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Uma questão de ética: é possível engravidar retirando sêmen de um preservativo e introduzindo no canal genital?

Uma questão de ética: é possível engravidar retirando sêmen de um preservativo e introduzindo no canal genital?

“Ouvi dizer que muitas mulheres tiram o esperma recém ejaculado com uma seringa sem agulha da camisinha e introduzem no canal genital para engravidar do parceiro. Isso funciona mesmo?” G.O.P

Bem, apesar de não existir garantias de que esse método seja eficaz e de que a inseminação artificial caseira depende de vários fatores para dar certo, sim é verdade, isso pode sim acontecer. Esse método, além de contestável em termos de eficácia na gravidez, também é arriscado por poder causar infecções caso não seja realizado com os cuidados de higiene necessária. Além disso, também envolve um sério componente ético, pois há mulheres com extrema baixa estima que se submetem (sabe-se lá porque) a desvalorização de si mesma e mentem ao parceiro, ao pegar preservativos usados (muitas vezes já descartados no lixo) e introduzir o sêmen no canal vaginal. Isso é muito sério, pois além das questões éticas, o risco de DTS como sífilis, hepatite, HIV, dentre tantas outras, é eminente, principalmente para mulheres que querem engravidar a todo custo e utilizam esperma de parceiros desconhecidos (sim, há casos deste tipo!). No entanto, a inseminação caseira muitas vezes é consensual, ou seja, pode ser um desejo de ambos os parceiros que não podem/querem pagar uma clínica para uma inseminação artificial. Então, partindo da premissa que a pergunta foi feita com finalidades éticas, vamos discutir um pouco (sem indicar que se faça) sobre como ela ocorre. Afinal, informação nunca é demais, né?

Nas últimas décadas, é comum que pessoas com dificuldades em gerar filhos (como é o caso de mulheres com problemas relativos a ovulação e alterações no útero, e o caso dos homens que possuem uma baixa produção de espermatozoides saudáveis) ou mesmo casais homossexuais, procurem clínicas para realizar inseminação artificial. Nesse tipo de reprodução assistida o espermatozoide é coletado e passa por uma seleção, de acordo com sua mobilidade. Também há bancos de sêmen, onde doadores saudáveis fornecem sêmen para casais que querem, mas não podem ter filhos. Após a coleta e seleção de espermatozoides, o processo de reprodução assistida decorre com o auxílio de medicamentos que induzem a ovulação na mulher, e ultrassonografias seriadas são realizadas para acompanhar o desenvolvimento dos folículos (onde os óvulos se formam). A inseminação então poderá ser ultracervical, onde os espermatozoides são depositados perto do colo do útero, ou por inseminação intrauterina, ocorrendo a deposição mais próxima das trompas, o que aumenta as chances de fecundação. Por isso esta última é mais eficiente.

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No caso da inseminação caseira, ela tem o mesmo intuito da inseminação ultracervical. Coletando o espermatozoide em copos esterilizados (obtidos em farmácias) ou de camisinhas, com o auxílio de uma seringa sem agulha ou de uma bisnaga para ducha vaginal, o sêmen é introduzido o mais próximo possível do colo do útero. Esse método, assim como em toda inseminação, é realizado durante o período fértil da mulher. Há quem introduza o sêmen sem ajuda de nenhum artifício, usando apenas os dedos. No entanto, alguns fatores apontam a ineficácia do método: há quem diga que o alcance dessa seringa não é o suficiente e que o órgão genital masculino alcance melhor o colo do útero se “profundamente” introduzido na hora da ejaculação. Além disso, a estimulação hormonal para a ovulação e o contato com a acidez do canal genital desfavorecem o método caseiro, já que nas clínicas utiliza-se um cateter na cavidade uterina para lançando os espermatozoides diretamente no útero, sem que passe pelo canal. Por isso especialistas apontam que nessa inseminação há chances muito pequenas de gravidez, mas não é impossível.

Pois é, a inseminação caseira pode ter riscos, que aumentam dependendo das condições de higiene e da situação do parceiro do qual o sêmen foi obtido. Sua eficácia inevitavelmente é bem menor do que uma inseminação em clínicas, e por este e outros motivos citados, é melhor procurar um especialista para tal finalidade. E mulheres, ser mãe é um momento muito especial e envolve uma série de responsabilidades. Não se trata apenas de você e da valorização do seu corpo, mas também de uma outra vida que merece ser gerada com cuidados e todo amor e respeito! Então, caso seu sonho seja ter um filho, pense bem em como, com quem e porquê deseja isto.

Fontes: maeaflordapele/inseminacaoefertilizacao/minhavida/brasilescola/babycenter   Imagens: thestreet/f
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