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CRÔNICA DE UMA LEI SECA

Por Ricardo Perrier
Especial para o Bomjardimnoticias.com

Não, isso aqui não é nenhum, digamos assim, ‘papo de bebum’, afinal, até mesmo por conta dos remédios para controle de pressão que fui obrigado a tomar todos os dias por recomendação médica, desde então, beber deixou de ser o meu forte, aliás, o que nunca foi, desde a última lapada que tomei em mil novecentos e Aracy de Almeida, como diria meu irmão mais velho, e olhe que já se vão grandes longos anos … Bom, mas aqui estou para falar de um assunto sério, apesar de representar a perda de várias vidas, dos vários pais de família que entregaram-se à ‘mardita cachaça’, ao verem-se desempregados de uma hora para a outra, ou mesmo daqueles que sem alternativas para o sustento de suas famílias, após ficarem desempregados, foram obrigados a abraçar a vida do crime, por livre e espontânea pressão da luta pela sobrevivência. Há pouco mais de dois anos o brasil, assim mesmo, com ‘b’ minúsculo, até mesmo por não ser um país sério, mergulhava em um período de ‘ressacaradepau’ política, com a implantação da famigerada Lei Seca.

Há quem diga que a decisão do governo em implantar a lei teve total apoio do atual mandatário do Palácio do Planalto, logo ele, figurinha carimbada dos paparazzis de plantão, por conta das festinhas regadas a doses acima do nível de álcool permitido no teste do bafômetro, bem superiores aos seis decigramas de álcool por litro de sangue, nível máximo de álcool permitido para os motoristas que não quiserem ter as carteiras de habilitação cassadas e serem contemplados com uma prazerosa estadia no xilindró, onde comerão de graça à custa do governo, com acesso direto à universidade do crime. Mas no caso dele, tamanha decisão em promulgar a lei faz sentido. Afinal, não é todo brasileiro que tem o privilégio de dispor de motorista e atendimento médico de urgência e de qualidade 24 horas por dia.

O que se viu logo após a lei entrar em vigor foi algo só comparável ao medo dos moradores das cidades atingidas pelas recentes chuvas na Mata Sul pernambucana, de que o mundo iria acabar nos últimos dias, segundo a profecia de um oficial de justiça de Catende. Logo de cara os bares e restaurantes tiveram que demitir funcionários – 6 mil apenas no primeiro ano de implantação da lei aqui em Pernambuco, segundos dados oficiais Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) – e por tabela, redução no movimento dos motéis e casas noturnas, já que são poucos os que arriscam a uma paquera ou mesmo um programinha no final da noite, sem um pouco de álcool no organismo. Por tabela, quem saiu lucrando com a medida foram os fabricantes de refrigerantes, contribuindo assim para a saúde da população, principalmente dos consumidores da marca mais vendida do mundo, aquela que não é nenhuma Bombril, mas dizem os anti-capitalistas, tem mil e uma utilidade. Melhor também para a rede MaCd(roga)onalds, que desde a implantação da lei ampliou sua rede, chegando inclusive a CARUARU!!!

A implantação da lei prejudicou também a classe masculina, principalmente os adeptos aos testes de fidelidade, que desde então tiveram que arrumar outra desculpa para apresentar às digníssimas que os esperam em casa às sextas-feiras, dia dos tradicionais ‘happy-hour’ após o expediente ou mesmo nas peladas das segundas-feiras e no futebol, ao vivo no estádio ou na TV por assinatura, com jogos praticamente todos os dias. “Quero ver agora que desculpa ele vai dar para chegar em casa mais tarde. Se vai dizer que estava bebendo com alguns amigos no Capitão Cachaça”, dizia a minha Mana em relação ao meu cunhado, fãNáutico de carteirinha, que ao acompanhar os jogos da Barbie de Conselheiro Rosa e Silva, não dispensa um copo de cerveja ou mesmo uma lapadinha. “Será que ele vai se embriagar de Coca-cola com gelo e limão?”, questionou minha desconfiada irmã.

Ao lado dos restaurantes, os flanelinhas lamentaram a queda do movimento, com a ausência da clientela. “”Desse jeito é melhor ir vender CD pirata dos padres cantores e das bandas de forró-fuleiragem. Dá mais futuro”, lamentou Nego de Zé, um flanelinha que faz ponto nas proximidades do bar do Naldinho, ponto de encontro da nata etílica-radiofônica-esportiva de Caruaru. Por falar em ponto, até mesmo as bibas e prostitutas que faziam pontos nas ruas da terra de Vitalino também lamentaram a chegada da lei. “Desse jeito não vai dar nem vou dar. Para piorar apareceu um Neguinho fazendo m. na saída e fecharam a Praça do Rosário e ficamos sem ponto. Assim terei que me fantasiar de drag-queen e arrumar trabalho nas inaugurações das lojas de eletro-doméstico, se quiser sobreviver, pois somente com muito álcool no quengo para traçar uma quenga veia, gorda e pelancuda”, protestou Lady Gagá, a mais antiga traveca em atividade nas ruas de Caruaru, cuja lista de clientes está inserida nos anais da câmara.

Não bastassem tantos problemas causados pela Lei Seca, através dela o governo obrigou o sujeito a produzir provas contra ele próprio no teste do bafômetro, o que foi de encontro ao que determina a nossa carta magna, que bem poderia ser classificada de carta Magda, de tão desmoralizada que é, ao invés de se preocupar em melhorar nossas estradas, por exemplo, que na maioria das vezes mais parecem biscoitos champanhe ou mesmo Sonrisal, tamanho o número de buracos e a maneira como se esfacelam a cada passagem de veículos. Contudo quem mais sofreu com a lei foram as mulheres feias, que desde então penam para arrumar um consorte que façam, digamos assim, uma caridade de vez em quando, afinal, para traçar uma mulher feia, ainda mais se for gorda e pobre, só mesmo com muito álcool no quengo. Fui!!!

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1 Comentário

  1. Teresa Monteiro
    1 de agosto de 2011 às 16:18 Responder & darr;

    Maravilhoso! E carta Magda…? Amei! Só penso que algumas feministas não haverão de ficar muito felizes com a referência, digamos, não muito “políticamente correta” a certo segmento da comunidade feminina.

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