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Anticoncepcionais modernos têm maior risco de trombose

Anticoncepcionais modernos têm maior risco de trombose

As mulheres brasileiras estão cada vez mais conscientes de que as pílulas anticoncepcionais (contraceptivos hormonais orais) aumentam o risco de trombose venosa profunda, que é quando o sangue “coagula” dentro das veias da pessoa. A gravidade de uma trombose pode ser desde mínima até morte súbita, passando pela possibilidade de deixar sequelas.

Cartela de pílua anticoncepcional sobre teclado de computador.

© anga. Licença CC BY-NC 2.0.

Apesar do aumento no risco de trombose, os anticoncepcionais são considerados medicamentos muito seguros, e podem ser comprados sem receita médica. A trombose venosa profunda (e uma de suas complicações, a embolia pulmonar) é tão rara que, mesmo com o aumento do risco devido ao anticoncepcional, continua sendo uma complicação rara. Além disso, a gravidez aumenta o risco de trombose ainda mais do que a pílula anticoncepcional, e ninguém deixa de engravidar por causa disso.

O que poucas mulheres sabem é que as pílulas anticoncepcionais mais modernas aumentam o risco de trombose ainda mais do que as pílulas mais antigas. Apesar de essa diferença não ser novidade para nós médicos, decidi comentar o assunto mesmo assim, aproveitando a recente publicação de uma pesquisa sobre o assunto.

Em março de 2015, pesquisadores britânicos publicaram na revista científica BMJ uma pesquisa medindo de forma mais precisa o quanto cada tipo de anticoncepcional aumenta o risco de trombose. Essa pesquisa utilizou o prontuário eletrônico de mais de 1300 clínicas de médicos de família e comunidade do Reino Unido, e cruzou seus dados com o banco de dados de atendimentos hospitalares e o registro de mortes daquele país. O período de estudo foram os anos de 2001 a 2009. Foram incluídas na pesquisa 10 mil mulheres em idade fértil que tiveram tromboembolia venosa (trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar), e mais 40 mil mulheres em idade fértil sem trombose para servir de comparação.

Assim como no Brasil, quase 30% das mulheres em idade fértil estavam usando alguma pílula anticoncepcional, e a composição mais comum foi levonorgestrel + etinilestradiol. Essa é exatamente a composição mais utilizada no SUS; as marcas de referência são Nordette e Level, mas Microvlar é outra marca muito conhecida. As outras composições estudadas também tinham etinilestradiol, mas substituíam o levonorgestrel por outro princípio ativo. Apesar de não ser aprovada para este fim, a composição de ciproterona + etinilestradiol foi incluída nas análises, porque no Reino Unido (como no Brasil) ela é frequentemente utilizada como anticoncepcional.

A pesquisa identificou dois grupos de pílulas anticoncepcionais. As pílulas mais antigas, que combinam etinilestradiol a levonorgestrel, noretisterona ou norgestimato, aumentavam o risco de trombose em 150%, enquanto aquelas mais modernas, que combinam etinilestradiol a desogestrel, gestodeno, drospirenona ou ciproterona, aumentavam esse risco em 300%.

Podemos colocar esse risco de outra forma. Considerando 10 mil mulheres que usem pílula anticoncepcional durante um ano, este é o número de mulheres que teriam trombose por causa da pílula, sem contar com os casos que já aconteceriam de qualquer forma:

  • Levonorgestrel, norgestimato – 6 mulheres (15 a 24 anos) ou 7 mulheres (25 a 49 anos);
  • Noretisterona – 7 mulheres (15 a 24 anos) ou 9 mulheres (25 a 49 anos);
  • Gestodeno – 11 mulheres (15 a 24 anos) ou 13 mulheres (25 a 49 anos);
  • Drospirenona – 13 mulheres (15 a 24 anos) ou 17 mulheres (25 a 49 anos);
  • Desogestrel, ciproterona – 14 mulheres (15 a 24 anos) ou 17 mulheres (25 a 49 anos).

Apesar de ser pequeno (menor do que 0,2% ao ano), o risco varia bastante entre as composições.

As implicações disso variam de uma mulher para outra. No caso das mulheres que estão usando pílulas anticoncepcionais prescritas por médico, não faz muito sentido mudar de imediato. Nós médicos já sabemos dessas diferenças de risco há muito tempo. Se o médico prescreveu mesmo assim uma pílula mais moderna, ele deve ter tido um bom motivo.

No caso das mulheres que estão usando pílula anticoncepcional por conta própria, e estão bem adaptadas, também não é necessário trocar. O risco de trombose é maior nos primeiros meses de uso da pílula, e de qualquer forma é bem pequeno.

Mas, no caso das mulheres que querem iniciar um anticoncepcional por conta própria, a diferença de segurança entre as composições deve ser levada em consideração. Apesar de supostamente as pílulas anticoncepcionais mais modernas terem menos efeitos colaterais, na prática isso varia de mulher para mulher. E, no caso deste grave efeito colateral que é a trombose, as pílulas mais antigas são as mais seguras.

Doutor Leonardo é especializado em Saúde da Família

Fonte – http://leonardof.med.br/2015/08/25/anticoncepcionais-modernos-tem-maior-risco-de-trombose/

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