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Emoções e movimento humano

Emoções e movimento humano

Terminado o período dos Jogos Olímpicos é interessante refletir por quantas e quantas vezes formos instados a participar e nos emocionar com o que estava acontecendo. Sendo presos pelo desenvolvimento de empatias com os atletas, com situações de superação e com narrativas construídas pelos próprios atletas, pelos jornalistas, pelos patrocinadores. Eles tentaram e, por vezes, conseguiram fazer com que fossemos transportados para as arenas e participássemos efetivamente das alegrias, frustrações, tristezas e superações; mesmo estando no sofá de casa.

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A força do esporte está no potencial e na efetivação desse potencial em conectar pessoas que não se conhecem, que nunca se viram e que naquele momento específico passam a compartilhar de um mesmo objetivo: a vitória, o sucesso e a superação; e vivem a frustração, a alegria, a raiva, o êxtase, a tristeza dentre outras manifestações emocionais. Pode-se obviamente utilizar esse momento dos Jogos para tentar arregimentar um número maior de praticantes. De pessoas que passem a se exercitar sem que o objetivo primário seja o esporte de alto nível.
Mas quase da mesma forma que o contato foi intenso, ele também é frágil. Vivenciado o momento a maioria voltará para suas vidas e esperará um novo momento, usualmente de forma passiva. Pois não faz parte da cultura brasileira a inserção da atividade física e do esporte como rotina, como uma parte quase indissociável do nosso cotidiano.
Interessante que os não-praticantes, na maioria dos casos, desconhecem a gama de processos e de possibilidade de vivenciar emoções que a atividade física e o esporte podem gerar, sejam estas boas ou não tão boas. As emoções podem ser geradas por processos bioquímicos desencadeados pela prática esportiva, podem ser desencadeados pela prática em grupo, e, portanto, de fonte psicossocial.
Pela vivência da sua própria superação ou da superação do outro; podem ser desencadeadas por uma caminhada ou por andar de bicicleta, bem como esportes mais radicais e que põe as pessoas em risco eminente, experienciando emoções decorrentes desse risco. Entretanto, as emoções podem ser originárias de simples brincadeiras infantis; podem ser em locais abertos ou fechados, com equipamentos ou sem equipamentos, pagos ou gratuitos. O que quero realçar é que estamos diante de um universo de experiências e vivências que podem auxiliar no desenvolvimento e na gestão das emoções, no controle do estresse, na percepção de bem-estar, dentre outras.
Todas essas formas são algumas das expressões do movimento humano. O cerne está em entender que por meio da atividade física e o esporte é possível atingir diversos aspectos do ser humano, que terá efeitos sobre o psicológico, o social, o físico, o cognitivo, e, até mesmo o espiritual.
Nesse cenário é preponderante desafiar o profissional a compreender que a atividade física e o esporte não se reduzem a uma ou duas dimensões humanas, não se limita a uma visão biologizante. Se, como foi apontado, a atividade física e o esporte têm efeitos sobre diversas dimensões, o profissional tem de ter como missão conhecer profundamente as interconexões entre estes fatores e como contribuir para que a expressão das ações sejam uma melhor percepção do bem-estar, das emoções e vivências positivas, do engajamento em uma vida saudável e da performance, caso seja o foco.

(Flávio Rebustini é Doutor pela UNESP/Rio Claro. Membro do LEPESPE – Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte/UNESP-RIO CLARO. Coordenador da Especialização em Psicologia do Esporte da Universidade Estácio de Sá. E-mail: frebustini@uol.com.br). 

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