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Obesidade em crianças: acesse os 3 últimos melhores artigos científicos lançados sobre o tema

Obesidade em crianças: acesse os 3 últimos melhores artigos científicos lançados sobre o tema

Por Camila Brogliato

Atividade física, dietas, acompanhamento psicológico, mudança no estilo de vida e exemplos dentro de casa – esse conjunto de ações parece ser a melhor maneira de tratar a obesidade em crianças.
Um problema mundial que preocupa as entidades de saúde que tentam entender como resolver um problema que tem muito a ver com a genética, com o estilo de vida e que já atinge milhões de crianças no mundo todo.


Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) , com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sobrepeso em adultos passou de 51,1% em 2010, para 54,1% em 2014.
O documento também apontou o aumento do sobrepeso infantil. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas as mais afetadas, 7,7%.
Exemplo dentro de casa: genética e estilo de vida no ambiente familiar influenciam na obesidade em crianças
Um estudo recente, feito em seis países com mais de 100 mil crianças, mostrou como os hábitos dos pais pode influenciar no comportamento dos filhos.
A genética também é importante. Ambos influenciam cerca de 60% do IMC (Índice de massa corporal) de uma criança. Lembra aquela história de estabelecer limites e de criar bons hábitos na rotina? Pois é, parece que quando falamos de alimentação e estilo de vida isso é uma verdade inegável.
Exemplos bons de alimentação, atividade física e comportamento parecem influenciar as crianças para o bem – ou para o mal.
A correria do dia a dia, o crescimento econômico, a mudança nos padrões de consumo são alguns fatores externos que explicam o aumento da obesidade em crianças.
Crianças seguem exemplos, e os pais devem mudar de atitude com elas, para que a reeducação seja eficaz. Ter um comportamento alimentar e cobrar outro diferente é ineficaz. Por isso, a culpa não é só do eventual consumo de hambúrguer e da batata frita com milk shake. Mas sim, fazer isso todos os dias.
A especialista, autora do livroPor que não posso comer besteiras todos os dias?, voltado a alunos do ensino fundamental, Joana Lucyk chama a atenção para o envolvimento de toda a família na mudança de hábitos, que começa por meio da alimentação. A alimentação carregada de açúcar, farinhas, gorduras trans e aditivos químicos desequilibra o organismo e é uma das principais causas da obesidade, que pode causar diabetes, pressão arterial alta e níveis elevados de colesterol.
Além de todos os problemas psicológicos envolvidos na obesidade infantil, foram identificadas também outras consequências da obesidade em crianças, entre as quais apneia obstrutiva do sono, problemas ortopédicos, hiperandrogenismo e doenças cardiovasculares.
Melhorar a dieta e os hábitos de toda a família é uma das melhores maneiras de ajudar a criança a conseguir um peso saudável.
Foi o que outro estudo (https://academic.oup.com/jcem/article-abstract/102/3/758/2765058/The-Association-of-Weight-Loss-and-Cardiometabolic?redirectedFrom=fulltext)  verificou ao analisar a associação de perda de peso com resultados cardiometabólicos em crianças obesas.
O termo “risco cardiometabólico” descreve as chances de uma pessoa de danificar seu coração e vasos sanguíneos, quando um ou mais fatores de risco aparecem juntos. Estes fatores incluem obesidade, altos níveis do chamado “mal” colesterol (LDL), altos níveis de gordura sanguínea (triglicerídeos), baixos níveis do “bom” (HDL) colesterol, pressão elevada, e resistência insulínica. Todos estes fatores são também conhecidos como Síndrome Metabólica.
A redução de peso em crianças está associada a alterações significativas em vários desfechos cardiometabólicos, particularmente HDL, PAS e triglicérides. Ou seja, é uma necessidade combater a obesidade em crianças para reduzir os riscos de se desenvolver a síndrome metabólica.
Sedentarismo e obesidade em crianças
Além da alimentação, a prática de atividades físicas também é importante para a mudança de hábitos e melhora do estilo de vida (em adultos e em crianças). A obesidade é multifatorial, ou seja, depende de uma série de fatores.
Apesar da genética fazer parte deles, grande parte do problema está no hábito. Temos muitas facilidades na vida atual moderna, mas também muitos problemas: e o sedentarismo é um dos principais deles.
A genética influencia bastante, mas é o estilo de vida que aperta o gatilho da obesidade em crianças. Não tem mais brincadeira na rua, as crianças ficam mais tempo dentro de casa, tudo hoje é pelo celular, pelo computador e ficamos cada vez mais tempo sentados.
Além disso, a promoção do esporte e do estilo de vida saudável nas escolas é cada vez mais rara. Sem esporte, movimento, vida ao ar livre e brincadeiras, estamos criando pessoas cada vez mais obesas e doentes.
Outros estudos recentes para o tratamento da obesidade infantil
Um estudo feito a partir de 16 revisões sistemáticas,identificou 133 ensaios clínicos que analisaram intervenções disponíveis para reduzir o excesso de peso corporal em crianças.
As intervenções de atividade física reduziram a pressão arterial sistólica e a glicemia de jejum (qualidade de evidência baixa a moderada).
As intervenções dietéticas com dietas ricas em carboidratos tiveram um efeito semelhante ao das dietas com baixo teor de gordura em termos de redução do índice de massa corporal (IMC) (qualidade moderada da evidência). As intervenções educacionais reduziram a circunferência da cintura, o IMC e a pressão arterial diastólica (baixa qualidade da evidência).
As intervenções farmacológicas reduziram o IMC (metformina, sibutramina, orlistato) e circunferência da cintura (sibutramina, orlistato) e aumento do colesterol de lipoproteína de alta densidade (sibutramina), mas também elevaram a pressão sistólica e diastólica (sibutramina).
A conclusão do estudo foi a do início da matéria: para resolver a questão da obesidade em crianças, várias intervenções são eficazes na melhoria das medidas metabólicas e antropométricas. Porém, o mais indicado é que elas sejam feitas juntas, para que tenham melhores resultados.
E foi o que também concluiu outra pesquisa de diretrizes de prática clínica para avaliação, tratamento e prevenção da obesidade pediátrica.(https://academic.oup.com/jcem/article/102/3/763/3061894/Treatment-of-Pediatric-Obesity-An-Umbrella) A prevenção da obesidade pediátrica através da promoção de dieta saudável, atividade e meio ambiente deve ser um objetivo primário, como a realização de resultados eficazes, duradouros com modificação do estilo de vida.
Brasil na luta contra a obesidade em crianças
O Ministério da Saúde divulgou recentemente novas metas para combater a obesidade em crianças, entre elas: reduzir consumo de industrializados ultraprocessados e ricos em açúcar, como refrigerantes e sucos artificiais.
De acordo com o levantamento divulgado por eles, 40,5% das crianças com idade inferior a cinco anos já tem o hábito de beber refrigerante com frequência, e 61% das crianças com menos de 2 anos de idade consomem biscoitos recheados. O que isso significa? A cada 3 crianças, uma delas está acima do peso.
O país assumiu o compromisso de frear o crescimento do excesso de peso na população, durante evento internacional realizado na sede da Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OPAS e OMS) em Brasília, Parte da chamada “Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição” da ONU, o acordo prevê que haja incentivo dos países à alimentação saudável para mudar os hábitos da população.
Combater a obesidade em crianças implica em adotar sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis que unam agricultura, alimentação, nutrição e saúde.
Isso deve ser complementado com educação nutricional e advertências sobre a composição nutricional dos alimentos ricos em açúcar, gordura e sal aos consumidores. E ao incentivo da prática esportiva desde cedo, como hábito para a vida toda.

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