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Você já ouviu falar em “aids felina”? Conheça a doença e saiba como evitar que seu gato contraia

Você já ouviu falar em “aids felina”? Conheça a doença e saiba como evitar que seu gato contraia

Em 1986, foi documentado o primeiro caso de infecção por FIV, o Vírus da Imunodeficiência Felina. Não, não é impressão sua. O nome é bem parecido com HIV, o Vírus da Imunodeficiência Humana. E não é só no nome que eles se parecem. Não somente as sequências gênicas e os métodos de replicação do FIV são muito parecidos com os do HIV, quanto a maneira como o FIV age no organismo dos felinos é idêntica à do HIV em seres humanos. Tanto que se você fizer uma rápida pesquisa, não raro irá se deparar com a expressão “Aids felina”, nome popular da Imunodeficiência Felina.

De fato, o FIV honra o seu nome ao causar uma queda importante na resposta imune do animal a infecções simples. O problema é que, assim como o HIV, o FIV pode ficar latente no organismo por meses e até anos sem dar qualquer sinal de sua existência, o que significa que proprietários de gatos podem já estar convivendo com a infecção em casa enquanto realmente acreditam ter um animal perfeitamente saudável. Num artigo publicado na revista WebVet pelo consultor especializado em medicina felina Prof.Alexandre G.T. Daniel, menciona-se casos de indivíduos que chegaram a viver entre oito a dez anos apenas “portando” o vírus, sem que qualquer sintoma inequívoco da infecção aparecesse. Por isso a importância de se conhecer os estágios da doença e ficar atento: se o seu gato fica constantemente doente sem razão aparente, e não responde bem aos tratamentos recomendados pelo veterinário, pode ser necessário um exame mais minucioso a fim de verificar se há anticorpos contra o FIV na corrente sanguínea do animal, o que já aparece no primeiro estágio da infecção.

OS ESTÁGIOS DA DOENÇA

Há uma certa divergência na literatura quanto a quantidade exata de estágios da Imunodeficiência Felina. Mas, em essência, a descrição da maneira como a doença progride em termos de sintomas é unânime. Num primeiro momento após a infecção, há uma resposta imunológica agressiva do organismo em relação ao vírus, o que aparece externamente na forma de febres e leve inchaço dos linfonodos. Isso ocorre devido à produção em massa de anticorpos contra o vírus, o que faz com que ela se estabilize momentaneamente. É aí que entramos no segundo estágio da doença, quando o animal aparenta estar saudável. Como já dissemos, não há um tempo certo para a duração dessa fase.

Conforme a infecção avança e o organismo não consegue mais prover uma defesa minimamente eficaz contra ela, as infecções oportunistas – que já apareciam eventualmente no período de latência – começam a evoluir em gravidade. Desde as febres crônicas até a chamada “fase de franca imunodeficiência adquirida”, quando a doença se manifesta com maior agressividade, a perda de peso é constante e os sintomas progridem desde complicações gastrintestinais – manifestando-se através de diarreias frequentes – ,respiratórias, inflamações nas gengivas, inchaço mais proeminente dos linfonodos, além do desenvolvimento de doenças neurológicas que afetam drasticamente o comportamento do animal e até mesmo as temidas neoplasias (cânceres).

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COMO EVITAR A DOENÇA?

É aqui que entra uma diferença importante entre o FIV e o HIV. Muito se fala sobre a importância da castração em animais domésticos. Afinal, ela não somente evita a superpopulação de animais abandonados, como ainda previne uma série de doenças. Entretanto, quando o assunto é infecção por FIV, ela é ineficaz. Por dois motivos: primeiro, porque a transmissão do FIV não se dá por contato sexual, mas sim pelo mero contato entre saliva e corrente sanguínea, o que é frequente em brigas por território entre machos. E é aqui que entramos na segunda razão. Embora não pretendamos abordar esse assunto com mais detalhes nesse texto – podemos falar sobre isso futuramente – a castração em si não vai evitar que seu gato saia de casa. E uma vez saindo, nada impede que ele acidentalmente invada o território de um gato FIV+, seja atacado e acabe voltando infectado pra casa.

Desta forma, a única forma de prevenção conhecida contra o FIV ainda é a criação indoor (leia sobre ela aqui). É sabido que nos Estados Unidos já existe uma vacina contra o FIV. Mas ela ainda não chegou por aqui, e ainda que tivesse chegado, ela não cobre todos os subtipos do vírus.

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MEU GATO É FIV+. E AGORA?

Antes de qualquer coisa, você precisa ter certeza de que seu animal é realmente soropositivo, o que NÃO se confirma com apenas um teste. Se seu gato for filhote, menos ainda, já que ele pode ter herdado os anticorpos da mãe FIV+, o que não significa que ele esteja necessariamente infectado. O ideal é que se espere até o animal ter, no mínimo, seis meses de idade, e ainda assim, realizar DOIS testes, com um intervalo de pelo menos 3 meses entre um e outro.

Agora, se mesmo assim, ficar efetivamente confirmada a infecção, a orientação primordial é: NÃO ABANDONE SEU ANIMAL! Primeiro, porque o vírus não é transmissível a nenhuma outra espécie animal – inclusive a humana. E depois, assim como no caso do HIV, o diagnóstico por Imunodeficiência Felina não implica numa sentença de morte, desde que seja adequadamente tratada. Assim como com o HIV em humanos, existem medicamentos que, quando ministrados aos animais, tratam de manter a infecção sob controle, tanto reduzindo a carga viral plasmática quanto brecando a replicação de novos vírus. Além disso, é importante saber que mais da metade dos indivíduos infectados permanece assintomática, e o que se deve fazer nesses casos não é lá muito diferente do ideal para qualquer animal saudável: castração para evitar todo o estresse das circunstâncias de acasalamento, criação indoor a fim de evitar contaminação por agentes externos que possam desencadear as infecções oportunistas e, obviamente, visitar o veterinário regularmente.

Fontes: webvet / faef.revista / cats.about
Artigos: Imunodeficiência viral felina /
Imagens: Reprodução/agenciauvajornalismo / vidayestilo
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