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Mudança no clima faz com que os morcegos migrem mais cedo

Mudança no clima faz com que os morcegos migrem mais cedo

Tudo começou quando estava sendo estudada a maneira de como monitorar com segurança as colônias migratórias. Isso revelou uma grande descoberta, pois a mudança do clima está fazendo com que os morcegos migrem mais cedo e, em alguns casos, não façam a migração.

No passado foi relatado como as mudanças climáticas estavam afetando a vida selvagem ao redor do mundo: causando extinção no rato australiano, mudando os hábitos de algumas espécies, para que estas consigam sobreviver. Com tanta mudança, não é de se espantar que os morcegos estejam na lista dos animais afetados pelo clima sempre em mudança, pois eles são seres que costumam viajar para lugares quentes quando as temperaturas começam a cair.

Migração dos morcegos

Os morcegos, quando viajam, costumam ir em bando, contem mais de um milhão deles. Uma ideia de como é feita essa viagem é que os morcegos mexicanos, quando migram do México para a Gruta Bracken, no Texas, o tamanho do bando é tão grande que pode ser rastreado usando um radar meteorológico.

Dois meteorologistas da Rathamsted Research do Reino Unido, Phillip Stepanian e Charlotte Wainwright, estudaram recentemente a migração dos morcegos ao analisar durante anos de dados de radar meteorológico. A pesquisa foi publicada na revista Global Change Biology, revelando que esses morcegos estão migrando para o Texas muito mais cedo do que em décadas anteriores.

“Nós descobrimos que os morcegos estão migrando para o Texas aproximadamente duas semanas antes do que era há 22 anos. Eles chegam agora, em média, em meados de março, em vez de no final de março”, afirmou Wainwright.

Além desse fator, desde 2017, cerca de 3,5% da população de morcegos permanece no inverno. Stepanian afirmou que as mudanças climáticas estão fazendo com que a primavera comece mais cedo, o que faz com que os insetos se mudem para o Texas mais cedo, dando aos morcegos algo para comer sempre ter a necessidade de migrar.

Morcego capturado, pesquisa

“Para nós, esse tipo de acontecimento afirma que as condições de inverno estão se tornando mais toleráveis para os morcegos, o que faz com que eles, ao invés de irem para o sul, prefiram não sair do Texas”, continuou Stepanian.

Com isso, espera-se que este ciclo seja interrompido e tenha um impacto natural no número de morcegos a serviço o controle de pragas, graças ao seu enorme consumo de insetos, em outras partes do país. Isso poderia fazer com que as culturas locais falhassem devido ao número de insetos remanescentes na área, o que poderia levar ao aumento de pesticidas e, consequentemente, mais mortes de abelhas.

Para piorar, uma mudança nos padrões de migração de morcegos poderia alterar a sua capacidade de reprodução. Os morcegos fêmeas produzem um filhote de cada vez, e confiam que a traça do milho será suficiente para alimentá-los. Se a mudança climática altera o ciclo de vida da traça, os morcegos terão que procurar outra fonte de alimentos.

O morcego mexicano de cauda livre não está sozinho. Outras espécies estão sofrendo com as mudanças climáticas, fazendo migração cedo, como o Bastão Pipistrelle de Nathusius no Reino Unido, os morcegos femininos na Índia e em todo o leste dos Estados Unidos e diversas espécies da Floresta Amazônica.

“Nosso objetivo inicial foi apenas mostrar que os morcegos poderiam ser monitorados remotamente sem perturbar a colônia”, disse Stepanian. “Não esperávamos ver nada digno de nota. Os resultados foram surpreendentes.”

Fonte: Futurism.

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