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Ano Novo: confira o cardápio da superstição

Ano Novo: confira o cardápio da superstição

Antes de torcer o nariz para a ceia dos supersticiosos, saiba que nenhum item colocado à mesa por eles, durante a virada do ano, é à toa. Mesmo sem qualquer embasamento lógico, sobressai a tradição, repassada por gerações, de não dar mesmo sorte para o azar. É quando prevalece a tentativa de começar bem. Sem erros. “Esse momento da virada tem o estigma de renovação e de deixar o ruim pra trás. Tanto que é um processo místico, envolvendo roupa, hábitos e alimentos”, resume o chef e professor de Gastronomia do Senac-PE, Robson Lustosa.

Se a leitura é em favor de êxito e positivismo, nada de preparações feitas com aves, por exemplo. “É uma crença popular de que o peru, tão consumido no Natal, não pode estar no Réveillon pelo fato de ciscar pra trás. É como se ele estivesse nos prendendo ao passado, justamente quando se quer uma vida diferente”, situa Lustosa. Razão para porco, cordeiro e até peixe ganharem espaço na mesa, reforçando a intenção de seguir sempre adiante. “São fórmulas muito antigas, sem razão definida, e importadas de outras culturas. Agora que a gente tenta desvincular um pouco disso, inserindo ingredientes nossos nessas superstições”, comenta a professora de hotelaria da Universidade Federal de Pernambuco e sócia do Reteteu Comida Honesta, Lourdes Barbosa.
Entram em cena as frutas. Sempre coloridas e tropicais, elas reforçam a ideia de intensidade e beleza na vida. Mas, atenção, nada de abacaxi no cardápio. A superstição diz que ele é cheio de espinhos e isso atrai dificuldades. Certo ou não, a dúvida permite evitar riscos e montar uma ceia farta, bonita, com os ingredientes que a gente separou a dedo pra ninguém focar só nos benefícios lúdicos.
Superstição à mesa

Superstição à mesa – Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Lentilha 

Ela pode não carregar mais tanta semelhança assim com uma moeda, mas está sempre na mesa de Réveillon representando dinheiro, fartura e prosperidade. Dizem que uma colher de sopa bem cheia, nem que seja no cantinho da mesa, é suficiente nessa missão. É também grão de origem asiática, mas de superstição vinda da Itália, que brasileiro nenhum conseguiu colocar abaixo ao longo dos tempos. “Ainda mais com o benefício nutricional de reduzir o colesterol. Ainda oferece vitaminas B9 e B6, além de fibras e proteínas”, resume a nutricionista Danuza Firmo.

Uva

Comer uva é parte de um ritual que começa na escolha da fruta. Sim, ela precisa ter sementes. Depois disso, já na virada do ano, a crença portuguesa diz para comer uma quantidade relacionada ao número de sorte. Isso varia por pessoa. Na sequência, vem o mais importante: guardar os caroços na carteira até o ano seguinte, como forma de atrair dinheiro. Se não resultar em nada, os nutricionistas garantem que, pelo menos, a pessoa estará ingerindo flavanoides, que facilita o fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos.

Romã

Em algumas culturas, a fruta é símbolo de pureza e fertilidade. Motivo de ser pedida obrigatória de quem quer ter um bebê no novo ano. Isso sem falar que é mais uma opção relacionada à preservação da semente, como acontece na superstição das uvas. “A quantidade que mais se consome é a sete, por ser um número místico, muito presente na bíblia. Que o diga o castiçal de sete braços, os sete dias de criação e por aí vai. É como pular também as sete ondas do mar. Difícil também pensar no sentido disso, talvez relacionada à origem da fruta, no Oriente Média”, explica Robson Lustosa.
Folha de louro

Outra simpatia para atrair dinheiro inclui a folhinha de louro dentro da carteira o ano inteiro. Não vale tirar. Na Grécia, o item fazia parte da confecção das coroas entregues aos atletas que ganhavam provas olímpicas, além de fazer parte da indumentária dos reis de Roma, na época de César. Motivos e tanto para ser símbolo de conquista e vitória. Nesse caso, na conta bancária. E se sobrar, “serve como um ótimo digestivo, diurético e de ação anti-inflamatória”, completa a nutricionista.

Espumante

Não tem bebida mais propícia à celebração do que espumante. Só o ato de abrir a garrafa é uma festa. Quanto mais longe a rolha parar, mais sorte no novo ano. É mesmo um símbolo de felicidade. Há até quem prefira reforçar toda essa good vibe com a crença dos três goles e um desejo no intervalo de cada um.
Peixes

Na intenção de seguir em frente, um bom pescado cumpre bem o seu papel. Segundo a professora Lourdes Barbosa, eis a chance de inserir um elemento mais regional em toda essa crença, com a escolha de um peixe fácil de encontrar em qualquer feira. Além do mais, se os chineses estiverem mesmo certos, surge à mesa um símbolo de fertilidade, graças à capacidade de colocar incontáveis ovos ao mesmo tempo.

Arroz

Quem estranhar a presença do arroz na lista, deve logo perguntar seus benefícios místicos à noiva mais próxima. O ato de jogá-lo na cabeça dos recém-casados é o mesmo que desejar riqueza, abundância e, mais uma vez, fertilidade ao novo casal. A história conta que essa superstição surgiu na Coréia, onde se acreditava na sorte trazida pelo seu consumo frquente. E, o mais curioso: eles também tinham o costume de comer alimentos brancos na comemoração da virada.
Nozes, avelãs e castanhas

Embora não sejam tão acessíveis pelas bandas de cá, elas costumam aparecer aos montes nesta época do ano durante os encontros da ceia. É que muita gente se esforça para ter um item tão coringa assim na mesa e, porque não, garantir a fertilidade do novo ano. É costume de origem árabe que, embora tenha alto valor calórico, em quantidades comedidas ajuda no combate do envelhecimento precoce das células do corpo. “A castanha do Brasil (Pará), por exemplo, é rica em selênio e ajuda a glândula tireoide a trabalhar melhor. Já o Avelã é rico em magnésio e em gordura insaturada, que contribuem para reduzir o mal colesterol LDL e aumentar o bom HDL”, defende Danuza Firmo.

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