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Depois de 20 anos de estudos soro contra picada de abelhas é testado pela primeira vez em seres humano

Depois de 20 anos de estudos soro contra picada de abelhas é testado pela primeira vez em seres humano

Os acidentes causados por abelhas no Brasil têm números expressivos, afetando mais de 10 mil pessoas por ano e causando cerca de 40 óbitos, porém estes números podem ser quatro vezes maiores. O indivíduo pode chegar à óbito através de duas maneiras. Por envenenamento pela peçonha da abelha. Que ocorre quando um número muito grande de picadas acontece (mais de 200), já que a quantidade de veneno nesses casos é grande o suficiente para causar graves lesões em órgãos vitais. O veneno da abelha contém melitina que é potencialmente tóxica para órgãos como o rim, coração e fígado, entre outros, determinando grave quadro clínico que pode levar à morte. Já que não há na medicina nenhuma medida específica que possa desativar o veneno, a medida é esperar a eliminação do mesmo pelo organismo, e em muitos casos mesmo eliminando o veneno a morte é inevitável.

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Outro mecanismo é a anafilaxia. Pessoas que são alérgicas ao veneno da abelha, não precisam de centenas de picadas para levar a um quadro de alergia generalizada e o óbito. Uma já basta. Em casos assim a toxicidade do veneno não tem relação com as consequências, já que o veneno está em pequenas quantidades no corpo. Sendo assim o tratamento se limita à medidas para inibir a anafilaxia, com drogas antialérgicas.

Graças à medicina, estamos avançando para conseguir um soro contra a picada de abelha, que depois de 20 anos de estudo, no dia 21 de agosto de 2016, foi testado pela primeira vez no homem. “Fruto do trabalho de mais de 20 anos do CEVAP e do Instituto Vital Brasil, o produto foi entregue em 2013 para ser viabilizado em Pesquisa Clínica à Infectologia UNESP e à UPECLIN, Unidade de Pesquisa Clínica da Faculdade de Medicina de Botucatu, através do Estudo APIS, que também conta com a participação da UFTM e da UNISUL”, disse ao Acontece Botucatu, um dos pesquisadores, Alexandre Naime Barbosa.

Pesquisadores da Unesp aplicaram pela primeira vez em uma pessoa, o soro contra o veneno de abelhas. Segundo o médico a paciente é uma mulher de 33 anos, que foi picada por cerca de 400 abelhas em uma fazenda no município de Avaré. Ela já sabia dos estudos que estava ocorrendo em Botucatu e procurou ajuda no Pronto Socorro do HC na cidade de Botucatu. Ela foi a primeira incluída no estudo sendo administrado o Soro Antiapílico, sem qualquer intercorrência ou evento adverso. Análises em andamento irão esclarecer sobre a eficácia do produto.

O soro tem como objetivo de neutralizar a melitina, que é o principal composto tóxico do veneno das abelhas, impedindo a ação de destruir músculos e rins. Os resultados da aplicação serão avaliados no final do estudo, após recrutar 20 pacientes em dois anos. A paciente segue estável e não corre risco de morte.

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O produto foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp de Botucatu em parceria com o Instituto Vital Brazil, de Niterói – RJ.

O soro é aplicado por via intravenosa. São aplicados 20 mililitros (ml), que são o bastante para levar ao corpo uma quantidade de anticorpos capaz de neutralizar 90% dos problemas causados pelas picadas de abelhas africanizadas, as mais comuns no Brasil.

Os responsáveis pela aplicação do soro são da Upeclin e o especialista responsável pela condução do estudo é o médico infectologista e professor da FMB, Alexandre Naime Barbosa, do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem.

Fonte: acontecebotucatu
Imagens: Reprodução/atarde / hiperteia

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