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A posição dos pés durante o exercício muda alguma coisa?

A posição dos pés durante o exercício muda alguma coisa?

A posição dos pés muda alguma coisa? Minha carreira como “professor” de educação física começou em 1999. Em janeiro do mesmo ano comecei a trabalhar em uma academia de Porto Alegre com 3 unidades, eu ficava na menor e com mais “ferros”. Aprendi muita coisa nessa época. Via os atletas consumindo marmitas, testando protocolos de esteroides e substâncias de emagrecimento.

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Treinamentos que misturavam técnicas de atletas de força, hipertrofia e tantos outros. Tive a oportunidade de conviver com muitas pessoas, farmacêuticos, dançarinos de boate, secretárias, faxineiras e outros tantos que queriam viver o sonho do corpo “perfeito”. Nessa época se usava muita coisa baseada na prática, na experiência própria, não que seja muito diferente hoje. Mas com o tempo as coisas foram mudando m pouco e os estudos começaram a aparecer e fazer toda a diferença no processo de verificação da efetividade de certos conceitos de treinamento.

Quando alguém começava a falar em benefícios de determinados tipos de treinamento eu ficava muito atento, isso para aprender com os mais experientes e quem sabe melhorar meus atendimentos. Nesse período os professores particulares (personal trainers), faziam alguns exercícios que chamava a atenção e alguns atletas também.

Em um dia perguntei para um desses professores o motivo que ele alternava o posicionamento dos pés dos atletas na hora de fazer exercícios de perna, era no Legpress que o aluno estava. Prontamente ele começou a me explicar; “conforme a posição dos pés você vai estar dando maior ênfase para diferente musculatura. Eu saí impressionado. Claro que isso me fez ter muito mais segurança na hora de prescrever o treinamento para meus “alunos” da unidade dos “ferros”.

Em outra ocasião, agora conversando com um atleta, eu comentei o que havia aprendido. Ele me olhou e disse: “não te prende a esses detalhes, se conseguir fazer bem feito os exercícios de perna, qualquer posição vai dar resultado. Pronto, entrei em conflito e já não sabia mais o que fazer. Deveria ou não mudar o posicionamento dos pés na hora de realizar os exercícios de perna para dar ênfase em diferentes músculos? Essa é a velha dúvida da sala de musculação: “professor qual “PEGA” mais?

Vou tentar responder essa questão mostrando um artigo que foi publicado em 2013 no International Journal of Exercise Science com o título “Effects of Foot Position during Squatting on the Quadriceps Femoris: An Electromyographic Study” que em tradução livre fica “Efeitos da posição dos pés no quadríceps femoral durante o agachamento: um estudo eletromiográfico”. Não é o melhor artigo do mundo mas me chamou atenção pela posição que foi chamada de “desalinhada” pelos autores.

Nesse trabalho foi analisado o posicionamento dos pés durante o agachamento e a resposta eletromiográfica no reto femoral, vasto lateral e vasto medial. Foram recrutados para o estudo 7 mulheres e 13 homens, todos saudáveis. Foram analisadas quatro diferentes posições dos pés neutros, rodados internamente, externamente rodados, e desalinhados.

Os resultados encontrados no estudo são interessantes. No geral não houve diferença na ativação do quadríceps femoral quando os pés estavam em posição neutra, internamente rotada ou externamente rotada. Houve diferença na ativação eletromiográfica apenas na posição dos pés desalinhados. Os autores então sugerem que essa posição seria a única que poderia impactar no treinamento por mostrar maior ativação muscular quando comparada as outras.

Entretanto, os próprios autores levantam alguns pontos de possível interferência nos resultados. Os sujeitos não foram perguntados se haviam realizado exercícios nos dias anteriores aos testes. Os ângulos de realização dos movimentos não foram medidos e isso pode ter interferido drasticamente nos resultados. A fadiga muscular não foi considerada durante o estudo e isso pode interferir aumentando a magnitude do sinal eletromiográfico.

Em minha opinião, esse estudo mostra que podemos usar os diferentes posicionamentos, quando possível pelas limitações do aluno, para tornar o treinamento diferente e mais atrativo. Quando for preciso mudar o estímulo de EMG parece que a posição desalinhada seria mais interessante. Será que ativar mais é sinônimo de maior resultados em hipertrofia? A discussão está aberta, deixe sua opinião sobre o assunto e sobre esse artigo. Se puder embasar sua resposta com estudos científicos irá ser de grande ajuda.

Faça seus comentários e compartilhe com seus colegas.

André Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano e Expert do Portal da Educação Física

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