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Jovem é assediada dentro de cinema em shopping no centro do Recife

Jovem é assediada dentro de cinema em shopping no centro do Recife

Uma jovem de 21 anos sofreu assédio e uma tentativa de estupro dentro do cinema do Shopping Boa Vista, no centro do Recife, na última quarta-feira (23), por volta das 15h30. O caso foi registrado na Central de Flagrantes, em Santo Amaro, pois, segundo ela, uma atendente da Delegacia da Mulher afirmou que não poderia registrar a queixa. Ela postou sua história na sua página em uma rede social e, até o início da tarde desta quinta-feira (24), o texto já havia sido compartilhado mais de 500 vezes.

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A jovem conta que foi ao cinema para a sessão das 15h e escolheu um assento mais reservado. Após meia hora do início do filme, um homem de 53 anos entrou na sala e começou a procurar um lugar, atrapalhando sua concentração. “Quando ele viu um lugar vazio ao meu lado, disse ‘ah, é aqui mesmo’”, conta. “Olhando agora, isso me faz pensar que ele já fez isso várias vezes.”. O homem sentou ao seu lado e começou a tocá-la com o braço e com a perna.

A princípio, ela conta que pensou tratar-se de uma pessoa espaçosa, mas logo o homem começou a fazer movimentos que sugeriam uma masturbação e passou a acariciar a perna da moça. “O chão sumiu. O coração acelerou. A mão tremeu. A voz sumiu. Me senti vitima, me senti suja, me senti violada, me senti de um tamanho mínimo”, escreveu em sua publicação.

Em seguida, o homem colocou a mão por baixo da sua saia. Mas, ao invés de se calar, sua reação foi começar a gritar. Ela conta que os outros espectadores riam, filmavam, protegiam o homem dos seus gritos e tapas e mandavam que ela tivesse calma. O único auxílio que recebeu foi de um homem que estava próximo, que segurou o agressor enquanto este tentava fugir da sala.

“Ele (o agressor) me xingava de louca, disse que eu tinha problemas mentais, que deveria me tratar! Mas não, eu não sou louca! Me senti sozinha. Ninguém me prestou apoio.” De acordo com a vítima, no momento da agressão nenhuma pessoa aceitou ser testemunha do caso, apesar dos seus pedidos. No entanto, após a publicação nas redes sociais, uma mulher que presenciou a cena a procurou para servir de testemunha.

Funcionários do shopping conduziram ambos a uma sala reservada onde a polícia ouviu a estudante e o homem. Ambos seguiram, então, para a Delegacia da Mulher. A vítima conta que se sentiu muito desconfortável em estar junto do homem que a agrediu. “Fui obrigada a ir com o homem que se masturbava enquanto tocava a minha perna do meu lado na viatura, ele implorava o meu perdão por ter ‘esbarrado’ em mim, eu só conseguia sentir nojo e vontade de chorar, mas não chorei, não fui frágil!”, publicou.

Por telefone, ela contou que na Delegacia da Mulher precisou solicitar ser ouvida por uma mulher, pois só havia homens realizando os atendimentos. Ela disse que a mulher que a atendeu demonstrava indiferença com o seu caso e afirmou que não poderia registrar o caso porque a delegacia só atendia casos que se enquadravam na Lei Maria da Penha. Ambos foram levados, então, para a Central de Flagrantes, onde a vítima aguardou cerca de quatro horas para registrar o caso, já que o local estava sem delegado. O Boletim de Ocorrência só foi registrado por volta das 22h40.

Ela conta que, na delegacia, algumas pessoas tentaram demovê-la da tentativa de prestar queixa. Um dos policiais que a atendeu no shopping e que seguiu com ela pelas delegacias chegou a chama-la reservadamente para dizer que aquela queixa não teria consequências. “Um dos policiais me disse ‘sabe que isso não vai dar em nada, né? Sabe que vai demorar?’”, contou.

A jovem vai levar o caso à Justiça e já contatou uma advogada para interceder contra o agressor. A vítima também conta que, após a publicação da sua história nas redes sociais, muitas mulheres a procuraram para relatar que já sofreram assédio e estupro dentro do shopping, “mas que foram silenciadas”.

Procurado pela reportagem do Portal FolhaPE, o Shopping Boa Vista se pronunciou por meio de nota. “O Shopping Boa Vista está solidário aos sentimentos e a tudo o que a jovem passou. O empreendimento se coloca à disposição para ajudar no que for possível a esclarecer o ocorrido”.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que “o acusado foi autuado por Importunação Ofensiva ao Pudor. Esclarecemos que o policiamento do 16º Batalhão foi acionado pela vítima e encaminhou os envolvidos até a delegacia para que fossem tomadas as providências legais. No que diz respeito às acusações da vítima nas redes sociais contra o efetivo policial que atendeu a sua solicitação, a PM irá apurar os fatos”. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o caso.

http://www.folhape.com.br/

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