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10 mitos que você não deve acreditar sobre nutrição

10 mitos que você não deve acreditar sobre nutrição

Com tantas informações a respeito do assunto, muitas vezes contraditórias entre si, fica difícil saber no que confiar na hora de decidir que caminho seguir se você quer se alimentar de forma saudável. Para ajudar a tirar algumas dúvidas, o site Nutra Ingredients, que oferece “notícias e análises sobre suplementos, saúde e nutrição”, consultou diversos especialistas e criou uma lista com 10 mitos sobre saúde e nutrição, apresentando as informações a respeito de cada um deles.

  1. “Dietas detox”

O termo “Detox” se tornou muito popular no mundo das dietas. A ideia é que, em nome da nossa saúde, precisamos limpar qualquer coisa “tóxica” do nosso corpo. Excessos, como os cometidos nas festas de fim de ano, por exemplo, são os principais alvos de dietas “detox”. Dietas de desintoxicação podem envolver jejum, consumo exclusivo de frutas e legumes, corte de trigo e laticínios, consumo de uma gama limitada de alimentos, evitar cafeína e álcool. O problema é que o conceito de dietas de desintoxicação não é científico.

Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido quando passamos fome, nosso corpo começa a acumular substâncias químicas chamadas cetonas. Esses produtos químicos podem resultar em náusea, desidratação, fraqueza, tonturas e irritabilidade. Ironicamente, ficar sem comer, como sugerem algumas dietas detox, intoxica o corpo. Além disso, uma falta prolongada de proteína faz com que o corpo destrua seus próprios músculos e comprometa seu sistema imunológico.

“Se você tem um fígado e um rim, está desintoxicando 24 horas por dia, 7 dias por semana. Verifique se você tem isso e, se tiver, não entre em pânico. Para ajudar, mantenha-se bem hidratado e não beba álcool em excesso”, sugere no texto da Nutra Ingredients a nutricionista esportiva Laura Clark.

 “As pessoas compram chá de desintoxicação especial ou bebem muita água de limão. Há também desintoxicantes smoothies. No entanto, nenhum desses produtos realmente desintoxica o corpo, pois ele mesmo é muito capaz de se livrar de produtos indesejados constantemente. Estes produtos podem ajudar na hidratação e encorajá-lo a, em geral, nutrir sua dieta comendo mais frutas e vegetais, por exemplo, o que pode fazer você se sentir melhor, mas eles não estão fazendo nada mais mágico do que isso”, explica a especialista.

  1. “Testes de intolerância alimentar dirão se você tem intolerância a certos alimentos”

Testes de intolerância alimentar, que supostamente avaliam possíveis intolerâncias para ajudar no emagrecimento, não são científicos, nem precisos, nem baseados em evidências, e certamente não detectam nenhum tipo de intolerância alimentar. Quem afirma isso é Niamh O’Connor, nutricionista irlandês membro do Irish Nutrition & Dietetic Institute.

Oferecidos em lojas de alimentos saudáveis ​​e facilmente encontrados na internet, estes testes são baseados na medição de anticorpos Imunoglobulina G (IgG), um tipo de anticorpo que nosso organismo produz quando entra em contato com micro-organismos invasores.

“Somente um médico qualificado deve realizar investigações médicas e fazer um diagnóstico. Testes de intolerância alimentar são um desperdício de tempo, energia e de dinheiro. Como profissional de saúde (…), estou legalmente obrigado a fornecer apenas informações baseadas em evidências aos meus pacientes, então todos os nutricionistas são impedidos de realizar os chamados testes de intolerância alimentar, e podem ser excluídos do registro profissional por violação de código de ética. Qualquer pessoa que recomende estes testes de intolerância/sensibilidade alimentar declara falta de compreensão de imunologia básica, como alimentos individuais podem afetar a saúde e o impacto negativo que dietas restritivas têm sobre a saúde e o bem-estar”, finaliza O’Connor.

  1. “Os BCAA’s são a melhor maneira de ingerir aminoácidos”

Os suplementos BCAA (Aminoácidos de Cadeia Ramificada) desempenham um papel importante na reidratação, síntese protéica e produção de energia, ajudando a reduzir a dor e a fadiga após um treino. No entanto, estudos mostram que os BCAAs, por si só, não conseguem sustentar um aumento na taxa de síntese protéica muscular.

Mark Gilbert, nutricionista esportivo, especialista europeu em nutrição esportiva, aponta que há uma maneira melhor de consumir aminoácidos úteis.

“Há algo chamado ‘aminoácidos essenciais’ e a razão pela qual eles são essenciais é que, se você não os tem em sua dieta, seu corpo não os terá. Os BCAAs são apenas três dos oito ou nove aminoácidos essenciais. Por que não tomar algo chamado suplemento EAA, um suplemento de aminoácidos essenciais que oferece todos os aminoácidos necessários?”, sugere.

  1. “O carvão vegetal é um antioxidante saudável”

O carvão vegetal se tornou um ingrediente moderno adicionado a muitos alimentos e bebidas. Vídeos sobre os benefícios do carvão vegetal pipocam por toda a internet. Costuma-se dizer que o carvão vegetal ativado é bom para filtrar toxinas não digeridas no corpo, mas a nutricionista Laura Wyness diz que o carvão pode nos impedir de absorver vitaminas e nutrientes de que nosso corpo precisa.

 “O carvão vegetal pode ligar nutrientes e impedir a absorção desses no corpo. Na medicina, é usado para tratar overdoses de veneno ou drogas, mas partículas ativadas de carvão são grandes demais para serem absorvidas pela corrente sanguínea e podem reduzir a absorção de alguns nutrientes úteis”, alerta.

  1. “Todos devem tomar probióticos diariamente”

Pesquisas sobre probióticos revelaram que eles oferecem vários benefícios para a saúde. Mas, ao contrário do que se pode pensar, isso não significa que todas as pessoas precisam tomar probióticos todos os dias,desde que estejam fazendo a dieta correta.

“Os probióticos são um ótimo recurso para restaurar a diversidade microbiana após um dano (por exemplo, após o uso de antibióticos ou inibidores da bomba de prótons [IBPs]) ou para aliviar os sintomas de algumas doenças (por exemplo, a Síndrome do Intestino Irritável). No entanto, uma pessoa saudável com uma dieta equilibrada e diversificada de alimentos integrais não deve ter necessidade de um probiótico”, esclarece Orla O’Sullivan, bióloga computacional do Teagasc Food Research Center, na Irlanda.

  1. “Proteína em pó é para jovens que frequentam a academia”

Proteínas em pó são normalmente tomadas por frequentadores de academia, geralmente jovens entre seus 20 ou 30 anos. Mas talvez estes suplementos sejam recomendados para outra faixa etária. “Proteína suplementar adicional nas dietas de adultos mais velhos parece ser muito mal compreendida. A perda de músculo relacionada com a idade (sarcopenia) pode começar nos 40 anos e acelerar com a idade, o que significa que mais de 25% do músculo magro pode ser perdido antes dos 65 anos”, alerta Max Gowland, fundador da marca de suplementos para os maiores de 50 Prime Fifty.

“A verdadeira ciência mostrou, sem dúvida, que adultos mais velhos realmente precisam de mais proteína do que seus colegas mais jovens, em grande parte como resultado de uma maior propensão a perder massa muscular rapidamente quando sedentários. Os adultos mais velhos possuem uma certa ‘resistência anabólica’ que, combinada com o efeito catabólico de ser sedentário, pode levar à perda significativa de massa muscular, função muscular, força e equilíbrio crucial também. Cair é um acidente tão comum em adultos mais velhos e deve-se dizer que o resultado da cirurgia de fratura de quadril é, infelizmente, ruim”, complementa.

“Histórias na internet de que proteínas suplementares causam problemas nos rins e até mesmo removem cálcio de nossos ossos são mitos de acordo com os estudos. Os benefícios para a saúde das proteínas são enormes e ainda mais significativos à medida que envelhecemos”, aponta.

  1. “A fase de carga da creatina causa saturação mais rápida dos músculos”

Uma ideia de nutrição esportiva que tem sido amplamente divulgada é que a fase de carga de creatina, que consiste em tomar 20 gramas do suplemento em doses divididas ao longo do dia por um período de tempo, ajuda a alcançar a saturação muscular ideal. Mas Tom Evans, diretor de desenvolvimento de novos produtos da Sci-MX, empresa britânica de suplementos, diz que isso só faz as pessoas gastarem mais dinheiro

“É muito raro ver isso nas instruções da embalagem hoje em dia, mas o mito continua circulando! Eu só posso supor que este era o melhor entendimento de suplementação com creatina que estava disponível no passado, ou que foi o trabalho de um departamento de marketing astuto! Mas, como todas as marcas responsáveis ​​agora descrevem, basta tomá-la diariamente. Nenhuma carga é necessária”, garante.

“Durante o período de carga de 5 a 7 dias proposto, não estou ciente de nenhum impacto físico. O único diferença negativa notável seria na sua carteira. Você precisaria beber muito mais água, mas, para ser justo, as instruções da embalagem sempre deixariam isso claro”, complementa o profissional.

  1. “Dietas alcalinas”

A “dieta alcalina” é mais uma das dietas da moda que não têm nenhum embasamento científico. A ideia por trás disso é que o PH do nosso sangue pode mudar de acordo com a nossa dieta e é melhor comer alimentos alcalinos que o impedem de ficar muito ácido.

A nutricionista Laura Wyness explica que isso não faz nenhum sentido. “Se a comida que comemos afetasse nosso PH do sangue, então estaríamos com muitos problemas. Nosso sangue tem que permanecer entre um pH de 7,35 e 7,45 e se ele ficar abaixo ou acima disso, provavelmente morreríamos. Nossos corpos regulam o PH o tempo todo para garantir que ele permaneça constante. Os alimentos alcalinos são muitas vezes frutas e vegetais, por isso, uma dieta alcalina é saudável, mas não devido ao seu efeito sobre o PH no sangue”.

  1. “Contar calorias”

Naturalmente, a ingestão de calorias é um elemento importante do controle de peso, mas contar as calorias que comemos não é necessariamente uma boa maneira de se manter saudável. Ilan Samish, cientista e pesquisador de proteínas que fundou a empresa de proteínas doces “Amai Protein”, diz que a contagem de calorias pode levar as pessoas a consumir os tipos errados de alimentos.

“A contagem de calorias é facilmente mensurável, mas muitas vezes não é o melhor guia nutricional. Primeiro, os adoçantes sem caloria podem engordar, mudando o microbioma e afetando o metabolismo geral – algo que foi comprovado em roedores e nos primeiros experimentos em humanos. Segundo, a maneira como se consome as calorias é talvez mais importante do que o número de calorias – há uma grande diferença entre a liberação lenta das calorias, como é o caso dos carboidratos complexos, em comparação com um pico acentuado de calorias, como é o caso do açúcar processado”, aponta.

“O pico de açúcar no sangue desencadeia uma resposta viciante para mais açúcar, assim como uma resposta metabólica ‘descendente’ depois que a ‘alta’ do açúcar termina. Por último e não menos importante, outros efeitos adversos, por exemplo, a toxicidade hepática ou a carcinogênese, devem orientar nossos hábitos alimentares”, sugere.

  1. “Tomar vitaminas é uma perda de tempo”

Muitos estudos concluíram que tomar vitaminas não pode prevenir doenças crônicas, mas a nutricionista Carrie Ruxton diz que os suplementos vitamínicos existem para atender às recomendações de vitaminas e nutrientes, e que as pessoas nunca devem esperar que eles sejam drogas maravilhosas.

“Perdi a conta do número de estudos relatados na mídia que afirmam que suplementos vitamínicos e minerais são um desperdício de dinheiro porque não previnem câncer, doenças cardíacas, diabetes, demência, etc. Estou surpresa que os pesquisadores esperam encontrar benefícios tão significativos para a saúde, já que estamos falando de nutrientes, não de drogas. O objetivo dos suplementos vitamínicos e minerais é suplementar a dieta habitual, ajudando as pessoas a obter recomendações nutricionais – e isso é tudo o que devemos esperar .

“Claro, algumas pessoas dizem que você deve ser capaz de obter todos os nutrientes que você precisa de uma dieta equilibrada. Isso é verdade, mas a realidade é que milhões de pessoas na Europa não comem dietas balanceadas e, portanto, tendem a ser baixo em nutrientes essenciais, como vitamina D, cálcio, potássio, ácidos graxos ômega-3 e folato. É por isso que não é uma má ideia considerar um suplemento diário para completar a dieta”, defende. [Nutra Ingredients]

Fonte: https://hypescience.com/mitos-nutricao/ – Por Jéssica Maes

https://professorjosecosta.blogspot.com/

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