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Bipolaridade: tudo que você deve saber para identificar e ajudar quem tem o transtorno

Bipolaridade: tudo que você deve saber para identificar e ajudar quem tem o transtorno

Quem nunca ouviu alguém dizer que “fulano” é bipolar porque muda de opinião ou humor facilmente? Infelizmente, a falta de conhecimento leva as pessoas a acharem que qualquer mudança de temperamento é transtorno bipolar, o que não é verdade, visto que esse distúrbio é muito mais que uma simples alteração de humor. Explicamos exatamente do que se trata a seguir.

Transtorno de bipolaridade é crônico

Bipolaridade é doença marcada pela alternância de dois estados de humor: a mania ou hipomania e a depressão. Os primeiros quadros têm como características episódios intensos de exaltação e euforia, já o segundo é marcado por tristeza e desânimo constantes. “Como os episódios de mania/hipomania e depressão são pólos opostos, a denominação ‘Bipolar’ foi adotada”, explica o psiquiatra Fábio José Pereira da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria e do Doctoralia.

Tipos de bipolaridade

Há diversas formas de classificar doenças mentais, sendo que todas são regidas por manuais classificatórios. Na psiquiatria, os mais seguidos são a Classificação Internacional de Doenças (CID) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que auxiliam no diagnóstico e pesquisa se usados por pessoas com conhecimento técnico específico.

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De acordo com tais critérios, os tipos de transtorno bipolar são:

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Tipo I

O transtorno bipolar tipo I tem como característica predominante a história clínica de ao menos um episódio de mania.

Tipo II

Já o tipo II é caracterizado por ao menos um episódio de hipomania, que é uma forma mais branda de mania.

Ciclotímico

Vários episódios com sintomas hipomaníacos e períodos depressivos, sem ausência de sintomas por mais de dois meses, caracterizam o transtorno bipolar ciclotímico.

Induzido por substância

O abuso de substâncias, como álcool e drogas, e alguns medicamentos podem estar associados a fenômenos semelhantes à mania, provocando a bipolaridade.

Maníaco-depressivo: como estados se alternam?

O transtorno de bipolaridade também é chamado de transtorno maníaco-depressivo pois reveza os dois estados. No entanto, não há uma regra geral sobre como essa alternância ocorre.

Os episódios podem ocorrer de forma parcial e intercalada – sem longos períodos assintomáticos ou com intervalo de meses a décadas – e até mesmo de maneira conjunta, em surtos em que mania/hipomania se manifestam juntamente com depressão.

A psicóloga Tatiane Paula Souza, especialista em psicopatologia e dependência química e membro do Doctoralia, conta que o grande perigo mora na fase de estabilização de humor, quando os sintomas bipolares não se manifestam. “Nessa fase, muitos pacientes se enganam e não buscam ajuda profissional por acreditarem que estão bem”, conta.

Além disso, ela ressalta que a transição entre os estados de humor não é necessariamente abrupta, já que ainda pode ser gradual.

O que causa a bipolaridade?

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Ainda não foram descobertas as causas, no entanto teorias indicam que alterações na estrutura e química cerebral e fatores sociais, como episódios traumáticos, possam provocar a bipolaridade.

Além disso, o psiquiatra ressalta que histórico de parente de primeiro grau com Transtorno Bipolar aumenta em até 10 vezes a chance de o indivíduo também ter a condição, se comparado à população sem antecedentes.

Prevenção e descoberta precoce

Não há maneiras comprovadas de prevenir o transtorno de bipolaridade, no entanto o histórico familiar do distúrbio pode ser um fator de risco para desenvolvê-lo e, portanto, é recomendado buscar auxílio médico rapidamente ao notar qualquer alteração. Com o cuidado precoce, fica mais fácil tanto para a família quanto para a pessoa com bipolaridade lidarem com a doença.

Sinais do transtorno

Episódios de mania ou hipomania são marcas presentes na vida do bipolar, conforme explica a psicóloga Tatiane: “Nas crises de euforia o sujeito tem traços de comportamento de grandiosidade, julgando ter ideias e atitudes brilhantes, com espírito de liderança, poder de decisão e desempenho excepcional em quaisquer atividades. Contudo, isso gera um gasto de energia tão grande que uma hora ela se esgota e dá lugar a um estado depressivo, contrário ao que antes se apresentava”.

Confira como identificar transtorno bipolar com os sintomas a seguir:

Fase de mania ou hipomania

Durante a fase de mania, são sentidas euforia intensa, muita energia física, impaciência, menor necessidade de sono, exposição a comportamentos de risco, libido exacerbada, autoestima exagerada, entre outros sintomas.

Na fase de hipomania, as características são bem parecidas, mas têm intensidade menor.

Fase de depressão

Os sintomas de depressão são opostos: falta energia, há cansaço excessivo, a libido cai, há tristeza e, em casos extremos, pode surgir comportamento suicida.

Diagnóstico de transtorno bipolar

Assim como a maioria dos transtornos psiquiátricos, não há exames específicos para identificar bipolaridade e, portanto, o diagnóstico baseia-se na entrevista com o médico, que investigará o histórico pessoal a fim de encontrar a razão de seu problema. A partir disso, pode surgir a necessidade de realizar testes complementares para investigar a hipótese de outras patologias que causem sintomas semelhantes ao transtorno de bipolaridade.

O psiquiatra Fábio José Pereira da Silva conta que muitas vezes é necessário conversar com familiares e amigos do paciente para atestar como os sintomas afetam a vida do paciente e apoiar o diagnóstico.

Além disso, a pessoa com bipolaridade pode ser reavaliado ao longo do tempo para identificar se há a necessidade de redefinir o quadro.

Não há idade mínima para o surgimento da doença, mas o médico explica que estudos epidemiológicos estimam que sua incidência antes dos 10 anos é rara.

Suspeita x confirmação médica

O especialista ressalta que apenas a presença dos sintomas é insuficiente para atestar a doença, visto que alterações de humor também acontecem com pessoas sem a doença. “Existem diversas outras características complexas além dos sintomas que só um médico reconhecerá”, ressalta.

Portanto, pessoas leigas devem buscar um psiquiatra manifestarem os sintomas acima relatados.

Bipolaridade tem cura?

Transtorno bipolar não tem cura, mas o tratamento correto controla a doença e possibilita que o paciente fique assintomático por longos períodos.

Como a bipolaridade é tratada

Remédios

Podem ser receitados diversos medicamentos para transtorno bipolar, os quais servem tanto para amenizar sintomas quanto para prevenir novos surtos.

Estabilizadores de humor são os mais usados e costumam conter substâncias como carbonato de lítio, ácido valpróico, carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina, quetiapina, olanzapina e topiramato.

Ainda podem ser prescritos antidepressivos, anticonvulsivantes e antipsicóticos em determinados casos.

Psicoterapia

A terapia com psicólogo é essencial para ensinar a pessoa com transtorno de bipolaridade a controlar seus pensamentos, identificando e afastando comportamentos da doença.

Há diversas linhas de terapia que podem ser seguidas, sendo que a cognitivo-comportamental é a mais aplicada. “A partir da terapia, o paciente consegue retomar atividades da vida diária, restabelecendo vínculos e deixando de lado a premissa de perder controle das situações”, explica a pisicóloga Tatiane Paula Souza.

Novos hábitos

Apostar em costumes saudáveis também pode complementar o tratamento medicamentoso e psicoterápico do transtorno de bipolaridade, como fazer atividades físicas regularmente, ter uma alimentação balanceada, dormir bem e deixar de lado drogas e álcool.

Pode ser difícil lidar com alguém bipolar

Se o tratamento for seguido corretamente, o paciente estará assintomático na maior parte do tempo e, assim, poderá ser tratado como qualquer outra pessoa.

Já nos episódios de euforia ou depressão é necessário que familiares e amigos compreendam que as alterações de humor são fruto da doença e que o indivíduo precisa de respeito, carinho e apoio para passar por elas.

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O diagnóstico também requer que pessoas que convivam com o bipolar busquem informações e conversem com o médico sobre o que fazer durante as crises. Apoio psicológico para os cuidadores também pode ser necessário para evitar que se sobrecarreguem.

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