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No Dia do Maçom, conheça a ordem que influencia discretamente o País

No Dia do Maçom, conheça a ordem que influencia discretamente o País
Para a maçonaria, a liberdade, a democracia e o intelectual norteiam os princípios da ordem / Foto: ReproduçãoPara a maçonaria, a liberdade, a democracia e o intelectual norteiam os princípios da ordemFoto: Reprodução

Uma das sociedades mais ‘secretas’ do mundo atravessou séculos guardando os mistérios que apenas um grupo seleto de homens é capaz de decifrar. São vários os cidadãos dos mais diversos setores da sociedade como empresários, advogados, médicos, políticos, comerciantes, que mantêm misteriosamente a filosofia e os dogmas da maçonaria. Para eles, a liberdade, a democracia, a fraternidade e o aperfeiçoamento intelectual norteiam os princípios da ordem. Já para outros, a denominação causa muita curiosidade e desconfiança. Afinal, o que estaria por trás desta instituição? Neste sábado (20), quando é comemorado o Dia do Maçom no Brasil, o NE10 conversou com alguns integrantes para frisar alguns conceitos referentes à sociedade maçônica.
No Estado, funcionam expressivamente apenas três “potências”: a Grande Loja Maçônica de Pernambuco, o Grande Oriente Independente de Pernambuco e o Grande Oriente de Pernambuco (federado ao Grande Oriente do Brasil), somando mais de três mil membros maçônicos entre ativos e regulares. Segundo Guilherme de Queiroz Ribeiro, grão mestre-adjunto I (cargo equivalente a primeiro vice-presidente) do Grande Oriente Independente de Pernambuco, durante um mês são realizados pelo menos quatro encontros na instituição, sendo um a cada semana. “Participam pessoas de classes médias e baixas. Para ser integrante, não precisa ter renda alta. Aqui em Pernambuco, o membro paga uma mensalidade em torno de R$ 50 a R$ 100 por mês para manter a loja e os custos, como água e manutenção de um prédio. O valor varia de acordo com cada necessidade da loja”.Engana-se quem pensa que qualquer pessoa pode integrar a ordem. Para participar da instituição, o indivíduo é “escolhido a dedo”, ou seja, deve ser convidado por outro integrante da entidade, que não aceita qualquer pessoa. “O trabalho da loja é preparar o maçom para ser a melhor pessoa na sociedade, de modo que seja um exemplo para os demais. A maçonaria acolhe homens de diversas religiões, aceitando indivíduos de várias correntes de pensamentos e políticos”, frisou o grão mestre-adjunto I, destacando que o homem deve ter bons méritos para ser iniciante na maçonaria. Ele ainda garante que a maçonaria não possui vínculo direto com determinada religião específica, tendo Deus como princípio.

 

Assim que a vida pessoal do novato é “escrutinada”, a entidade vota para que o candidato seja aceito como membro. “A loja vai verificar todos os requisitos pessoais como: a sua origem, quais são as ocupações pessoais e profissionais, se ele é casado, se é bom marido, bom pai. Depois de tudo isso, vai entrevistar conhecidos e parentes para saber se concorda com o ingresso”, contou Gláucio Veras, médico neurocirurgião, membro da Grande Oriente do Paraná há cerca de 40 anos. Ele, no entanto, está em transição para ingressar em uma das ordens em Pernambuco, já que trabalha no Estado.

A partir disso, um ritual secreto é realizado para conceder o grau de aprendiz ao candidato envolvendo desorientação e juras. A reportagem ainda questionou sobre o processo de desorientação, no entanto o grão mestre-adjunto I negou dar mais informações sobre o ritual, pois só quem passa pela cerimônia pode saber os detalhes. “O candidato pode se sentir desorientado, mas não tem dor física como dizem por aí. Apesar de ser secreto, as pessoas revelam fragmentos do processo ao longo do tempo da história”.

O grau de aprendiz é apenas um dos três níveis básicos (1º aprendiz, 2º companheiro e 3º mestre), porém há até mais de 30 degraus de hierarquia, a depender do rito (sistema de graduação) praticado nas potências. Assim que o novato passa pelo ritual, algumas instruções secretas são repassadas para não gerar suspeitas como gestos, cumprimentos e frases, segundo Gláucio Veras. “Maçom é igual a qualquer outra pessoa, com mesma rotina e mesmos interesses. Ele só assume um compromisso com determinada organização”, frisou o médico.

Para subir de grau na hierarquia, de acordo com Veras, o membro deve se especializar para evoluir de acordo com o aprendizado e interesse nas reuniões da loja. “Maçom tem entrada, mas não tem saída. Ele não pode deixar de ser maçom nunca! O homem pode deixar de frequentar, mas não pode deixar de sair. É um compromisso que você tem com o aprendizado lá dentro e esse compromisso é para o resto da vida”, acrescentou Gláucio Veras.

O integrante da ordem ainda ressalta que apenas os princípios da entidade são secretos, porém as reuniões e as decisões são discretas, não podendo discutir os assuntos do encontro fora da maçonaria. “A sociedade é discreta porque não precisamos nos esconder. Hoje o maçom não é perseguido porque não corre perigo de ser assassinado como antigamente”, detalhou. Guilherme de Queiroz explicou ainda que os integrantes da Maçonaria eram perseguidos pelo governo português por causa do posicionamento a favor da criação de uma república, pois os maçons não queriam o Brasil dependente de Portugal.

Segundo Gláucio Veras, participar da instituição é poder influenciar nas esferas da sociedade. “É ter atuação além da minha área profissional. A loja pode decidir politicamente por uma posição de determinada situação do País, como o impeachment de um presidente”, disse Gláucio Veras ao explicar que é uma maneira de trabalhar vários temas relacionados ao Brasil. “Após a assembleia, a maçonaria se posiciona sobre determinado tema político e enviamos uma carta às autoridades, divulgando nosso posicionamento”, acrescentou o grão mestre-adjunto I.

“A maçonaria não é uma ordem para fazer caridade, mas para agir socialmente. Isso tudo é para evitar que o indivíduo um dia precise fazer caridade. Se um dia uma pessoa não precisar de caridade, isso significa que é uma sociedade boa para se viver”, acredita o médico neurocirurgião. O jornalista Carlos Eduardo Amaral, venerável mestre (presidente) da loja Joaquim Nabuco, do Grande Oriente do Brasil, enfatiza que, no processo de solicitação de ingresso, o candidato tem de declarar sua renda e estar ciente sobre as implicações financeiras decorrentes da admissão. “Um maçom tem de socorrer um irmão sempre que possível, sendo delito maçônico, a recusa de um pedido de ajuda; em segundo lugar, tem de assistir suas viúvas e filhos. Por fim, precisa auxiliar os desvalidos. Se a maçonaria admitisse candidatos sem recursos, seria assistencialista e, com o passar do tempo, deficitária”, destaca.

Atuação na história e na política

Desde que a entidade foi estabelecida no ano de 1717, em Londres, a ordem influencia diretamente as esferas políticas, econômicas e sociais do mundo. Quem sabia que a maçonaria estava diretamente envolvida na Independência do Brasil? Poucas pessoas conhecem esse marco na história do País. Pois Joaquim Gonçalves Ledo, substituto interino do então primeiro grão mestre do Grande Oriente do Brasil, José Bonifácio, foi o responsável por realizar uma reunião, no dia 20 de agosto de 1822, para se posicionar a favor da Independência. Uma cópia da ata desse encontro foi encaminhada para Dom Pedro II, que leu o conteúdo às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822. Em 1817, uma república foi fundada pelos maçons em Pernambuco, que durou apenas 45 dias, sendo sufocada pelo governo português.

Desde então, a ordem perdeu fôlego ao longo dos anos e atua discretamente nas diversas áreas decisivas do País. Segundo Queiroz, atualmente, a instituição se posicionou a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (exonerada por votação decidida na Câmara e Senado). “Hoje a maçonaria não tem tanto poder, mas os membros têm interesse na política. A nossa proposta é criar uma sociedade melhor e a política influencia”, destacou. A entidade vai além, de acordo com ele, quando o assunto é discutir os valores da sociedade. “O trabalho da maçonaria é ajudar pessoas menos favorecidas que estejam em instituições carentes, além de atuar na luta contra a corrupção”, explicou.

Acompanhando os tempos modernos, porém, algumas potências maçônicas já admitem que interessados se habilitem procurando diretamente as organizações. Isso não os isenta do processo de sindicância e escrutínio. Carlos Eduardo explica que esse procedimento, embora não predominante, passou a ser aceito em países onde a maçonaria é tradicional, a exemplo da Argentina, dos Estados Unidos e da Inglaterra, sede da potência que serve de referência às demais do mundo, a Grande Loja Unida da Inglaterra. 

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Verdades e mentiras da Maçonaria

Crédito: Ilustração: Guilherme Castro/NE10

A mulher na maçonaria

Apesar de a ordem contar com o maior número de homens, Guilherme de Queiroz explica que a proposta da obediência é aceitar apenas maçom do sexo masculino, mas isso não significa que a classe desvaloriza a mulher. “Existe maçonaria apenas para homens e outra para mulheres. Também tem uma outra mista, mas sem muita expressão ou quase desconhecida. A proposta de aceitar homens remonta à tradição muito antiga, preservando a tradição. Alguns maçons não aceitaram e criaram uma feminina e outra mista. A maçonaria é uma expressão progressista, isso não quer dizer que desvaloriza a mulher”, explicou. “Eu sou maçom, mas a minha mulher não pode entrar para reunião da loja. Se isso for causar um problema para família, a maçonaria não aceita”, complementou Gláucio Veras.

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