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O “Homo Barrigudus” vive menos. Bem menos.

O “Homo Barrigudus” vive menos. Bem menos.

Se existe um lugar onde as pessoas fazem dele a sua grande passarela é a praia. É onde se vê de tudo principalmente em matéria de corpo exatamente porque não dá para esconder. Se o sujeito “malhou” o ano todo direitinho agora chegou a hora de se exibir. Ao levantar um simples bote infantil inflável contrai todos os músculos como se estivesse segurando um barco de 12 toneladas. Em seguida, logo depois que volta da água, pede a namorada para passar o protetor solar. Claro, de pé para todo mundo ver com direito a voltinha e tudo. Debaixo da barraca ninguém vê e não tem graça nenhuma.

Ao contrário, o pessoal daquelas gordurinhas que sobram para todo lado estão lá para todo mundo ver, mas a grande maioria exibe mesmo é a barriga que tem de todos os tamanhos e formas e não estão nem aí. De tão comum parece estar surgindo um novo ser humano. O “Homo barrigudus”. Não teria realmente nenhum problema se isso não representasse um indicativo contra a saúde cardiovascular. Já está bem estabelecido pela ciência que essa gordura chamada visceral é a grande vilã das doenças cardiovasculares e que os homens estão mais propícios justamente porque não se cuidam. Segundo os médicos o perigo dessa gordura reside no fato dela secretar uma substância chamada adipocitocina que é um produto inflamatório com poder de criar depósitos de placas de gordura nas coronárias.

Além disso, sabe-se que esse grupo muscular como um todo participa de boa parte das funções vitais como a respiração ajudando a expulsar os gases, da saúde da coluna aumentando a pressão intra-abdominal e os espaços entre os discos intervertebrais, da postura mantendo o equilíbrio nas tarefas comuns como andar, abaixar, levantar, sentar etc. e da compressão das vísceras. A micção, a defecação, o parto normal e a expiração forçada dependem muito do bom estado do transverso do abdome assim como algumas doenças se instalam por causa do mau funcionamento de órgãos exatamente por estar deslocado da sua posição anatômica. Numa barriga grande o braço de resistência entre a coluna lombar e o ponto mais distante aumenta gerando hiperlordose lombar com todas as suas conseqüências inclusive a hérnia de disco. A pressão intra-abdominal é a força resultante da pressão do abdome e do diafragma, que protegem a coluna lombar contra a pressão intra-discal e a força da gravidade. Uma boa saúde lombar basta um abdome apenas fortalecido sem exageros. Por outro lado um abdome fraco sobrecarrega os músculos intercostais, os paravertebrais e os eretores da espinha passando a trabalharem sozinhos no dia a dia.

A fita métrica e a grande amiga ou inimiga de todos e a maneira mais prática de determinar o risco cardíaco é medir o perímetro do abdome passando a fita na altura do umbigo. Homens com mais de 102 cm já é um fator de risco e para as mulheres acima de 88 cm. Além das doenças cardiovasculares a gordura visceral no abdome pode também estar associada ao diabetes tipo II.

Nitidamente homens e mulheres acumulam gordura de maneira diferente. O homem é bem no meio da barriga deixando-a por assim dizer, redonda e espalhada tecnicamente chamada de obesidade andróide ou tipo maçã. A mulher acumula a gordura nos quadris chamada de obesidade genóide que tem um formato de pêra. Esse tipo geralmente oferece menos risco cardiovascular por estar menos associada à gordura visceral, mas não elimina as chances de outras doenças.

Fala sério gente! Ser ou não ser barrigudo não é o fato de ser feio ou bonito. A verdade é que a barriga atrapalha quase tudo na vida. Já viram a dificuldade das pessoas obesas se locomoverem na praia ou executarem os movimentos mais simples que todo mundo faz. Sentar e levantar daquelas cadeirinhas de praia é o maior sacrifício. Uma vez sentado sempre sentado e aí tudo que passa pela frente come já que a comida passa a ser a necessidade do prazer imediato. É queijinho, empada, camarão, cerveja, sorvete, peixe frito e muito mais. Brincar com as crianças, nem pensar. Como sair da cadeirinha que deu tanto trabalho para sentar? Depois, deslocar-se pela areia fofa é outro sacrifício porque o pé afunda mais por causa do peso. Na água até dá para brincar.

Brincadeiras à parte o fato é que o obeso com IMC entre 40 e 45 pode ter uma expectativa de vida de menos 10 anos. Não precisa fazer pesquisa. Pessoas com mais de 80 anos, uma das características é serem magras. O “homo Barrigudus” é um sério candidato a viver menos. Se você é um deles não se preocupe. Já faz parte da maioria.

Por: Luiz Carlos de Moraes CREF1 RJ 003529

 

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