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Leitor permite a cegos identificar dinheiro

Leitor permite a cegos identificar dinheiro

São Paulo- Uma empresa nacional criou o primeiro identificador brasileiro de cor e dinheiro, uma tecnologia que pode auxiliar mais de 2 milhões de deficientes visuais no país.

Para dar o pontapé inicial na fabricação do produto, a recém-fundada Auire lançou a iniciativa em um site de crowdfunding e pretende arrecadar R$60 mil para produzir 150 unidades. “Vamos doar essa leva inicial a pessoas que não têm condições de compra-la”, explica Fernando Gil, engenheiro da computação e um dos criadores da tecnologia.

Chamado de Aurie Prisma, ele é um identificador de cor e dinheiro que funciona com um leitor de cores, emitindo uma luz e captando o seu reflexo. A resposta vem em forma de áudio, em alto falante ou fone de ouvido; no caso de um objeto, o aparelho fala a sua cor e, no caso de dinheiro, sua calibração permite que ele associe a cor à nota e já diga ao usuário quanto vale aquela cédula.

“O produto está pronto para ser comercializado, só não temos o capital inicial para a produção”, diz o engenheiro de 28 anos. “Por isso, colocamos em um site de financiamento coletivo como uma forma de fazer as pessoas conhecerem o produto e, a partir daí, conseguirmos alavancar a produção, colocarmos em lojas…”. Atualmente, o custo de cada leitor gira em torno de R$500 a R$600, o que já significa uma grande redução se comparado ao valor dos aparelhos importados, disponíveis no mercado por cerca de R$1200 e que não identificam notas de Real.

A ideia é que o valor possa ser ainda menor caso a empresa consiga patrocínio ou subsídio. Por enquanto, no entanto, a página do Benfeitoria foi a maneira encontrada para viabilizar a primeira leva do produto. O site, que recebe apenas projetos sociais, se encaixa no modelo de negócio adotado pelo engenheiro e ainda pouco utilizado no Brasil: o de empresa social. “As pessoas acham que somos uma ONG ou uma empresa comum… Mas estamos em uma área nova , que nem possui figura jurídica no Brasil ainda”, explica Gil. A definição de “empresa social” implica, entre outras coisas, que a Auire obtém lucros apenas para se manter .

Talvez por essa postura, que inclui abrir mão de patentear a tecnologia do leitor e licenciá-la de forma livre (Creative Commons), a iniciativa já tenha arrecadado R$26.930 em doações na página da Benfeitoria. No entanto, prestes a completar o tempo máximo na página de crowdfunding, o projeto ainda precisa de uma grande quantia para chegar aos R$60 mil desejados. “Se não atingirmos a meta, devolvemos o dinheiro de quem já doou”, explica Gil. “Mas isso não significa desistirmos do projeto, apenas teremos que continuar buscando interessados em financiá-lo”.

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