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Ressaca: por que acontece, sintomas e como curar?

Ressaca: por que acontece, sintomas e como curar?

Mesmo que você nunca tenha sofrido com uma ressaca em sua vida, é bem provável que pelo menos já tenha conhecido alguém que precisou lidar com esse inconveniente, certo? A ressaca acontece quando uma pessoa exagera no consumo do álcool e alguns efeitos desse excesso surgem no corpo no dia seguinte.

Caso esteja lendo essa matéria com o objetivo de encontrar uma forma para a curar a ressaca, fique calmo pois iremos desvendar a seguir algumas dicas de como evitar esse mal-estar e entender como a ressaca acontece. Confira:

O que é a ressaca?

Cientificamente, o quadro em que o organismo está intoxicado pelo álcool é chamado de veisalgia, conhecido popularmente como ressaca.

A ressaca é uma reação natural do organismo. Ela ocorre quando o corpo precisa de alguma forma eliminar o álcool ingerido, dessa forma os órgãos precisam trabalhar mais do que o normal, quando não existe álcool no organismo.

Esse desconforto acontece depois que os efeitos do álcool passam, ou seja, depois que o organismo já metabolizou tudo – o que geralmente acontece no dia seguinte à bebedeira. Na maioria dos casos, a ressaca dura apenas algumas horas, melhorando sozinha entre quatro e oito horas depois do consumo de bebidas alcoólicas.

O que acontece com o corpo quando bebemos?

De acordo com o gastrocirurgião Alexandre Sakano, o abuso de bebidas alcoólicas aumenta o nível de álcool no sangue. Logo, e diversos órgãos precisam metabolizar isso de forma mais rápida que o usual.

O órgão responsável por metabolizar o álcool é o fígado. Contudo, ele só consegue metabolizar em média uma dose de bebida alcoólica por hora -então, para fazer esse trabalho, acaba produzindo e liberando várias substâncias tóxicas ao organismo que contribuem para a ressaca.

“O fígado só consegue metabolizar o equivalente a 10 gramas de álcool por hora, o que é menos que uma uma taça de vinho ou 300 ml de cerveja, que possuem cerca de 12 gramas de álcool”, indica o nutrólogo Leônidas Neto.

Outro órgão afetado pelo excesso de bebidas alcoólicas é o pâncreas, responsável pela fabricação de insulina e enzimas digestivas. Segundo Alexandre Sakano, o álcool muda a forma como a glicose é metabolizada, favorecendo a hipoglicemia, ou seja, a queda do nível de glicose no sangue.

Além disso, o álcool estimula a diurese (aumento da urina). Portanto, quando o indivíduo consome bebidas alcoólicas em grandes quantidades e sem beber água junto, acaba indo muito ao banheiro, favorecendo a desidratação.

De acordo com Leônidas Neto, o primeiro passo no metabolismo do álcool é a oxidação do acetaldeído pela enzima denominada álcool desidrogenase (ADH). Esta enzima converte o álcool em acetaldeído que, mesmo em pequenas concentrações, é tóxico para o organismo.

“A enzima aldeído desidrogenase (ALDH), por sua vez, converte o acetaldeído em acetato. A maior parte do acetato produzido atinge outras partes do organismo pela corrente sanguínea onde participa de outros ciclos metabólicos”, diz o nutrólogo.

Quais as causas da ressaca?

A ressaca é causada por conta do metabolismo do álcool que acaba ocasionando um desequilíbrio no organismo. Leônidas Neto explica que esse desconforto pode aparecer por três motivos:

1. Intoxicação pelo acetaldeído: no caso de um consumo exagerado de álcool pode haver presença deste metabólito tóxico na circulação ainda por várias horas após o indivíduo ter parado de beber. Grande parte do mal-estar da ressaca é consequência da exposição prolongada das células ao acetaldeído, o que provoca uma espécie de inflamação generalizada no organismo;

2. Queda da glicose sanguínea (hipoglicemia): o processo de metabolização do etanol envolve vias enzimáticas do fígado que também participam da produção de glicose, principalmente em períodos de jejum. Como essas enzimas estão ocupadas metabolizando o etanol, temos uma queda no nível de glicose para o cérebro e outras regiões do organismo. Daí surgem os sintomas de fraqueza e mal-estar;

3. Desidratação: um dos efeitos adversos do etanol no cérebro é inativar a produção de um hormônio chamado ADH (hormônio antidiurético). Quando ele é inibido, toda água que passa pelos rins acaba sendo eliminada na urina. Esse efeito diurético leva à desidratação, que causa os sintomas de boca seca, sede, dor de cabeça, irritação e câimbras.

Sintomas da ressaca

Sintomas da ressaca costumam aparecer cerca de quatro a seis horas depois que a pessoa parou de beber. Embora muitos acreditem que a ressaca só acontece quando a pessoa dorme após a bebedeira, isso é um mito, pois ela pode surgir mesmo sem ter dormido.

Os principais indicativos de que uma pessoa está sofrendo com a ressaca são:

Além dos sintomas físicos ela pode incluir sintomas psicológicos, como depressão e ansiedade. “Todos esses problemas estão relacionados à desidratação causada pelo excesso de álcool”, diz a nutricionista Pollyana Esteves.

Como curar a ressaca?

Não existe nenhuma cura rápida para ressaca, porém os especialistas afirmam que é possível diminuir os efeitos seguindo algumas dicas básicas como beber bastante água, ter uma alimentação saudável e manter repouso.

De acordo com o gastrocirurgião Alexandre Sakano, existem muitas dicas na internet sobre como acabar com a ressaca de forma rápida e eficaz, porém as pessoas não devem acreditar nisso.

“As medidas não aconselháveis para curar a ressaca seria beber mais para tentar evitar os efeitos causados e consumir alguns medicamentos que podem acabar piorando a situação”, afirma Alexandre Sakano.

Além disso, Leônidas Neto alerta que medidas como estimular o vômito na tentativa de “colocar para fora” o álcool é totalmente desaconselhada.

“Não há nenhum embasamento científico de que tomar medicamentos antes de começar a beber funcione e de nada adianta banhos frio, café, chás, produtos com cheiro forte ou qualquer outra medicação caseira”, diz o nutrólogo.

Veja abaixo um vídeo sobre como se alimentar após exagerar na bebida alcoólica:

Como se alimentar após exagerar na bebida alcoólica?

Remédios para ressaca

Por não existir cura para a ressaca, os remédios indicados são apenas para diminuir os sintomas. Alexandre Sakano aponta que anti-inflamatórios ou analgésicos como aspirinaibuprofeno podem ajudar a inibir as dores de cabeça, náuseas e vômitos.

Como evitar a ressaca?

Entre as principais medidas que ajudam a evitar a ressaca estão:

  • Beber bastante líquido durante a ingestão de bebida alcoólica
  • Comer antes de beber
  • Tomar apenas uma dose de bebida alcoólica por hora.

Riscos do consumo excessivo do álcool

O consumo exagerado do álcool pode trazer uma série de prejuízos à saúde, como o ganho de peso e inflamações no estômago e rins. De acordo com a nutricionista Patrícia Bertolucci, o consumo crônico de bebidas alcoólicas pode resultar em:

  • Diabetes tipo 2
  • Úlceras e lesões no intestino, rins, bexiga, próstata e pâncreas
  • Cardiopatia alcoólica (aumento do coração devido ao álcool)
  • Câncer
  • Hepatite
  • Depressão.

Dúvidas comuns sobre a ressaca

Existem pessoas que têm mais tendência a ter ressaca?

De acordo com Leônidas Neto, algumas pessoas têm deficiência na enzima que transforma o acetaldeído em ácido acético (metabólitos do álcool), sendo elas muito mais propensas a ter níveis sanguíneos elevados de acetaldeído após a ingestão de álcool, levando a maiores riscos de ressaca. Essa deficiência é muito comum nos indivíduos de origem asiática.

Beber de estômago vazio contribui para a ressaca?

Sim. Segundo Alexandre Sakano, o álcool é absorvido de forma muito mais rápida quando o estômago está vazio. Por outro lado, intercalar a bebida alcoólica com o consumo de alimentos pode ajudar porque:

– O drink é tomado mais devagar;

– O estômago cheio diminui a velocidade de absorção do álcool. Logo, sua metabolização é mais adequada.

Comer doces ajuda a evitar a ressaca?

Os especialistas indicam que comer doces pode sim ajudar a impedir a ressaca. Isso porque o açúcar evita os sintomas da hipoglicemia que contribuem para a sensação de mal-estar.

Referências

(1) Alexandre Sakano, gastrocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

(2) Leônidas Neto, nutrólogo da Clínica Penchel

(3) Pollyana Esteves, nutricionista10

(4) Fabiana Honda, nutricionista

Fonte – https://www.minhavida.com.br/saude/tudo-sobre/33717-ressaca

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