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Quando a paixão sufoca: Conheça os sintomas do amor patológico

Quando a paixão sufoca: Conheça os sintomas do amor patológico

Se enumerássemos os mais nobres sentimentos, provavelmente o amor figuraria entre os primeiros da lista. Diante desse cenário, é difícil conceber a ideia de que essas relações afetivas podem ser doentias. Há alguns anos, o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo atende, através do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti), pacientes que sofrem com os sintomas do chamado amor patológico (AP). Esse tipo de dependência comportamental é tão prejudicial que pode ser comparada a compulsão por jogo, por exemplo.

Muitos pacientes procuram os médicos com outras queixas e sintomas aparentemente associados a outros distúrbios psiquiátricos, como depressão e transtornos de ansiedade. Ao investigar mais profundamente os sintomas, no entanto, o quadro de AP é logo diagnosticado. Geralmente acomete pessoas com personalidade vulnerável e baixa autoestima.

Imagem do psiquiatra Hermano Tavares em palestra na 34ª Jornada Pernambucana de Psiquiatria (Foto: Azul Acosta / Divulgação)
“Em muitos casos, o paciente não tem a percepção de que é uma condição tratável”, falou o psiquiatra Hermano Tavares durante palestra em evento de psiquiatria no Recife (Foto: Azul Acosta / Divulgação)

“O amor patológico não necessariamente ocorre em pacientes com comorbidades psicopatológicas. Cerca de 10 a 15% dos adultos jovens, sem comorbidade com outros transtornos psiquiátricos sentem que sua forma de amar e o ciúme lhes causam problemas significativos na vida”, ressalta o psiquiatra Hermano Tavares, fundador do Pro-Amiti. A doença foi tema de palestra do especialista na 34ª Jornada Pernambucana de Psiquiatria, encontro promovido no Recife pela Sociedade Pernambucana de Psiquiatria (SPP) no início de agosto.

Necessidade de controle do relacionamento, abnegação desmedida pelo parceiro (a), idealização da relação afetiva e insatisfação recorrente são os sintomas mais comuns no amor patológico. Apesar de ser mais atribuído às mulheres, por características culturais, atinge ambos os gêneros em variadas faixas etárias. “As mulheres costumam procurar mais o tratamento. Já os homens têm muita dificuldade em reconhecer o problema, por causa do estigma e do preconceito”, pontuou Tavares em entrevista ao Casa Saudável.

A grande dificuldade dos especialistas é fechar o diagnóstico e procurar o melhor tratamento, já que o AP ainda não consta nos principais protocolos médicos, como a Classificação Internacional de Doenças (CID – sigla em inglês) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – sigla em inglês), como uma doença ou transtorno mental. Por isso, as intervenções terapêuticas ainda têm caráter experimental em diversos casos.

Segundo o especialista, muitos pacientes tratados no Pro-Amiti têm apresentado resultados satisfatórios com a psicoterapia. As reuniões em grupo e as sessões de psicodrama são as mais usadas. “No psicodrama, usamos a troca de papéis. É um recurso que vem apresentando bons resultados. O paciente não apenas fala sobre o problema, mas revive o que se passou. Tem se mostrado bastante eficaz. São terapias que buscam fazer com que o paciente adquira, principalmente, autocontrole”, pontuou. Em casos mais graves, os psiquiatras vem apostando, também em caráter experimental, no tratamento com naltrexona, medicamento usado no tratamento do alcoolismo.

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