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Como fica o sexo com a chegada dos filhos?

Como fica o sexo com a chegada dos filhos?

A mulher precisa recuperar a autoestima e reaprender a se olhar quando o desejo diminui. Mas os homens também precisam ajudar

“Fátima, sou casada há 15 anos e tenho dois filhos. Antes do nascimento do meu primeiro filho minha vida sexual era ótima, mas depois passei a não ter desejo e tempo para o sexo. Acho que fiquei focada na maternidade. Com o nascimento do segundo, a situação piorou. Meu marido reclama que não tenho tempo para ele. Não sei o que fazer. Me ajuda?”

Cara leitora, parece que neste momento você constata que sua vida sexual não existe e não tem ideia do que fazer.

Após o nascimento do primeiro filho muita coisa muda. A atenção, que antes era toda para o parceiro, agora é para a criança – que depende totalmente da mãe. Noites inteiras de sono, descanso, profissão, relação, sexo e os cuidados pessoais sofrem uma reviravolta. Sem falar nos gastos, motivos de preocupação e às vezes brigas entre o casal.

Com tanta coisa acontecendo após a maternidade, o sexo é deixado de lado. O casal acaba demorando a perceber que precisa reativá-lo. Se um segundo filho vem em pouco tempo, essa recuperação pode tardar mais ainda ou nem ocorrer.

Para começar, a casa, que antes recebia somente o casal e alguns amigos e parentes nos fins de semana, passa a ter um trânsito intenso de visitas. Sem contar as horas das mamadas, banhos, trocas de fraldas, que levam os novos pais à tensão e à exaustão. Por um período ninguém pensa em sexo.

Do ponto de vista físico, a mulher pode vir a apresentar dores durante a penetração devido ao ressecamento vaginal e perda do apetite sexual, ambos causados pelo aumento da prolactina, hormônio importante para a amamentação. Nesses casos, é indicado um gel lubrificante à base de água para facilitar a penetração e a masturbação entre o casal.

Psicologicamente, desde o início mãe e bebê vivem uma relação emocional intensa. É uma fase importante na constituição do vínculo afetivo e para a sobrevivência do pequeno. Contudo, a separação psíquica com o passar dos meses é imprescindível para que o pai faça parte desse elo. Muitos parceiros apresentam sentimentos de exclusão e abandono nesse período.

Também há mudanças do lado dos homens. Após a vinda da criança, alguns passam a enxergar a parceira com um olhar sagrado, não mais como sua amante, a mulher sensual. Quando isso ocorre, ele rompe com o erotismo e perde seu desejo por ela.

Outros ficam impacientes para retomar a vida sexual, que vai passar por mudanças – nem sempre boas.

Com o passar dos meses, ela precisa voltar o olhar para si, o que não é fácil. A sensação que havia na gravidez de não ser atraente ou sexy continua por algum tempo. Muitas mulheres evitam o sexo com receio de serem rejeitadas por causa do ganho de peso ou do aparecimento de estrias e celulite.

Para os casais que estão nessa mesma condição, aí vão algumas dicas.

Para os homens:
– A impaciência é um veneno para o sexo. Em vez de reclamar pela falta, seja sedutor e afetuoso. Elogie, mostre o seu desejo e interesse sem ser agressivo.

– Algumas mulheres não gostam do contato oral no seio enquanto amamentam. Procure saber o que ela deseja.

– A partir de agora, ela conta com a sua ajuda para que ao final do dia tenha disposição para o sexo. Homem no sofá com controle nas mãos está fora de cogitação. Acorda, a vida mudou!

Para as mulheres:
– Aos poucos, retome atividades imprescindíveis para sua autoestima, como ir ao cabeleireiro, fazer massagem e praticar exercícios, que podem até ajudar na flexibilidade durante a transa.

– Use as fantasias para ativar sua libido e motivação sexual.

– Não se sinta desconfortável em pedir ajuda para as visitas com o bebê, pois esses momentos só para você são necessários para recarregar as energias.

Para o casal:
– Conversem a respeito das mudanças e de seus sentimentos mútuos, assim como vocês faziam durante o namoro. Recuperar a intimidade é importante para a relação.

– Retirem o máximo de prazer juntos. Caprichem nos beijos, carinhos e, quando se derem conta, já estarão transando. Substituam a quantidade de sexo pela qualidade.

– Arrumem um tempo só para vocês à medida em que o bebê vai crescendo. Deixá-lo com os avós ou tios pode ser uma boa opção de vez em quando. Saia para jantar, retome o motel e os encontros com amigos.

Para finalizar, indico para os casais o livro: “Sexo no Cativeiro – Driblando as Armadilhas do Casamento” (Objetiva), de Esther Perel.

Por: Sexóloga Fátima Protti em: delas.ig.com.br

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