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Na terra de Lula, gado morre e água de beber só pagando

 Em Caetés, a terra do ex-presidente Lula, distante 252 km do Recife, água é artigo de luxo. Só se vê pelas torneiras uma vez ao mês – e olhe lá. Carros-pipas percorrem rua por rua da cidade levando uma água imprópria para o consumo humano. Água de beber? Só quem tem dinheiro para pagar R$ 12 por um tambor de 50 litros, como o aposentado Gilberto Ferreira, primo de Lula, morador da Rua José Severino, 94, no centro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pior na terra de Lula não é a falta de água, mas a mortandade do gado. E dentro da cidade, no perímetro urbano. A 200 metros da casa em que mora o seu primo, bem em frente ao Centro de Saúde Dona Lindu, mãe do ex-presidente, o pecuarista Jonas Araújo de Barros cria 40 vacas de leite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E, em menos de 30 dias, devido ao agravamento da seca, perdeu 14 vacas leiteiras, abatidas pela fome. Ao invés de jogar o animal bem distante, quando morto, para evitar transtornos aos moradores, Jonas criou o seu cemitério para o rebanho dizimado pela seca ali mesmo. O mau cheiro causa revolta em alguns moradores próximos, como dona Maria, esposa de Gilberto, o primo de Lula.

“Olha ali o gado dele morto. Tem dia aqui que a gente não aguenta a catinga”, reclama Maria. Na casa dela, encontrei uma foto do seu sobrinho ao lado do ex-presidente Lula, orgulho da família. Mas encontrei, também, as torneiras sem uma gota de água. “Água? Isso aqui só aparece uma vez por mês”, diz ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O drama gerado pela seca na terra de Lula é visto a olho nu, em qualquer parte da cidade. Nas ruas, tonéis enfeitam as casas à espera do líquido. Nos restaurantes e bares, os comerciantes compram água aos pipeiros para não provocar constrangimento à freguesia, que muitas vezes não tem nem como lavar as mãos. Manoel Aleluia Firmo de Souza, 14 anos, não sabe o que é banho de chuveiro há muitos anos.

“Tomo banho de cuia, mas é como se tivesse tomando banho no mar de tão salgada que é a água”, desabafa Aleluia. Parente do pecuarista Jonas Araújo, Carlos de Josias contabiliza prejuízos da ordem de R$ 25 mil pela perda de 14 reses, mortas de fome. No acesso ao curral de gado da propriedade que também gerencia presenciamos a cena de uma vaca agonizando, quase morta.

“Esta não leva mais dois dias. É uma pena, porque era uma vaca tão leiteira”, lamenta Aleluia, que anda preocupado agora com outro problema sério na fazenda: a morte de bezerros, provocada por cães vadios que rodeiam a propriedade. “Só em 15 dias, perdemos cinco bezerros”, disse, apontando para um animal morto dentro no curral e que fora abatido na noite de ontem por cachorros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se a seca dizima, por outro lado há quem tire dela o seu sustento em Caetés, como o agricultor Edilson Silvério da Silva, 45 anos, que usa dois tonéis grandes em cima de uma carroça puxada por um burro para vender água tirada de um açude público no centro da cidade ao preço de R$ 10. “A viagem é R$ 10”, diz Edilson, referindo-se à distância que separa a fonte de água ao local onde entrega o produto.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMO DE LULA ACHA DILMA MELHOR

No centro de Caetés, Lula só tem um parente. É o Gilberto, referência no início deste texto. Os demais estão espalhados pelos sítios nos arredores, especialmente em Lajes e Vargem Comprida, onde o ex-presidente nasceu e de lá partiu, menino imberbe, para ganhar a vida em São Paulo, tangido por uma grande seca nos anos 40.

Gilberto tem traços que lembram o ex-presidente, com quem conviveu muito pouco na infância, a começar pela barba branca e rala. O primo pobre diz depois que Lula foi eleito só esteve com ele em duas oportunidades, ambas em Caetés, após solenidades oficiais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Lula é um guerreiro, uma figura amada por todos nós, mas acho que Dilma vem fazendo um Governo melhor do que o dele”, diz Gilberto, com a concordância de Maria, sua mulher. Acha que Dilma, diferente de Lula, tem mais coragem de enfrentar os poderosos e impõe mais respeito.

“Ela é uma presidente durona, que não leva desaforo para casa e está pondo muito canalha na cadeia”, afirma, adiantando que Lula fez um bom governo, mas Dilma está sendo mais bem sucedida.

Com Maria, Gilberto tem três filhos e todos eles, morando em Lages, interior do município de Caetés, tentam resistir às intempéries da seca, mas completam a renda mensal com o Bolsa-Família. “Eles estão alistados desde o início do programa e isso não deixa de ser uma grande ajuda”, observa o primo pobre de Lula.

Fonte – Magno Martins

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