode acabar.

Vladmir Arruda acompanha o time há 15 anos
(Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

– Digamos que estamos numa crise boa, mas se ganhar demais não é o Íbis. Os torcedores antigos tomaram gosto pelo sofrimento. A derrota é o que nos motiva. Eu mesmo saio de João Pessoa com 99% de certeza de que vai perder. Vim a um jogo no meio do campeonato e apanhamos por 5 a 1, fiquei tranquilo. Mas depois empataram duas partidas e comecei a estranhar. Na minha opinião, tem que continuar sendo o pior time do mundo – disse, com bom humor.

Vladimir conta que até quando trouxe seu filho para assistir ao jogo do time pernambucano já preparou o pequeno para o “pior”. E aconteceu.

– Vim com meu filho para o jogo contra o Vitória (time de Vitória de Santo Antão) e disse a ele para se preparar para a derrota. Porém, em 30 segundos de partida, o Íbis fez o gol. Meu filho me questionou, mas eu disse a ele: “Calma.” O resultado foi que empataram e tomamos o gol da virada aos 48 do segundo tempo – relembrou, aos risos.

Apesar de ter um grupo “torcendo” pelos infortúnios do Íbis, há quem prefira ver o Pássaro Preto alçando voos mais altos. Zé Carlos Santana, de 56 anos, acredita que a equipe deve, sim, encontrar de vez o caminho das vitórias para abandonar o fatídico posto de “Pior do Mundo”.

– Se ganharmos é melhor, porque esses meninos que estão jogando batalham diariamente para estar aqui. Espero que continuem com as vitórias para subirem de divisão – argumentou.

Apesar de pequena, Íbis também tem sua torcida fiel (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

O fato é que o Íbis terminou a participação na Série A2 do Pernambucano de um jeito “normal” para os torcedores. Perdeu dentro de casa, no Estádio Ademir Cunha, em Paulista (Região Metropolitana do Recife), para o Sete de Setembro (de Garanhuns, Agreste Pernambucano) por 2 a 0, com direito a pênalti perdido e jogador a mais em campo. Resultado que deixa a dúvida: será que o Pássaro Preto voltará a sua sina de perder sempre? Só o tempo, o time e a torcida poderão responder.

Marcos Costa: o técnico salvador

Comandante do time na campanha surpreendente do Íbis no Campeonato Pernambucano da Série A2, o treinador Marcos Costa comemorou o fato de a equipe ter saído das derrotas consecutivas. O curioso é que ele conseguiu repetir o último ano de boas vitórias do Pássaro Preto numa temporada: Marcos também foi técnico do histórico time de 1999, ano da subida para a Primeira Divisão estadual.

– Em 1999 era diferente da situação deste ano, pois fizemos uma campanha sem nenhum recurso e estrutura. Mesmo assim, conseguimos esse resultado. O Íbis ser o “pior” vale somente para a mídia, pois este ano tivemos equipes que apanharam duas vezes para a gente – atestou.

Nininho, o “mito”, e Washington, o artilheiro

Nininho virou ‘mito’ após marcar garantir primeira
vitória no ano (Foto: Aldo Carneiro / PE Press)Dois personagens de destaque na “revolução” do Íbis foram o atacante Nininho e o meio-campo Washington. O primeiro ganhou a alcunha de “mito” ao marcar dois gols na partida que deu a primeira vitória depois de quatro anos de infortúnio. Aos 23 anos, ele comemora a repercussão do seu nome entre a torcida.

– Eu curto, é legal o reconhecimento, mas mito eu não sou. Para ser mito tem que ser igual ao Pelé, que foi campeão mundial muito novo – brincou o atacante.

Nininho, que marcou cinco gols pelo Pássaro Preto no campeonato, revela que o Íbis pode servir de vitrine para conquistar o seu maior sonho.

Washington foi o artilheiro do time e diz ter proposta
de time de Portugal (Foto: Aldo Carneiro / PE Press)- Sou de trabalhar, batalhar pelo que quero, e agradeço aos meus companheiros também que lutam aqui, mas meu desejo é sair. Tinha o objetivo de me mostrar porque tenho sonho de jogar a primeira divisão (estadual).

Já Washington, artilheiro do time na competição, com 11 gols, celebra o fato de seu futebol pelo clube ter cruzado as fronteiras do país. O jogador teria sido sondado sondado por uma equipe de Portugal e pode deixar o Íbis em breve.

– O Íbis foi muito importante, porque trabalhei bastante aqui para ganhar meu espaço no futebol. O clube não revelou só a mim, mas outros companheiros, que estão recebendo propostas de times de Pernambuco. Quanto a mim, vou aguardar para que tudo dê certo.

Por Terni CastroRecife
globoesporte

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